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Ray Dalio aconselha Kevin Warsh, indicado por Donald Trump para a presidência do Federal Reserve, a não cortar a taxa de juros, argumentando que isso seria um erro em um cenário de estagflação nos EUA.
Dalio destaca que a inflação persistente e a desaceleração do crescimento exigem cautela da autoridade monetária. Ele alerta que um corte de juros prejudicaria a credibilidade do Fed e de Warsh, que deve assumir o cargo em maio. O consenso atual é de que o Fed manterá os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano.
Trump, que criticou o atual presidente do Fed, Jerome Powell, por sua postura cautelosa, faz lobby por cortes de juros e já deixou claro que espera que Warsh atenda a suas demandas.
Warsh, com histórico de combate à inflação, enfrenta a pressão de manter a independência do Fed em meio às expectativas políticas.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Ray Dalio está aconselhando Kevin Warsh a fazer justamente o contrário do que Donald Trump espera de seu indicado à presidência do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos): não cortar a taxa de juros.
O aclamado investidor americano, fundador da Bridgewater Associates, que conta com cerca de US$ 136 bilhões em ativos sob gestão, disse que seria um erro Warsh afrouxar a política monetária considerando que os Estados Unidos estão em um período de estagflação.
Segundo ele, as pressões inflacionárias persistentes, juntamente com a desaceleração do crescimento, criam um cenário que exige cautela da autoridade monetária.
“Certamente estamos em um período de estagflação”, disse Dalio na segunda-feira, 27 de abril, em entrevista à CNBC. “Por causa dos problemas que existem, em termos de uma inflação mais imediata, que está mais distante da meta.”
Dalio afirmou que um corte, neste cenário, prejudicaria a confiança do mercado no Fed e, por tabela, em Warsh, que deve assumir a presidência da autoridade monetária no lugar de Jerome Powell em meados de maio.
“Não se deve cortar as taxas de juros agora”, disse Dalio. “Você vai perder a credibilidade. O Federal Reserve perderia sua credibilidade, especialmente agora. Se analisarmos as políticas monetárias de outros países, não veremos cortes. Portanto, quaisquer que sejam os parâmetros de referência, não haverá inclinação para cortar as taxas, não com as informações disponíveis hoje”, disse.
Warsh vai assumir o comando do Fed tendo que lidar com as pressões de Trump por corte de juros e a cobrança para que seja independente, sem ceder às pressões políticas.
Neste momento, o consenso aponta que o Fed deve manter os juros no patamar atual na reunião desta semana, atualmente fixados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, com o mercado esperando manutenção até o fim do ano.
Trump anunciou a escolha de Warsh no final de janeiro, depois de passar os últimos anos criticando Powell, apesar de tê-lo indicado para comandar o Fed em seu primeiro mandato, em 2018.
O presidente dos Estados Unidos faz lobby pelo corte de juros, chamando Powell de “idiota e teimoso” por sua postura mais cautelosa. Ele já deixou claro o que espera do próximo presidente do Fed: “Quem discordar de mim jamais será presidente do Fed!”, escreveu Trump em uma publicação nas redes sociais em dezembro, quando analisava nomes.
Warsh, 55 anos, serviu como diretor do Fed entre 2006 e 2011, desempenhando um papel crucial nos bastidores do resgate de Wall Street por Washington em 2008.
Ao longo da carreira, ele construiu uma reputação de ser duro no combate à inflação e de crítico às medidas de injeção de liquidez por parte de bancos centrais.
A grande questão é se essa postura será mantida, considerando que é uma indicação de Trump, após passar os últimos anos cortejando o presidente para conseguir ser o escolhido.
Apesar do histórico hawkish, observadores apontam que ele vem demonstrando mais alinhamento com Trump. Em dezembro, numa indicação de que estava inclinado a apontar Warsh para a presidência do Fed, Trump disse que Warsh “acredita que devemos ter juros mais baixos”.




