“Nos Estados Unidos, dificilmente um banco financia a ampliação da produção se o produtor não tiver um contrato que assegure a comercialização dos animais com um frigorífico.” A comparação é de José Henrique Piva, diretor técnico da PIC-USA, em entrevista publicada na edição 332 da revista Suinocultura Industrial.
Com mais de quatro décadas no sistema PIC e responsável pelo suporte técnico a 32 sistemas de produção em cinco continentes, que somam mais de 2,6 milhões de matrizes, Piva analisa o cenário de oferta elevada de carne suína no mundo. Para ele, o descompasso entre produção e demanda é típico de países que produzem em grande escala e exportam muito, como Brasil e Estados Unidos. Nos EUA, segundo Piva, variações de até cerca de 2% na produção em relação ao ano anterior costumam ser absorvidas sem grandes mudanças de preço. Acima disso, o impacto tende a ser maior.
Crescimento mais disciplinado
Na avaliação do entrevistado, a suinocultura americana cresce de forma mais lenta e controlada porque o crédito depende de contratos com frigoríficos e de 35% a 40% de capital próprio. Quando o preço melhora, parte importante dos investimentos vai para eficiência e sanidade, e não só para mais matrizes. Nos últimos seis anos, os EUA reduziram o plantel em mais de 600 mil matrizes e mantiveram o volume de carne produzida.
Piva também destaca o papel da informação de mercado. Nos EUA, os levantamentos regulares do USDA e o volume semanal de abate de matrizes de descarte ajudam a antecipar mudanças no rebanho, com reflexos entre 12 e 15 meses depois.
Vantagem sanitária brasileira
Para o diretor da PIC, a ausência de PRRS e PED no Brasil, somada ao menor custo da mão de obra, representa uma vantagem de cerca de US$ 14 por leitão desmamado em relação a outros grandes produtores. Em alguns sistemas americanos, de cada 100 leitões nascidos, só cerca de 65 chegam ao frigorífico. “Essa é uma vantagem que não pode ser tratada como definitiva ou garantida: exige atenção permanente à sanidade e à eficiência das granjas”, afirma.
Leia a entrevista completa na edição 332 da revista Suinocultura Industrial.
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