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Doença de Newcastle: as lições e os riscos à exportação de frango

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O foco da doença de Newcastle confirmado numa granja de perus em Santa Catarina, nesta segunda-feira, deixou em alerta investidores do setor de proteínas, pressionando as ações das duas maiores exportadoras de carne de frango, MBRF e JBS. Mas, para analistas, a primeira experiência do Brasil com o vírus, em 2024, indica que o impacto tende a ser limitado.

“De modo geral, os impactos nas operações da JBS e da MBRF na ocasião foram menos prejudiciais do que se temia inicialmente”, disse a equipe do JP Morgan em relatório a clientes. “Desta vez, a menos que ocorra um evento de grande abrangência (…), acreditamos que o impacto poderá ser ainda menor.”

Nos últimos anos, após o primeiro foco da doença no município de Anta Gorda (RS), o setor de proteínas negociou com diversos importadores para alterar os seus protocolos e passar a adotar embargos limitados a um raio ao redor do foco, em vez de impor proibições em nível estadual ou nacional. Essa mudança deve ajudar a mitigar os impactos comerciais, afirmaram os analistas do JP Morgan liderados por Lucas Ferreira.

Os analistas do Bank of America também afirmaram que o surto de 2024 sugere que as restrições podem durar relativamente pouco tempo se o caso permanecer isolado. No mês em que o vírus foi detectado, agosto de 2024, as exportações brasileiras de carne de frango caíram 11% na comparação anual.

Embora o foco tenha sido controlado rapidamente, 44 mercados foram afetados. Restrições às importações de todo o País, como da China e do México, duraram menos de um mês, mas alguns embargos estaduais, como o da própria China, duraram meses.

Os embarques, contudo, se recuperaram rapidamente: mesmo com a queda de agosto, o volume exportado pelo Brasil no terceiro trimestre de 2024 cresceu 5% em relação ao mesmo período do ano anterior, lembrou o Bank of America. E a rápida recuperação, destacaram os analistas do JP Morgan, evitou que o Ebitda de MBRF e JBS fosse afetado de forma significativa.

Por enquanto, o episódio de Santa Catarina levou à suspensão das exportações para a China em caráter preventivo, seguindo o protocolo sanitário acordado entre os dois países. Nos próximos dias, as autoridades chinesas devem avaliar o caso e definir se o critério de regionalização será adotado.

Segundo o Bradesco BBI, o México também suspendeu importações de aves de todo o Brasil, e o Chile deve seguir na mesma linha. Novas restrições são prováveis.

Pontos de atenção

Para Henrique Brustolin, analista do Bradesco BBI, o episódio em Santa Catarina pode ter um efeito maior no mercado do que o do Rio Grande do Sul. O estado catarinense representa 21% das exportações brasileiras de frango, enquanto o Rio Grande do Sul responde por 13%, aumentando o potencial impacto mesmo com restrições regionalizadas, destacou em relatório.

Outra preocupação é o contexto em que o novo foco foi identificado. Segundo o analista do Bradesco BBI, os alojamentos de pintos de corte voltaram a acelerar, o que indica uma produção maior entre o final deste ano e o início do próximo. Como as exportações têm sido essenciais para absorver a oferta crescente de frango, restrições prolongadas podem pressionar margens, segundo Brustolin.

O peso do episódio também é diferente para as empresas. Enquanto a BRF, que reúne os negócios de frango da MBRF, representa aproximadamente 78% do Ebitda estimado para 2026 da companhia, a Seara responde por cerca de 27% dos resultados consolidados da JBS.

Nas exportações de frango de MBRF e Seara, Santa Catarina representa entre 10% e 20% do total, nos cálculos do JP Morgan.



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