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Sem dividendos, Fiagro do Bradesco tenta conter inadimplência

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O BRFT11, Fiagro gerido pela Bradesco Asset em parceria com a Farmtech, negocia próximo das mínimas históricas, refletindo a reação negativa dos investidores à decisão dos gestores de suspender a distribuição de dividendos.

Na segunda-feira, as cotas do BRFT11 encerraram o pregão da B3 a R$ 60. O fundo negocia com um desconto da ordem de 40% sobre o valor patrimonial, que é de R$ 183 milhões.

O movimento de desvalorização começou em julho, quando o Fiagro do Bradesco parou de remunerar os cotistas.

A queda das cotas é intensificada pelo perfil do fundo. Destinado apenas a investidores qualificados (aqueles com pelo menos R$ 1 milhão em patrimônio), o BRFT11 possui uma liquidez reduzida, de apenas R$ 2 milhões por mês.

A falta de dividendos é explicada pelo aumento da inadimplência do portfólio do fundo, que é formado por recebíveis de produtores rurais e revendas de insumos agrícolas.

A situação está ligada aos atrasos nos pagamentos que deveriam ter sido feitos em maio e junho (relativos à safra de soja da temporada 2025/26), em mais um sinal da crise que atinge diversos financiadores agrícolas — o Banco do Brasil é o maior exemplo.

O último relatório gerencial do BRFT11 dá uma dimensão. Os atrasos superiores a 90 dias na safra 2025/26 somam 9,75% da carteira, acima dos 5,59% no mesmo período do ano passado. Duas safras atrás, esse percentual era de 4,87%.

Em entrevista ao The AgriBiz, o gestor de crédito da Bradesco Asset, Eduardo Telles, citou o aperto das margens dos agricultores como uma explicação para a piora na inadimplência.

“Houve uma compressão bem forte da margem, tanto por aumento de custos quanto por estabilidade no preço dos grãos. Outro fator que pesa muito é o aumento da alavancagem, somado às altas taxas de juros, fazendo com que a capacidade de pagamento fique comprometida”, disse Telles.  

Os atrasos já afetaram o resultado líquido do BRFT11, gerando prejuízo para o fundo — e impedindo, por consequência, a distribuição de dividendos. “Estamos acumulando prejuízo contábil. Por isso deixamos de pagar dividendo e começamos a fazer a amortização das cotas”, disse o gestor.

As amortizações, que representam a devolução do principal investido pelo cotista, foram uma tentativa de manter um fluxo de receita para os cotistas enquanto buscam conter a inadimplência.

Desde julho, o BRFT11 vem amortizando R$ 1 por cota, o equivalente aos dividendos mensais que o Fiagro costumava distribuir antes da piora na inadimplência. Questionado sobre até quando as amortizações substituiriam os dividendos, Telles disse que não poderia dar guidance ao mercado.

Cobrança

Paralelamente, os gestores intensificaram a cobrança dos inadimplentes. “Tem uma atuação bastante forte do nosso agente de cobrança e da própria cogestora”, disse Telles, em alusão ao papel da Farmtech, que ajuda na originação do crédito aos produtores e revendas.

Em agosto, por exemplo, a carteira de vencidos e não pagos melhorou, recuando dos R$ 23,5 milhões registrados em julho para R$ 16,6 milhões. Segundo os gestores do Fiagro, o movimento é explicado principalmente pela recuperação líquida de créditos inadimplentes.

Nas novas concessões de crédito, o fundo busca um perfil “mais defensivo”, segundo Telles. Isso significa mais operações nas regiões Sul e Sudeste, onde enxergam melhores condições estruturais de produção, logística e recuperação de crédito em comparação ao Centro-Oeste.

Listado em 2023, o BRFT11 possui uma carteira altamente pulverizada, com 3,3 mil devedores. Os 20 maiores devedores representam, em conjunto, 15,3% do patrimônio líquido do fundo.



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