| Mobile Time Latinoamérica | O vice-presidente da República da Colômbia, José Manuel Restrepo, fez suas primeiras declarações sobre as prioridades do Governo Nacional para o setor de tecnologia durante a ANDICOM 2026, com uma mensagem centrada em conectividade, inteligência artificial, energia, talento e investimento privado.
“Hoje quero convidá-los a sonhar e construir juntos essa pátria, um milagre digital”, afirmou Restrepo, que destacou o papel das empresas de tecnologia na construção de uma visão de país de longo prazo.
Sem energia, não haverá inteligência artificial
Uma das principais questões levantadas esteve relacionada à necessidade de ampliar a capacidade energética do país para acompanhar o crescimento da inteligência artificial, dos data centers e da economia digital. “No futuro da humanidade, não haverá conectividade sem energia”, afirmou.
O vice-presidente destacou que a Colômbia deve deixar de falar apenas em transição energética e passar a discutir também uma estratégia de “adição energética”, que permita incorporar nova capacidade ao sistema.
Nesse sentido, propôs aproveitar o potencial do país por meio de projetos de energia solar e eólica no Alto Caribe, de pequenas centrais hidrelétricas em departamentos como Antioquia e de uma revisão da regulamentação relacionada à energia nuclear. “A aposta deve ser acompanhada por investimentos em transmissão, armazenamento e nova geração para responder à crescente demanda por infraestrutura digital”, pontuou.
Restrepo afirmou que a Colômbia poderia aproveitar seu potencial energético para atrair investimentos em data centers e transformar a energia em uma vantagem competitiva para a indústria de inteligência artificial. “Para mim, exportar energia significa exportar inteligência artificial”, declarou.
Nesse caminho, afirmou que o país deve começar desde já a se concentrar nas necessidades energéticas das próximas décadas e projetar-se para 2050 como um possível polo energético e tecnológico da América Latina.
Um Estado mais digital
A modernização do Estado constitui outro dos componentes da proposta. Restrepo afirmou que atualmente apenas 35% dos trâmites estatais estariam digitalizados e questionou a quantidade de novas normas produzidas a cada ano.
Segundo os números apresentados durante sua fala, a Colômbia produz cerca de 7 mil novas normas, leis, decretos, resoluções ou circulares por ano, o equivalente a aproximadamente 20 por dia. Diante desse cenário, propôs avançar em um processo de simplificação normativa e modernização institucional por meio de ferramentas digitais e inteligência artificial.
A proposta inclui identificar trâmites de alto impacto, eliminar aqueles que forem desnecessários, ampliar a interoperabilidade entre órgãos públicos e utilizar tecnologia para reduzir duplicidades e aumentar a eficiência do Estado.
Colômbia rumo a 2050
A proposta estabelece, em última instância, uma visão de longo prazo na qual a Colômbia possa se tornar, até 2040 ou 2050, uma reserva estratégica de talentos, uma referência em eficiência governamental e um polo energético e tecnológico da América Latina.
Para alcançar esse objetivo, o discurso apontou como condições a articulação entre Estado e empresas, maior investimento privado, segurança jurídica, expansão energética, formação de talentos e uma política de Estado voltada à tecnologia. “Por que não apostamos juntos nessa direção de longo prazo?”, questionou.
A aposta do novo governo é que a Colômbia deixe de se concentrar exclusivamente na resolução de questões conjunturais e comece, desde agora, a construir as condições econômicas, energéticas e digitais de que precisará nas próximas décadas.




