31.9 C
Marília
HomeUltimas Notíciascomo investir em cobre e terras raras com o avanço da IA

como investir em cobre e terras raras com o avanço da IA

spot_img


Bloomberg Línea — O futuro da eletrificação, a transição para energias limpas, a defesa, o setor aeroespacial, a energia nuclear e a infraestrutura digital dependem, em grande parte, do fornecimento de minerais críticos.

De acordo com o Citi (C), os minerais críticos estão no centro das principais tendências estruturais que estão transformando a economia global, conforme exposto no recente fórum virtual “Latin America’s Role in Driving the Critical Minerals Transformation”.

Ele explica que a exposição da América Latina abrange minerais ligados a tendências estruturais de longo prazo, como a eletrificação, baterias, demanda por ativos de refúgio e ímãs/eletrônica.

De acordo com os números divulgados no evento do Citi, a América Latina concentra 26% do investimento global em exploração de minerais.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

Em 2025, a região recebeu cerca de US$ 3,2 bilhões para exploração, sendo o Chile o principal destino.

Até 2040, a região teria uma oportunidade de crescimento de US$ 154 bilhões no mercado de minerais: US$ 130 bilhões em novas atividades de mineração e US$ 24 bilhões em refino.

Cobre

Em termos simples, os minerais críticos são matérias-primas essenciais para setores estratégicos, como o energético e o tecnológico.

A Agência Internacional de Energia (AIE) afirma que o forte crescimento da demanda por esses materiais elevou seu valor estratégico e levou os governos a priorizar cadeias de suprimentos mais “seguras e resilientes”.

William Husband, diretor global de Banca Corporativa de Metais e Mineração do Citi, declarou à Bloomberg Línea que os principais minerais e matérias-primas críticas incluem:

  • Cobre: é o pilar dos sistemas de transmissão de energia elétrica, redes de dados, refrigeração e estruturas físicas dos centros de processamento. Por exemplo, um único centro de dados de Inteligência Artificial (IA) com capacidade de 1 gigawatt (GW) requer cerca de 27.212 toneladas desse metal, cuja possível escassez é projetada como um risco latente para o ano de 2030.
  • Terras raras (endímio-praseodímio, disprósio e térbio): são o elemento essencial para a fabricação de ímãs de alta potência utilizados em motores elétricos e turbinas eólicas.
  • Silício, gálio, germânio, índio e tântalo: elementos essenciais para a produção de microchips e componentes eletrônicos avançados.
  • Níquel, cobalto, manganês e grafite: são os componentes que sustentam os sistemas de armazenamento de energia em grande escala e as soluções de backup de energia elétrica.
  • Titânio, tungstênio, antimônio e cromo: elementos estratégicos com aplicações essenciais nas indústrias aeroespacial e de defesa.

De acordo com dados coletados pelo Citi, a América Latina possui aproximadamente 49% das reservas mundiais de cobre e cerca de um terço das reservas mundiais de lítio.

Leia também: Lei de minerais críticos é aprovada e amplia controle do governo sobre negócios no setor

Atualmente, representa 41% do cobre extraído, 22% do zinco, 19% do lítio, 8% da bauxita e 4% do abastecimento mundial de níquel.

Husband afirmou que cada país da região apresenta um perfil estratégico diferenciado e vantagens competitivas bem definidas:

Minerales críticos.
  • Peru: com forte foco no cobre, o país possui uma carteira de projetos de mineração que ultrapassa US$ 64 bilhões e prevê um investimento no setor estimado em aproximadamente US$ 8,1 bilhões até 2026.
  • Argentina: sua estratégia se baseia no lítio e é fortemente impulsionada pelo Regime de Incentivo para Grandes Investimentos (RIGI). O país já registra US$ 25 bilhões em projetos aprovados nas áreas de mineração e metalurgia (M&M) — que abrangem ouro, prata, lítio e cobre — e mantém outros US$ 25 bilhões adicionais em análise e avaliação.
  • Brasil: possui uma base de recursos “extremamente” diversificada e conta com gigantes da indústria global, como a Vale. Além disso, está estrategicamente posicionado em setores de alta demanda tecnológica, como o grafite (cuja demanda deve aumentar 1,9 vez até 2040) e as terras raras magnéticas (+1,5 vez no mesmo período).
  • México: consolidado como o principal produtor mundial de prata há mais de 16 anos, o país também possui sólidas reservas de cobre, ouro e zinco. “Sua maior vantagem é geográfica: sua proximidade com o mercado norte-americano o posiciona de forma inigualável diante da demanda automotiva e do processo de eletrificação do norte da região”, afirmou William Husband.

