A colheita da safra de café 2026/27 já começou na região de Marília e movimenta propriedades rurais em diversos municípios produtores, como Vera Cruz e Garça. Considerado pelos cafeicultores o ciclo positivo do biênio da cultura, o chamado ‘ano bom’ chega com perspectivas animadoras de produção.
No entanto, apesar do potencial de uma safra volumosa, produtores enfrentam dificuldades provocadas pelas condições climáticas e observam com atenção os impactos do mercado sobre a rentabilidade da atividade.
Na Fazenda Santa Marina, em Vera Cruz, os trabalhos de colheita seguem em andamento, mas em ritmo inferior ao esperado. O produtor rural e agrônomo Pedro Losasso explica que as chuvas registradas nas últimas semanas têm sido o principal obstáculo para o avanço das operações no campo.
Segundo ele, as lavouras apresentam bom desenvolvimento e a expectativa é de uma safra bastante produtiva. Contudo, a persistência das precipitações em um período tradicionalmente mais seco tem dificultado a entrada das máquinas nas áreas de colheita e aumentado a preocupação com a qualidade final do produto.
“As plantas estão muito bem e a expectativa de produção é positiva, mas essas chuvas fora de época acabam atrasando a colheita. Além disso, quanto mais tempo o café permanece no pé ou exposto à umidade, maior é o risco de perda de qualidade dos grãos”, afirma Losasso.
Situação observada na região de Marília também é relatada em outras áreas produtoras do país. Levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontam que a colheita tem avançado de forma mais lenta em importantes polos cafeeiros brasileiros.
Além das chuvas pontuais, o ritmo reduzido é atribuído à maturação irregular dos frutos em algumas lavouras, exigindo maior cautela dos produtores no momento da colheita.
Em estados tradicionalmente produtores, como Minas Gerais, os problemas climáticos têm sido ainda mais severos. Nas regiões de Boa Esperança e Ilicínea, no Sul de Minas, recentes episódios de granizo provocaram danos às plantações e obrigaram produtores a iniciarem levantamentos para dimensionar as perdas causadas pelas intempéries.
Apesar dos desafios enfrentados no campo, o Brasil caminha para registrar uma das maiores safras de café de sua história. A expectativa de elevada produção nacional tem influenciado diretamente o mercado e pressionado as cotações para baixo, gerando preocupação entre os cafeicultores.
Cotação em queda
Dados do Cepea mostram que o café arábica registrou forte desvalorização durante o mês de maio. O Indicador Cepea/Esalq para o arábica tipo 6, bebida dura para melhor, fechou o período com média de R$ 1.653,92 por saca de 60 quilos, representando uma queda de 8,7% em comparação ao mês de abril.
O cenário se torna ainda mais relevante quando analisado em termos reais, descontados os efeitos da inflação. Segundo os pesquisadores, trata-se da menor média mensal registrada para o indicador desde outubro de 2004, evidenciando a pressão exercida pela expectativa de uma oferta recorde no mercado.
Para os produtores da região de Marília, o momento exige atenção tanto ao comportamento do clima quanto às oscilações de preço. Enquanto acompanham o desenvolvimento da colheita, os cafeicultores aguardam uma redução no volume de chuvas para acelerar os trabalhos e garantir a melhor qualidade possível dos grãos.
A expectativa é de que, com a estabilização das condições climáticas nas próximas semanas, as máquinas possam operar em ritmo mais intenso, permitindo o avanço da colheita e a consolidação de uma safra que promete ser uma das mais expressivas dos últimos anos para a cafeicultura regional.




