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McKinsey destitui sócio sênior após comentários sobre mulheres no mercado de trabalho

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Bloomberg — A McKinsey destituiu um sócio sênior de seu cargo de liderança no braço de pesquisa da empresa depois que ele publicou comentários na internet questionando as dificuldades que as executivas enfrentam no ambiente de trabalho.

Chris Bradley, um dos poucos diretores do McKinsey Global Institute — a renomada unidade de pesquisa econômica e empresarial —, foi destituído do cargo, informou a empresa de consultoria em comunicado divulgado no domingo (11). Ele continua sendo sócio sênior da empresa e está baseado na Austrália.

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A decisão incomum ocorreu após uma investigação interna desencadeada por uma troca de mensagens no LinkedIn, no mês passado, entre Bradley e um dos autores de um novo livro que aborda o fenômeno do “penhasco de vidro” para as mulheres no ambiente de trabalho. Os comentários foram excluídos, e a McKinsey já havia se distanciado anteriormente das declarações de Bradley.

“Após nosso processo de revisão de conduta, removemos o sócio de suas funções de liderança, inclusive no McKinsey Global Institute. Seus comentários públicos ficaram muito aquém dos padrões que esperamos em nossa empresa”, afirmou o porta-voz da McKinsey, Taylor Burns, em comunicado enviado por e-mail. Bradley também atuava como líder em alguns comitês internos, disse Burns.

Não foi possível entrar em contato com Bradley imediatamente para obter comentários fora do horário comercial normal.

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O termo “penhasco de vidro” foi cunhado por acadêmicos para descrever o fenômeno em que líderes femininas têm maior probabilidade de receber ofertas para cargos de diretora executiva em empresas em dificuldades.

Os defensores da teoria dizem que pesquisas mostram que as mulheres têm mais chances de obter a oportunidade de se tornar diretora executiva quando uma empresa está em crise ou em processo de recuperação.

Bradley chamou o “penhasco de vidro” de “uma maneira muito conveniente de ser sempre uma vítima na chuva” nas postagens excluídas e, de modo geral, questionou se o conceito realmente existe.

A McKinsey há muito tempo busca promover o debate sobre os desafios que as mulheres enfrentam no ambiente de trabalho. A empresa publica, há mais de uma década, o estudo “Mulheres no Local de Trabalho”, elaborado em parceria com o grupo de defesa LeanIn, de Sheryl Sandberg.

O estudo pesquisa cerca de 9.500 funcionários de 124 organizações. As participantes relatam consistentemente que as líderes enfrentam maior resistência do que os homens e têm mais chances de ter o julgamento questionado.

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Um relatório de 2020 da McKinsey sobre mulheres que trabalham na área da saúde chega a fazer referência ao termo “penhasco de vidro” ao descrever os obstáculos citados por mulheres negras.

Na última década, as CEOs das empresas do índice Russell 3000 deixaram o cargo após um mandato médio de 6,2 anos, contra 8,9 anos para os homens, de acordo com a Exechange, uma empresa de pesquisa que acompanha mudanças na liderança corporativa e faz uma classificação com base na probabilidade de que a saída tenha sido forçada ou voluntária.

Ao examinar os motivos das saídas de CEOs no mesmo período, a empresa de pesquisa constatou que as mulheres tinham mais chances do que os homens de serem forçadas a deixar o cargo. Apenas uma em cada dez empresas do S&P 500 é liderada por CEOs mulheres.

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