Entre 20 e 27 de outubro, a chuva se espalhou pelo Brasil, desde o Rio Grande do Sul até parte do Matopiba. No entanto, os maiores acumulados se concentraram no Paraná, com 150mm no sul do Estado.
Os números totais desde o fim de agosto, quando o efeito do El Niño se tornou mais evidente, são impressionantes. O sul paranaense recebeu quase 750mm em 60 dias, mais que o dobro do normal para o período.
Este é o maior acumulado regional, mas todo o Paraná, além de Mato Grosso do Sul, São Paulo, sul de Minas Gerais e oeste de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, receberam muita precipitação nas últimas semanas.
A chuva forte prossegue sobre boa parte das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com destaque, no feriado de Finados, para acumulados elevados em Santa Catarina e Paraná, e antes, entre 29 e 30 de outubro, em São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul.
Alguns municípios do oeste paulista e da Zona da Mata mineira podem receber quase 150mm, dificultando trabalhos de reforma de pastagens, manutenção de cafezais e colheita de cana.
Seca
No sentido oposto, no Matopiba e na região Norte de forma geral, além das porções norte do Mato Grosso e do Maranhão, a chuva deve ficar abaixo da média, com dificuldades para o plantio, grande quantidade de queimadas e baixo nível dos rios.
Com a “gangorra da chuva” emperrada sobre o Centro e o Sul do Brasil por conta do El Niño, não há perspectiva de regularização da precipitação por pelo menos duas semanas no Norte.
A região do rio Tapajós, no sudoeste do Pará, onde vem sendo aventada uma paralisação no transporte de grãos por falta de dragagem, é justamente a área com menos chuva prevista em relação ao normal até meados de novembro. Estima-se aproximadamente 50mm, quando o normal seria 150mm.
Em Rondônia, o acumulado médio alcançou 45mm nos últimos 30 dias, metade do normal.
Na soja, os maiores problemas da estiagem alcançam as faixas norte de Minas Gerais e de Goiás, além do sudeste do Pará e de todo o Matopiba, segundo a Conab. Mesmo assim, no consolidado do País, o plantio avança rapidamente e alcança quase 45% das áreas destinadas à oleaginosa, contra cerca de 35% no mesmo período de 2025.
No milho de primeira safra, 40% das áreas foram semeadas nacionalmente, alcançando entre 80% e 85% no Paraná e no Rio Grande do Sul.
No trigo, pouco mais de 55% das áreas foram colhidas. No Rio Grande do Sul, o problema é a grande quantidade de nuvens, com baixa radiação solar e condições favoráveis ao desenvolvimento de doenças no trigo, no milho e na soja.
O cenário tem afetado os lotes de trigo gaúchos, com grãos avariados e produtividade abaixo do esperado. A Emater estima pouco mais de 2 milhões de toneladas, contra quase 3,5 milhões de toneladas no ano passado, uma queda de mais de 35%.
Temperatura abaixo
Por falar em nuvens e falta de sol, a temperatura não consegue subir muito na maior parte das regiões Centro-Oeste e Sul, com máximas na casa de 20°C em boa parte de São Paulo, e entre 20°C e 25°C no oeste do Paraná e em Mato Grosso do Sul nesta quinta-feira (29).
Os valores estão quase 10°C abaixo do normal para esta época do ano. O calor deve dar as caras apenas a partir de terça-feira que vem e, mesmo assim, somente por uns três dias.