Como investir em minerais essenciais?

Mezcla, variedad de minerales críticos, materias primas. Requerido para la tecnología moderna, como paneles solares, semiconductores, turbinas eólicas, baterías, transporte. La mía, la minería. Copiar espacio

Para um investidor, “a forma mais simples de se expor a esse mercado costuma ser por meio de ações de produtores ou ETFs especializados, pois muitos desses minerais não contam com mercados financeiros líquidos onde seja possível comprar diretamente a commodity”, disse à Bloomberg Línea Emanoelle Santos, analista de mercados do aplicativo de investimentos XTB.

Leia também: Quem tiver mineral com maior qualidade vai comandar os preços, diz CEO da Vale

No caso do cobre, há também contratos futuros e instrumentos que acompanham seu preço, enquanto empresas como a Freeport McMoRan (FCX), a Southern Copper (SCCO), a Antofagasta ou a BHP (BHP) permitem capturar diferentes graus de sensibilidade ao metal.

No setor de terras raras, Santos observa que a MP Materials e a Lynas são duas das principais alternativas fora da China, enquanto empresas diversificadas como a Teck permitem uma exposição indireta a minerais estratégicos, como o germânio.

Também existem ETFs de cobre, mineração e terras raras que reduzem o risco específico de uma única empresa.

“Para uma carteira, faria mais sentido utilizar o cobre e produtores consolidados como posição central e reservar uma parcela menor para terras raras ou minerais estratégicos de menor porte, onde o potencial pode ser maior, mas o risco empresarial também o é”, segundo Emanoelle Santos.

O principal risco, segundo ele, é presumir que um mineral essencial signifique automaticamente um aumento de preço, já que a demanda pode crescer e, mesmo assim, o preço pode cair caso surja uma nova oferta, haja mudanças tecnológicas ou um país dominante decida aumentar a produção.

A isso se soma uma forte dimensão geopolítica: a China concentra mais de 90% da refinação de diversos materiais, como gálio, grafite, manganês e terras raras, e já existem controles de exportação sobre vários deles.

Leia também: Britânica Appian vê Brasil como peça-chave para avançar em minerais críticos

Em empresas de pequeno porte, surgem ainda riscos relacionados a licenças, financiamento, custos adicionais, diluição acionária e projetos que podem levar anos para gerar resultados.

Por isso, “o potencial mais atraente está justamente onde coincidem a demanda estrutural, a dificuldade de substituir o material e uma oferta difícil de ampliar, mas essas mesmas características também fazem com que esses mercados sejam muito mais voláteis e sensíveis às decisões políticas”, observou ele.

A XTB explica que, dentro desse universo, o cobre provavelmente oferece a perspectiva mais ampla e menos dependente de uma única tecnologia, já que “a AIE projeta que ele será o mineral com o maior aumento absoluto na demanda até 2040 e ainda observa uma lacuna significativa entre os projetos anunciados e as necessidades de abastecimento até 2035”.

“Em seguida, eu prestaria atenção aos elementos de terras raras utilizados em ímãs, especialmente NdPr, disprósio e térbio, e a minerais como gálio, germânio e tungstênio, cujo interesse não decorre tanto do volume consumido, mas da enorme concentração da oferta e da dificuldade de substituição”, observou Santos.

Ele explicou que a AIE classifica precisamente o gálio, as terras raras magnéticas, o grafite, o tungstênio, o germânio e o cobalto entre os materiais com maior vulnerabilidade no abastecimento.

Por outro lado, “seria mais prudente em relação ao níquel, ao manganês e ao cobalto, pois, embora a demanda por esses metais continue sendo significativa para as baterias, o crescimento da nova oferta e a evolução para composições químicas que utilizam menos desses metais podem limitar sua escassez”, concluiu a analista.





Fonte Link

spot_img
spot_img
Fique conectado
16,985FansLike
2,458FollowersFollow
61,453SubscribersSubscribe
Deve ler
spot_img
Notícias Relacionadas
spot_img