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O vencedor da disputa presidencial enfrentará desafios na infraestrutura, incluindo a necessidade de atrair investidores para projetos com menor viabilidade econômica em rodovias, saneamento e aeroportos. A agenda inclui destravar ferrovias e resolver gargalos no setor de energia, especialmente na transmissão.
O Ministério dos Transportes planeja 11 leilões rodoviários em 2027, com investimentos de quase R$ 55 bilhões. A continuidade dos projetos é essencial, e novas modelagens, como PPPs e concessões light, podem facilitar a atração de capital. No saneamento, três projetos regionais estão previstos. A carteira ferroviária prevê R$ 160 bilhões em investimentos, com leilões programados. No setor portuário, o leilão do Tecon 10 é uma prioridade, e nos aeroportos, a inclusão de terminais regionais nas concessões existentes será um desafio.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
O vencedor da disputa presidencial encontrará velhos e novos desafios na infraestrutura no primeiro ano de mandato. Em rodovias, saneamento e aeroportos, será preciso atrair investidores a projetos com menor viabilidade econômica, após parte dos mais disputados já ter ido a leilão.
Nas ferrovias e nos portos, a tarefa será destravar a agenda. No setor de energia, que tem características próprias, o destaque são os gargalos de transmissão.
Nos últimos anos, as rodovias ganharam protagonismo na agenda de concessões, com 25 leilões realizados desde 2023 e mais quatro previstos até o fim do ano, segundo o balanço do Ministério dos Transportes.
Para 2027, a pasta apresentou uma carteira de 11 certames federais, com quase R$ 55 bilhões em investimentos ao longo dos contratos. São nove novas concessões e duas otimizações contratuais.
“O setor de infraestrutura é como um navio transatlântico: demora a ganhar tração, mas, depois que ganha, vai embora embalado”, diz Ronei Glanzmann, CEO da MoveInfra.
O executivo avalia que a continuidade dos projetos deve ser prioridade, independentemente do resultado eleitoral. A próxima gestão, porém, terá de viabilizar rodovias com perfil diferente do de grandes corredores já concedidos, como a Régis Bittencourt e a Fernão Dias.
Ainda assim, a entrada de investidores regionais e o financiamento por debêntures estão entre os fatores que podem ajudar a atrair capital para os projetos, segundo Glanzmann.
João Paulo Pessoa, advogado especialista em direito público e sócio do Toledo Marchetti Advogados, ressalta que parte das oportunidades dependerá de mudanças nos modelos de contratação.
“O Brasil é muito extenso e tem espaço para projetos rodoviários, mas é preciso pensar em modelagens diferentes”, diz Pessoa.
Entre as possibilidades na mesa estão as parcerias público-privadas (PPPs), os aportes públicos para financiar obras específicas e as chamadas “concessões light”, voltadas à manutenção e a intervenções pontuais, com menor exigência de investimentos em duplicação.
Saneamento e energia no radar
No saneamento, os projetos previstos para 2027 incluem as PPPs de esgoto de Goiás e do Rio Grande do Norte, que somam R$ 10,3 bilhões em investimentos, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Saneamento (Abcon). Já o Bloco D de Alagoas é esperado para o próximo ano ou o seguinte.
Christianne Dias, diretora-presidente da Abcon, destaca dois desafios para 2027: viabilizar a nova rodada de leilões e assegurar a execução dos investimentos já contratados. Para isso, considera essenciais a segurança jurídica, respeito aos contratos, condições adequadas de financiamento e regras claras na implementação da reforma tributária.
“Concessões de longo prazo não podem ser revistas a cada mudança de governo sem comprometer a previsibilidade e prejudicar a população que aguarda os serviços”, afirma.
A preparação desses projetos ocorre em um cenário de juros elevados, após disputas sem propostas, como a de Rondônia. Os compromissos já assumidos por grandes operadores também entram na conta.
“Com capital comprometido e financiamento mais caro, é natural que as empresas examinem novas oportunidades com maior rigor”, diz Carlos Lebelein, economista e sócio da LMDM Consultoria.
Em um setor que exige investimentos elevados e recupera o capital ao longo de décadas, Lebelein vê o BNDES como uma fonte relevante. No entanto, ressalta que a universalização também dependerá do mercado de capitais e de investidores privados.
“O próximo governo poderá mudar as prioridades do saneamento, mas não poderá mudar a matemática dos contratos”, afirma Lebelein.
“Investimentos precisam ser financiados, riscos precisam ser remunerados e tarifas precisam ser sustentáveis”, complementa o economista.
Se no saneamento ainda é preciso ampliar o atendimento, na energia o desafio é aproveitar a oferta disponível. “Na infraestrutura necessária para a produção de energia, mais do que superamos as nossas necessidades. O gargalo ficou na conexão entre consumo e produção”, diz Victor Hugo Iocca, diretor de Energia Elétrica da Abrace Energia.
A ampliação da rede também está na agenda de 2027. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) prepara uma disputa para abril, com quase R$ 13 bilhões em investimentos estimados e previsão de incluir, pela primeira vez, baterias na transmissão. O governo também pretende licitar o Bipolo Nordeste 2 para ampliar o escoamento da geração renovável do Nordeste para o Centro-Sul.
“Existe muita demanda para novos leilões de transmissão”, afirma Iocca. O problema, ressalta, é o prazo: novos empreendimentos podem levar de cinco a sete anos para entrar em operação, enquanto as necessidades da indústria são mais imediatas.
Para Luiz Barroso, CEO da PSR, aproveitar a disponibilidade de energia potencialmente competitiva também exige rever subsídios, melhorar os sinais de preço e incorporar o risco climático ao planejamento. O objetivo é transformar essa oferta em vantagem para atrair atividades como data centers, mineração, fertilizantes e manufatura.
“Será necessário ‘cortar na carne’ e eliminar os subsídios existentes que já cumpriram a sua função”, afirma. Na avaliação de Barroso, esses benefícios encarecem as tarifas e distorcem as decisões de geração e consumo.
Agendas para destravar
A carteira ferroviária do Ministério dos Transportes reúne R$ 160 bilhões em investimentos previstos para a execução dos projetos. São oito propostas de concessão, além de autorizações e terminais. Quatro concessões têm leilão previsto para 2027: Anel Ferroviário do Sudeste, Malha Oeste, Ferrogrão e Corredor Leste–Oeste.
Pessoa vê nos projetos ferroviários uma oportunidade para a próxima gestão, depois das postergações da agenda. Glanzmann ressalta, porém, a dificuldade de financiar obras de alto custo antes do início da operação e da geração de receita.
No setor portuário, uma das principais pendências é o leilão do Tecon 10, projeto de um novo terminal de contêineres no Porto de Santos. A disputa é cercada por divergências sobre as regras de participação e as restrições a empresas que já operam terminais no porto.
Além do Tecon 10, o CEO da MoveInfra aponta o projeto do terminal de São Sebastião e a contratação definitiva da operação de Itajaí como prioridades.
Nos aeroportos, Glanzmann inclui entre as expectativas para 2027 a repactuação de Viracopos e a continuidade do Programa Ampliar. A iniciativa busca incorporar aeroportos regionais às concessões de grandes terminais, como ocorreu com Galeão e Congonhas e está previsto para Brasília em dezembro.
Com os grandes aeroportos já concedidos, o desafio será negociar a inclusão dos regionais nos contratos existentes. “Isoladamente é muito difícil, porque a viabilidade desses aeroportos é muito baixa”, diz o executivo.




