A chegada das primeiras chuvas no país marcou o início oficial da semeadura da safra 2026/27 de soja. A estratégia do setor produtivo é acelerar o ritmo dos trabalhos à medida que as precipitações se regularizem, visando antecipar o ciclo e reduzir a exposição das lavouras aos possíveis impactos do fenômeno El Niño. Com as atenções totalmente voltadas ao campo, a oferta de grandes lotes permaneceu enxuta no mercado físico, mantendo as cotações do grão e do farelo de soja em trajetória de alta na primeira metade de setembro.
Esta semana (14/09): Início da semeadura e disputa acirrada pelo farelo de soja
O fato da semana: As precipitações recentes permitiram a abertura do plantio da safra 2026/27 no Brasil. Em paralelo, a retenção de grandes volumes por parte dos agricultores e a competição agressiva pelo farelo de soja sustentaram novas altas nas praças nacionais.
-
Estratégia de antecipação: Os produtores pretendem intensificar o plantio assim que as chuvas derem trégua, aproveitando a umidade do solo para janela ideal e mitigando adversidades climáticas projetadas pelo El Niño.
-
Liquidez reduzida no spot: A postura defensiva dos agricultores, focados na operação de campo e reticentes em fechar grandes volumes, manteve a oferta restrita no mercado disponível, impulsionando os preços do grão na primeira dezena de setembro.
-
Aquecimento no farelo: As cotações do farelo de soja subiram impulsionadas pela disputa simultânea entre indústrias nacionais — necessitadas de repor estoques para ração — e a demanda global por derivados, que se mantém agressiva.
Semana anterior (08/09): Expectativa de chuva e impulso por fatores geopolíticos
Na semana anterior, a valorização da soja ganhava tração sob o viés do mercado externo e da ansiedade por precipitações no Brasil:
-
Espera pelas chuvas: A retenção de vendas era motivada justamente pelo aguardo da umidade ideal para dar início às atividades de máquinas no campo.
-
Apoio internacional: As incertezas climáticas globais, a maior demanda asiática direcionada à safra norte-americana e a escalada de conflitos no Oriente Médio funcionavam como suportes de alta para as cotações.
-
Recorde de exportações: O país registrou o recorde histórico de 89,86 milhões de toneladas exportadas no acumulado de janeiro a agosto, amenizando o efeito da desaceleração sazonal dos embarques no fim de ano.
Comparativo direto: A evolução do mercado de soja
| Frente de Análise | Semana Anterior (08/09) | Esta Semana (14/09) — Destaque |
| Trabalhos de Campo | Vendas travadas no aguardo do retorno das chuvas | Início da semeadura 2026/27 favorecido pelas precipitações |
| Comportamento do Produtor | Retração de oferta à espera de definição do clima | Aceleração do plantio para minimizar riscos do El Niño |
| Mercado Spot (Grão) | Aceleração de alta impulsionada pelo exterior | Preços sustentados na 1ª dezena do mês por menor liquidez |
| Derivados (Farelo de Soja) | Cotações em alta acompanhando o grão | Disputa acirrada entre recomposição interna e demanda global |
A abertura do plantio da safra 2026/27 renova o foco do mercado sobre o comportamento do clima no Brasil Central e no Sul. Enquanto o agricultor prioriza o ritmo de máquinas no campo para contornar os riscos do El Niño, a demanda aquecida por derivados como o farelo assegura suporte às margens do esmagamento doméstico, mantendo o complexo soja fortalecido nas praças nacionais.




