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A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva resultou na maior queda do Ibovespa em 24 anos, com uma desvalorização de 16,4% no primeiro pregão após o segundo turno.
O mau humor do mercado afetou diversos setores, com quedas significativas em empresas como Vamos e Magalu. O Real também se desvalorizou, com o dólar subindo 9,72%.
Historicamente, embora o Ibovespa tenha caído em quatro das seis eleições desde 2002, ele se recuperou na primeira semana após a votação. A maior queda ocorreu em 2002, mas o índice fechou a semana em alta. A política tem um peso relativo nas quedas da Bolsa, que geralmente são mais influenciadas por crises internacionais.
Mas a confiança dos investidores dependerá da formação da equipe econômica de Lula e de sua abordagem em relação ao problema orçamentário. Movimentos de curto prazo não devem ser vistos como reflexo do desempenho econômico futuro.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou, na segunda-feira, 26 de outubro, a maior reação negativa dos mercados brasileiros após um segundo turno presidencial em pelo menos 24 anos.
O Ibovespa despencava 16,4% perto das 12h, aos 171.421,60 pontos, após o acionamento do circuit breaker no começo do pregão, em meio às frustrações do mercado com a derrota de Flávio Bolsonaro (PL).
O mau humor pesa em praticamente todos os setores – a Vamos e a Magalu registram as maiores quedas do índice, ambas caindo 55%. A B3, principal aposta para uma retomada dos mercados, recua 38%. O real também apresentava forte desvalorização ante o dólar, com a moeda americana subindo 9,72%, a R$ 5,46.
Mas, se o histórico servir de referência, o tombo inicial não significa necessariamente que as perdas vão se prolongar pelos próximos dias. A grande questão é que, diante do tombo atual, a retomada será demorada e dependerá de acenos políticos firmes de Lula.
Levantamento da consultoria Elos Ayta, feito a pedido do NeoFeed, mostra que o Ibovespa caiu no primeiro pregão após o segundo turno em quatro das seis eleições presidenciais desde 2002. No entanto, em todas as ocasiões, o principal índice da B3 fechou em alta na primeira semana após a votação, independentemente de quem saiu vencedor nas urnas.
A maior queda do Ibovespa no primeiro pregão após um segundo turno ocorreu justamente na primeira eleição de Lula, em 2002, quando o índice recuou 4,4%. Na ocasião, o dólar PTAX caiu 1,6%.
Apesar do tombo inicial, o Ibovespa conseguiu se recuperar nos dias seguintes, encerrando a primeira semana após a votação com valorização acumulada de 1,26%. O dólar PTAX, por sua vez, registrou queda de 5% no mesmo intervalo.
A segunda maior queda da Bolsa no primeiro pregão após um segundo turno ocorreu em 2014, quando Dilma Rousseff derrotou Aécio Neves em uma disputa apertada. O Ibovespa recuou 2,77%, enquanto o dólar PTAX subiu 2,16%, a maior valorização da moeda americana entre as seis eleições analisadas.
Mas foi justamente naquele ano que a Bolsa apresentou o maior avanço no período de uma semana. Segundo os dados da Elos Ayta, o Ibovespa acumulou alta de 5,18% na primeira semana após a reeleição de Dilma, enquanto o dólar PTAX caiu 1,46%.
Nem mesmo a vitória de Jair Bolsonaro, em 2018, que era visto por boa parte dos investidores como um candidato mais alinhado a uma agenda econômica liberal, garantiu uma reação positiva imediata. O Ibovespa caiu 2,24% no primeiro pregão após sua eleição, enquanto o dólar PTAX recuou 1,05%, segundo a Elos Ayta.
Ao fim da primeira semana, no entanto, a Bolsa acumulava alta de 3,15%, enquanto o dólar PTAX registrava valorização de 0,6%.
Apesar de ganhar manchetes, o peso da política é relativo na Bolsa. Einar Rivero, sócio-fundador da Elos Ayta, destacou que nove das dez maiores quedas entre 1994 e 2020 ocorreram em meio a crises internacionais. A maior delas ocorreu em 10 de setembro de 1998, quando o Ibovespa despencou 15,83% por conta da crise russa.
Apenas uma esteve diretamente associada a um acontecimento político brasileiro. Foi em setembro de 1994, quando o caiu 10,50% após a repercussão do episódio conhecido como escândalo da parabólica, envolvendo o então ministro da Fazenda, Rubens Ricupero.
“As maiores quedas da Bolsa ocorreram em períodos de elevada incerteza, quando acontecimentos internacionais provocaram fortes movimentos de aversão ao risco”, diz Rivero.
A grande questão é se esse histórico se repete, diante do tamanho queda, resultado da frustração das expectativas criadas pelo mercado com a possibilidade de uma derrota de Lula e a urgência por controlar a trajetória da dívida pública.
Nas últimas semanas, a Bolsa brasileira havia acumulado ganhos expressivos, enquanto o real se fortalecia, em meio à expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro e de uma mudança na condução da política econômica a partir de 2027, com um controle maior da política fiscal.
“O mercado está simplesmente reprecificando o fato de que não teremos uma guinada na política econômica. Vamos manter a mesma política econômica que o governo vem conduzindo nos últimos quatro anos”, afirma Roberto Motta, estrategista macro da Genial Investimentos.
O histórico pode até mostrar que já houve recuperação do Ibovespa no passado, mas diante da intensidade da queda atual será preciso mais.
Segundo Motta, para os ativos brasileiros voltarem a subir de forma sustentada e para os investidores recuperarem a confiança no Brasil como destino seguro e previsível de investimentos, tudo vai depender da formação da equipe econômica e de como o governo pretende resolver o problema orçamentário.
“Se Lula não der uma sinalização clara, por exemplo, anunciando alguém com credibilidade junto ao mercado para comandar o Ministério da Fazenda, a situação pode se deteriorar em termos de expectativas e criar uma bola de neve”, afirma ele.
Para Elisa Machado, economista-chefe da KAT Investimentos, os movimentos de curto prazo não devem ser interpretados isoladamente como uma sinalização sobre o desempenho da economia em 2027.
“Empresas com balanços sólidos e geração consistente de caixa tendem a apresentar maior capacidade de atravessar períodos de turbulência. Em contrapartida, companhias menores, excessivamente alavancadas ou com menor liquidez podem sofrer correções mais intensas”, disse em comentário a clientes.




