Celebrado nesta sexta-feira (24/4), o Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais (Libras) reforça a importância dessa língua para garantir o acesso à educação e à comunicação dos estudantes surdos. Reconhecida como meio legal de comunicação e expressão no Brasil, a Libras é fundamental para a construção de uma educação mais inclusiva e equitativa.
Em Minas Gerais, a rede estadual de ensino desenvolve ações para ampliar o uso da Libras no ambiente escolar, promovendo inclusão, aprendizagem e valorização da diversidade linguística.
Atualmente, a rede atende 552 estudantes surdos, que contam com o suporte de profissionais especializados, além de recursos pedagógicos adaptados que contribuem para o pleno desenvolvimento escolar.
Esse conjunto de iniciativas busca assegurar não apenas o acesso ao conteúdo, mas também a participação ativa dos estudantes no cotidiano escolar, fortalecendo sua autonomia e seu processo de aprendizagem.
Libras como base da aprendizagem
Mais do que um recurso de acessibilidade, a Libras é essencial para o processo de ensino e aprendizagem.
“A Libras é o coração do ensino para o aluno surdo. Ela vai muito além de um simples recurso de acessibilidade. É a língua que carrega a cultura e a identidade desse estudante, como uma chave para que ele realmente consiga absorver o conhecimento em sala de aula”, destaca a professora, Débora Cioletti, que atua no Atendimento Educacional Especializado da Escola Estadual Ministro Alfredo Vilhena Valladão, em Belo Horizonte.
Segundo ela, a ausência da língua de sinais pode criar barreiras significativas. “Sem a Libras, o conteúdo não chega. Isso cria uma barreira e o aluno acaba ficando isolado dentro da sala de aula”, explica.
Quando a língua está presente no cotidiano escolar, o impacto é direto na participação e no desenvolvimento dos estudantes. “Quando a escola adota a Libras, o estudante surdo ganha autonomia para entender as matérias e começa a participar, a se desenvolver tanto na parte intelectual quanto na social”, afirma.
Formação e presença no cotidiano escolar
Para garantir esse acesso, Minas Gerais conta com oito Centros de Capacitação de Profissionais da Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez. Os espaços oferecem cursos de Libras, orientações pedagógicas e apoio à produção de materiais acessíveis, fortalecendo o trabalho realizado nas escolas.
Entre as iniciativas, destaca-se a produção de vídeos com adaptação de conteúdos curriculares, ampliando as possibilidades de aprendizagem. Materiais como os desenvolvidos para a preparação para o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) são exemplos de como a Libras vem sendo incorporada às estratégias educacionais.
Além disso, cerca de 760 profissionais, entre professores tradutores intérpretes de Libras, instrutores de Libras e guias-intérpretes atuam na rede estadual, assegurando a mediação da comunicação e o acompanhamento dos estudantes surdos no dia a dia escolar.
Cultura de inclusão e respeito
A presença da Libras não impacta apenas os estudantes surdos, mas transforma todo o ambiente escolar. “Quando a Libras circula na escola, muda o olhar de todos. Professores e colegas começam a entender a diversidade na prática, criando uma cultura de respeito e empatia”, ressalta Débora.
Para ela, garantir esse acesso é fundamental para uma educação verdadeiramente inclusiva. “Investir em professores capacitados e intérpretes é o básico para garantir uma formação digna. Trata-se de construir uma escolarização que seja, de fato, para todos”, conclui.




