A L’Oréal coloca a inteligência artificial no centro de sua estratégia global para se consolidar como líder em beauty tech. Durante o Agentic Commerce Summit, evento sobre comércio agêntico e conversacional realizado nesta quinta-feira, 8, no Rio de Janeiro, An Verhulst-Santos, presidente-executiva da L’Oréal no Brasil, apresentou a estratégia da companhia para se consolidar como referência global em beleza e tecnologia, além de destacar a importância do mercado brasileiro para esse objetivo.
Com cerca de 117 anos de história, a L’Oréal baseia sua jornada de transformação digital em três pilares fundamentais: a capacitação contínua de suas equipes, o estímulo à pesquisa científica por meio da ciência de dados e a criação de novas conexões personalizadas com os consumidores.
Capacitar colaboradores com IA
Atualmente, a empresa promove a capacitação contínua de 73 mil colaboradores em todo o mundo. “Sempre com o objetivo de não perder a humanidade, porque a beleza tem a ver com a relação humana e é algo muito pessoal quando você escolhe um produto de beleza”, explicou An Verhulst-Santos. A ideia também é usar a IA para potencializar a criatividade das equipes.
Pesquisa e inovação na L’Oréal
A L’Oréal tem a pesquisa em sua origem. “Estamos convencidos de que beleza é ciência. Por isso, quando você coloca a inteligência artificial no mundo da inovação, você acelera o know-how”, afirmou Santos. Nesse contexto, a organização dos dados é essencial para o bom funcionamento da IA na companhia.
Atualmente, a empresa armazena mais de 10 terabytes de dados relacionados aos seus 117 anos de história. Esse acervo é utilizado por algoritmos para apoiar a descoberta e o aperfeiçoamento de fórmulas. Segundo Santos, os dados estão “bem organizados e estruturados e, por isso, podem ser amplificados com o uso da IA”.
Conexão com o consumidor via IA?
Santos reconhece que a tecnologia está mudando a interação com os consumidores. Por isso, a empresa precisa se adaptar constantemente, sem perder o contato humano.
“A mudança na busca por produtos — da Busca para o ChatGPT — é real e está acontecendo. Não pode ser ignorada. Os LLMs pegam as palavras mais marcantes do produto, mas a relação com a beleza é outra, baseada em conselhos e recomendações. A IA pode até fazer uma parte desse trabalho, pode dar uma ideia de qual gama de produtos serve para você, mas nunca vamos dispensar o lado humano”, explicou a presidente-executiva.
“Mas, de novo, nunca vai substituir o lado humano e o conselho. Beleza é sobre conexão com o indivíduo”, reforçou.
A L’Oréal já está integrada ao ChatGPT, oferece um provador virtual e conta com uma assistente especializada em beleza. A companhia também dispõe do Beauty Genius, ferramenta de IA que ajuda a encontrar produtos com base em diferentes aspectos, como a localização da pessoa e seu estado de cansaço.
O ‘Fator Brasil’
Durante o evento, a executiva ressaltou que o Brasil é um mercado estratégico para que a L’Oréal se torne uma referência global em beauty tech. Segundo ela, isso se deve a diferentes características do país:
- O consumidor brasileiro é exigente e sabe o que quer. Santos comparou o Brasil à França: enquanto os consumidores franceses utilizam, em média, três produtos de beleza, os brasileiros utilizam sete. “É um mercado extremamente sofisticado e muitos dos nossos produtos são feitos aqui para o mundo inteiro”, disse.
- O Brasil reúne 55 dos 60 tons de pele existentes no mundo.
- O Brasil é o único país do mundo onde estão presentes os oito tipos de curvatura dos cabelos.
- Em 10 a 15 anos, a previsão é de que mais de 40% da população mundial tenha cabelos encaracolados ou crespos, além de haver um aumento da presença de melanina na pele.
Por essas características, o Brasil se posiciona como um mercado precursor de tendências globais no setor de beleza.
Foto: An Verhulst-Santos, presidente-executiva da L’Oréal no Brasil, durante o Agentic Commerce Summit. Crédito: Isabel Butcher/Mobile Time.




