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Flávio Bolsonaro nos EUA preocupa menos investidores estrangeiros do que risco fiscal do Brasil

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Em Nova York, investidores estrangeiros demonstram que a situação de Flávio Bolsonaro nos EUA gera menos preocupação do que o risco fiscal do Brasil. Executivos do mercado financeiro destacam que a principal preocupação é a trajetória das contas públicas e a capacidade do governo Lula de realizar um ajuste fiscal que permita a redução dos juros.

Christopher Garman, da Eurasia Group, afirma que a situação de Flávio pode complicar as relações bilaterais, mas não deve impactar significativamente o fluxo de capital. A escolha do próximo ministro da Fazenda é vista como crucial para aliviar a pressão sobre os ativos brasileiros.

Apesar da turbulência política, o Brasil é considerado bem posicionado geopoliticamente, e a recuperação da Bolsa dependerá de sinais econômicos futuros. Flávio Bolsonaro, ao chegar aos EUA, declarou-se “presidente eleito” e contestou o resultado das eleições, ampliando a narrativa de seus aliados.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Nova York – A chegada de Flávio Bolsonaro (PL) a Miami, na manhã de quarta-feira, 28 de outubro, após deixar o Brasil pela Argentina, acrescentou um novo elemento de tensão à relação entre Brasília e Washington. Mas, para os investidores estrangeiros, o risco de um conflito diplomático com Donald Trump pesa menos do que as incertezas sobre a economia brasileira em 2027.

A principal preocupação de investidores e executivos ouvidos pelo NeoFeed está na trajetória das contas públicas e na capacidade do governo Lula de promover um ajuste fiscal que abra espaço para a redução dos juros.

Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas da Eurasia Group, consultoria especializada em risco político, disse que a situação de Flávio Bolsonaro pode complicar a relação bilateral, mas dificilmente provocará uma escalada significativa das sanções americanas ou afetará de forma relevante o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil.

Questionado se o risco fiscal pesa mais do que a turbulência política nas decisões de investimento. “De longe, de longe”, afirmou Garman.

A avaliação é compartilhada por outros executivos do mercado financeiro durante o Swell, evento promovido pela Ripple, empresa de infraestrutura de ativos digitais. Profissionais de bancos de investimentos e de gestoras de recursos apontaram a política econômica como o principal fator de risco para os investimentos no País.

Para um executivo de banco de investimentos, a possibilidade de Trump conceder asilo político a Flávio Bolsonaro tem pouca relevância para as decisões de investimento. “O mercado é muito pragmático”, afirmou. Segundo ele, a preocupação está na deterioração das contas públicas e na falta de visibilidade sobre a economia em 2027.

A escolha do próximo ministro da Fazenda, por exemplo, ganha importância, pois a indicação comprometida com o ajuste fiscal poderia aliviar a pressão sobre os ativos brasileiros, mesmo diante da turbulência política.

Para um sócio de uma gestora de venture capital e private equity com atuação internacional, o resultado da eleição não representa necessariamente uma mudança radical na percepção de risco sobre o Brasil. “O Lula nunca foi visto como uma Venezuela”, afirmou.

A expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro havia alimentado apostas em uma política econômica mais favorável ao mercado, sobretudo no controle das contas públicas, explicou. A reeleição de Lula frustrou essa expectativa, provocando uma correção nos preços dos ativos.

Garman, da Eurasia, faz uma leitura semelhante sobre a bolsa de valores. Para ele, a forte queda do Ibovespa após o segundo turno representou, em grande parte, a reversão do rali que antecedeu a eleição, quando parte dos investidores apostava em uma vitória de Flávio Bolsonaro.

O episódio envolvendo o senador nos Estados Unidos, porém, ainda pode produzir novos desdobramentos. “Se realmente Trump der asilo, acho que isso pode gerar um pouquinho de estresse no curto prazo”, disse o sócio de outra gestora.

A prorrogação do horário de votação e a determinação judicial para que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes provocaram questionamentos entre observadores estrangeiros menos familiarizados com o funcionamento das instituições brasileiras. Mas, entre os investidores que acompanham o País de perto, prevalece uma leitura mais pragmática.

Ainda que a relação entre os dois chefes de Estado mais se assemelhe a um namoro montanha-russa, com uma sucessão de aproximações e atritos, indo de uma “excelente química”, como disse Trump, até sanções contra autoridades do País, os executivos estão se fiando no interesse do presidente em preservar a relação com Lula.

O consenso é que o Brasil continua bem posicionado geopoliticamente e possui ativos com potencial de valorização.

A recuperação da Bolsa dependerá, portanto, dos próximos sinais na economia. Para Garman, medidas fiscais eventuais podem ser insuficientes para restaurar a confiança dos investidores. Em seu quarto mandato, Lula precisará provar que consegue ser tão determinado em controlar o orçamento quanto foi para vencer a eleição presidencial.

Carta de Flávio Bolsonaro

Após deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos por meio de uma operação que teria contado com apoio do governo argentino, o senador Flávio Bolsonaro (PL) divulgou um comunicado em que afirma ter sido vítima de fraude eleitoral e se declara “presidente eleito”, apesar do resultado oficial do pleito e sem apresentar provas.

A mensagem foi enviada à imprensa por Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro que vive nos Estados Unidos. No texto, Flávio também agradece o apoio do governo norte-americano e reforça a narrativa de contestação das eleições.

No comunicado, Flávio faz referências a figuras da oposição venezuelana, como Juan Guaidó e María Corina Machado, em uma comparação com sua própria situação política. A manifestação amplia o tom de enfrentamento adotado por seus aliados, que questionam a legitimidade do processo eleitoral.

*A jornalista viajou a convite da Ripple.



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