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Priscyla Laham, da Microsoft, alerta para o salto na conta dos tokens

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Depois da corrida para adotar inteligência artificial, uma nova preocupação começa a ocupar a agenda das empresas: a conta dos tokens. Embora o custo unitário tenha diminuído, o avanço dos agentes e a multiplicação dos projetos fizeram o consumo disparar, com os gastos surpreendendo parte do mercado corporativo.

“O custo de tokens caiu muito, mas o consumo subiu muito”, disse Priscyla Laham, presidente da Microsoft Brasil, em entrevista ao NeoFeed durante o NeoSummit IA na Real. “As empresas estão um pouco surpresas com a quantidade de dinheiro que estão gastando com inteligência artificial.”

Na avaliação da executiva, os próximos dois anos serão marcados pela discussão sobre como equilibrar o capital humano com o que ela chama de “capital de tokens”. De um lado, estarão os funcionários; de outro, os agentes de IA, tratados como trabalhadores digitais especializados, capazes de atuar em conjunto para executar processos e atender clientes.

Essa discussão também aparece nas contas da própria Microsoft. No quarto trimestre de seu ano fiscal, encerrado em junho, a companhia investiu US$ 41 bilhões em capex. Cerca de dois terços foram direcionados a ativos de vida útil mais curta, principalmente CPUs e GPUs.

Ao mesmo tempo, a margem bruta da Microsoft Cloud recuou para 65%, pressionada pelos investimentos em infraestrutura e pelo aumento do uso de produtos de IA. A demanda, porém, continua crescendo: o Azure superou US$ 100 bilhões em receita anual pela primeira vez, enquanto seu faturamento, somado ao de outros serviços de nuvem, avançou 43% no trimestre.

Na economia dos tokens, por um lado, seu consumo alimenta a expansão da nuvem, mas, por outro, também exige investimentos bilionários em capacidade computacional, o que aumenta a pressão para que clientes e fornecedores extraiam mais resultados de cada operação.

Segundo Priscyla, a adoção corporativa da IA entrou agora em uma segunda etapa. Nos primeiros anos da tecnologia generativa, muitas companhias viveram uma espécie de “feira de ciências corporativa”, com diferentes áreas criando projetos sem conexão clara com os objetivos do negócio.

O resultado foram aplicações caras para tarefas simples, como “PowerPoints de US$ 10 mil”, produzidos com modelos sofisticados, embora pudessem ser feitos com ferramentas mais baratas.

A resposta da Microsoft é oferecer diferentes níveis de capacidade e preço. O Microsoft Foundry, plataforma disponível no Azure, reúne mais de 11 mil modelos. Assim, cada empresa pode reservar as ferramentas mais avançadas para atividades complexas e escolher alternativas menores e mais baratas para tarefas simples.

Essa diversidade também integra a resposta da Microsoft aos questionamentos sobre uma possível dependência da OpenAI. A estratégia, segundo a executiva, é transformar a companhia na plataforma sobre a qual os clientes possam testar modelos, comparar resultados e controlar custos.

Para apoiar essa transição, a Microsoft criou uma unidade dedicada às chamadas Frontier Companies — empresas lideradas por humanos, mas operadas de maneira crescente por IA. Segundo a executiva, a área recebeu investimento global de US$ 2,5 bilhões. A proposta é melhorar o retorno da tecnologia, o que exige revisar processos, preparar os funcionários e envolver a liderança nas decisões.



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