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Os riscos da infraestrutura de IA ficaram grandes demais para as seguradoras?

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A construção de data centers de inteligência artificial nos EUA está gerando riscos financeiros tão altos que o mercado de seguros não consegue absorver. Os valores seguráveis variam de US$ 10 bilhões a US$ 30 bilhões, superando os limites de outros setores. Projetos como o data center de US$ 14 bilhões da Meta e BlackRock em El Paso enfrentam dificuldades para obter cobertura total devido à falta de histórico comparável. A expectativa é que até 2030, US$ 7 trilhões sejam investidos em centros de dados.

As seguradoras hesitam em oferecer coberturas amplas devido à complexidade dos riscos, que incluem desastres naturais e obsolescência tecnológica. A oposição local e preocupações ambientais também complicam o financiamento. A Descartes Underwriting propõe um modelo de seguro paramétrico, que pode acelerar pagamentos e oferecer uma solução inovadora para os desafios do setor.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

O boom de construção de data centers de inteligência artificial nos Estados Unidos atingiu valores tão altos que o mercado de seguros não está conseguindo absorver o risco sozinho.

Os riscos crescem em escala inédita, exigindo valores seguráveis de US$ 10 bilhões a US$ 30 bilhões, limites maiores do que qualquer outro setor recente, inclusive aviação e energia offshore.

Em comparação, a maior exposição a catástrofes naturais no ano passado na Munich Re, a maior resseguradora do mundo, foi de € 8,5 bilhões (US$ 9,1 bilhões) devido a um hipotético furacão gigante no Atlântico, o que representa perdas agregadas de milhares de entidades seguradas individualmente.

O centro de dados de IA de US$ 14 bilhões que está sendo erguido numa joint-venture da Meta e da BlackRock em El Paso, no Texas, é citado como caso emblemático: o empreendimento é tão grande que não existe histórico comparável para precificação. Com isso, o mercado só conseguiu oferecer cobertura parcial ao projeto.

Para se ter uma ideia do tamanho do desafio para o mercado segurador, a expectativa é que, até 2030, as empresas de tecnologia invistam US$ 7 trilhões em centros de dados, na esteira dos aportes no desenvolvimento de IA.

Stijn Van Nieuwerburgh, economista da Columbia Business School, estima que a expansão da inteligência artificial representará cerca de 2,8% da produção econômica americana nos próximos anos. “Isso significa uma parcela do PIB dos EUA ainda maior do que a que as ferrovias representavam em seu auge no século XIX”, diz.

O que seria a abertura para um segmento lucrativo há muito sonhado pelo mercado segurador está causando um efeito contrário: seguradoras têm se mostrado relutantes em fornecer coberturas de bilhões de dólares para os maiores projetos, preocupadas com o risco catastrófico e a exposição concentrada nesses grandes empreendimentos.

Parte da hesitação se deve à matriz de riscos, extensa e complexa. Cerca de 30 produtos de seguro distintos abrangem a vida de um projeto de data center de IA, desde a licença e financiamento até a construção e as operações. A lista inclui risco de construtor, carga marítima para equipamentos em trânsito, responsabilidade civil geral e excedente, cibersegurança, interrupção de negócios e coberturas para geração de energia.

O novo mercado de centro de dados de IA embute outros fatores de riscos como de longevidade — a possibilidade de que os centros de dados e os chips que os equipam não mantenham seu valor durante o período de financiamento que os sustenta, preocupação típica de que o rápido avanço tecnológico torne obsoleta parte dos equipamentos — até a localização do novo projeto.

Nesse aspecto há duas preocupações. A geografia escolhida pelas big techs — regiões baratas em energia, mas expostas a tornados, granizo severo e incêndios — amplia o risco físico.

Outro temor é a pressão popular: várias cidades estão rejeitando projetos de data centers da IA por causa do seu consumo descomunal de água e eletricidade. Trata-se de uma tendência ameaçadora — sete em cada dez americanos se opõem à construção de data centers em sua região, de acordo com uma pesquisa do Gallup realizada em março.

Grandes projetos, como uma instalação apoiada pela Blackstone na Virgínia, foram cancelados após enfrentarem oposição local e processos judiciais, enquanto muitos governos locais, inclusive no estado de Nova York, estão implementando moratórias no desenvolvimento de novos centros de dados.

Eric Klar, sócio da área de financiamento de dívida da White & Case — escritório global de advocacia com presença em dezenas de países — afirma que, enquanto os incorporadores tiverem as licenças necessárias, podem continuar a contrair empréstimos.

“Mas a oposição local ou a perda de uma licença pode interromper o financiamento no meio da construção”, adverte. “Para os credores que já investiram dinheiro no projeto, a questão é: o que acontece depois?”

Coberturas complexas

Parte da cautela das seguradoras se deve ao apetite de investidores e desenvolvedores de projetos por obter proteção contra tudo, desde desastres naturais e apagões até uma queda na demanda por poder computacional.

Isso explica a ausência de cobertura completa em projetos maiores, como no data center da Meta e da BlackRock, em El Paso.

O campus do centro de dados, que vai ocupar uma área de 4,05 km² – o equivalente a metade do bairro Pinheiros, em São Paulo -, tem como objetivo gerar 1 gigawatt (GW) de capacidade computacional e já estava em construção há mais de seis meses antes que a parceria fosse formalmente anunciada, no final de julho.

O projeto conta com seguro, mas não oferece cobertura abrangente para todas as categorias de risco, uma vez que a combinação elevada de custos de reposição e capacidade limitada do mercado torna a cobertura total indisponível ou proibitivamente cara.

Para um data center que vai consumir 1 GW de potência quando entrar em operação, em 2028, uma interrupção de vários dias não é apenas um transtorno – é um evento catastrófico.

O Texas acrescenta uma camada de complexidade que vai além do simples valor financeiro. A rede elétrica do estado funciona em isolamento quase total em relação à rede elétrica mais ampla dos EUA — uma peculiaridade de projeto que limita sua capacidade de importar energia de redes vizinhas durante emergências.

Contratar um seguro contra interrupções de negócios decorrentes de falhas na rede elétrica — sem que haja danos físicos diretos — é um dos desafios mais complexos de precificação para o mercado segurador, pois a perda não decorre de um evento físico associado a um valor monetário claro referente a bens destruídos.

Em meio a tantos riscos, a Descartes Underwriting, uma insurtech global de seguros corporativos, apresenta um modelo inovador para encarar o desafio.

A Descartes é especializada em seguro paramétrico, pelo qual o pagamento é feito automaticamente quando um evento mensurável ocorre por chuva acima de certo nível, temperatura extrema, vento acima de determinada velocidade e indicadores de risco cibernético, por exemplo.

Isso elimina a necessidade de perícia tradicional e acelera o pagamento. A insurtech é uma Managing General Agent (MGA) — ou seja, estrutura e gerencia seguros, mas o risco é garantido por seguradoras parceiras de grande porte.

A insurtech lançou produtos paramétricos com capacidade de até US$ 140 milhões por apólice, voltados para data centers em construção ou operação, especialmente nos EUA — um bom começo para evitar uma crise no setor que mal começou a se consolidar.



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