Bloomberg — Autoridades do Federal Reserve mantiveram as taxas de juros inalteradas e reiteraram seu compromisso com a contenção da inflação, mas sem oferecer um sinal claro de que possam elevar as taxas em sua próxima reunião, em dezembro.
“A acumulação de mais informações ajudará o comitê a determinar a postura de política monetária adequada para garantir o retorno oportuno da inflação à meta de 2% estabelecida pelo comitê”, afirmaram os formuladores de política monetária nesta quarta-feira (28) em um comunicado divulgado após a reunião. “O comitê garantirá a estabilidade de preços.”
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O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) votou por 10 a 2 pela manutenção da taxa básica de juros (federal funds rate) na faixa de 3,75% a 4% ao ano. A governadora Lisa Cook e a presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, votaram contra, preferindo aumentar as taxas em um quarto de ponto percentual.
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O presidente do Fed, Kevin Warsh, iniciou a coletiva de imprensa após a reunião observando uma série de fatores que apontam para uma atividade econômica mais forte do que o esperado, associada a gastos do consumidor saudáveis e a investimentos empresariais sólidos.
Como resultado, segundo ele, as pressões sobre os preços continuaram sendo o foco principal das discussões entre as autoridades na reunião de política monetária desta semana.
“É nossa responsabilidade reduzir a inflação”, afirmou Warsh. “Essa é a razão pela qual a discussão do FOMC nos últimos dois dias se concentrou principalmente no aspecto da estabilidade de preços de nosso mandato.”
Em uma declaração que pode ser interpretada como um sinal de abertura para novos aumentos nas taxas de juros, ele acrescentou: “Deixamos clara nossa disposição de agir conforme as circunstâncias exigirem e demonstramos nossa vontade de agir.”
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A decisão de manter as taxas inalteradas ocorre menos de uma semana antes das eleições de meio de mandato de novembro. Em meio a um descontentamento generalizado com a economia, os democratas são favoritos para conquistar a maioria na Câmara dos Deputados e apresentam vantagem nas pesquisas em várias disputas importantes pelo Senado.
O índice S&P 500 e os rendimentos dos títulos do Tesouro permaneceram em alta após a decisão.
Não faltaram dados, desde a reunião de setembro, que reforçassem as preocupações com a inflação. O índice de preços ao consumidor subiu em setembro no ritmo mais acelerado dos últimos cinco meses.
Isso foi impulsionado em grande parte pelos preços mais altos da energia relacionados à guerra no Irã, mas o relatório também mostrou uma inflação generalizada em bens e serviços.
Os formuladores de política monetária receberão novos dados nesta quinta-feira, quando o Bureau of Economic Analysis divulgar os números de setembro do indicador de inflação preferido pelo Fed, o índice de preços dos gastos com consumo pessoal.
Os fortes gastos do consumidor e um grande volume de investimentos em inteligência artificial também continuam a impulsionar o crescimento. Economistas esperam que os números, que também serão divulgados nesta quinta-feira, mostrem que a economia dos EUA cresceu a um ritmo anualizado robusto de cerca de 3,2% no terceiro trimestre.
O comunicado divulgado após a reunião reiterou suas descrições anteriores de que a atividade econômica está se expandindo “em um ritmo forte” e que os gastos domésticos se mantêm “resilientes”. Também reiterou que a taxa de desemprego sofreu poucas alterações e que a inflação permaneceu elevada.
Expectativas em ‘montanha-russa’
As expectativas dos investidores para esta reunião mudaram drasticamente ao longo das últimas semanas. Logo após a decisão do Fed de aumentar as taxas de juros em setembro, as apostas em um novo aumento neste mês subiram para mais de 70%, de acordo com os preços dos futuros.
Isso mudou depois que dois membros-votantes importantes do FOMC — o presidente do Fed de Nova York, John Williams, e o vice-presidente Philip Jefferson — afirmaram que a medida tomada pelo banco central em setembro havia ganho tempo para avaliar a situação da economia.
As chances de um aumento, na visão dos investidores, caíram rapidamente para menos de 30% e continuaram a cair. Elas estavam abaixo de 10% na manhã desta quarta-feira.
Warsh se pronunciou em 16 de outubro, quando afirmou que “o mundo tem se alinhado amplamente às nossas expectativas” desde a reunião do Fed em setembro.
Os mercados interpretaram isso como uma decisão de não alterar as expectativas dos investidores e, portanto, um sinal implícito de que as autoridades provavelmente manteriam as taxas inalteradas.
A dissidência de Lisa Cook ocorre no momento em que ela continua a contestar a tentativa do presidente Donald Trump de demiti-la. Autoridades do governo agendaram uma audiência na Casa Branca no início de novembro para examinar as alegações de fraude hipotecária que Cook há muito nega.
Cook afirmou que não poderá comparecer à audiência.
— Com a colaboração de Greg Ritchie.
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