Bloomberg — Os peruanos estavam em suspense no domingo (7), conforme pesquisas de boca de urna ofereceram pouca clareza sobre qual candidato venceria o disputadíssimo segundo turno para se tornar o próximo presidente do país.
Fujimori tinha 50,6% dos votos, contra 49,4% de Sánchez, com 89% das urnas apuradas. A contagem oficial completa não deve ser concluída antes de meados de julho, quando eventuais votos contestados serão analisados pelas autoridades eleitorais. As primeiras apurações tendiam a favorecer Fujimori, enquanto os votos provenientes dos redutos eleitorais de Sánchez, em regiões mais remotas do país, chegavam gradualmente.
O próximo passo tende a ser uma disputa tensa entre os dois lados, à medida que voluntários de cada partido tentam contestar a validade dos votos atribuídos aos adversários.
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Os dois candidatos à Presidência têm visões bastante distintas sobre como governar o país, que enfrenta turbulências políticas, mas cuja economia tem superado a de seus pares apesar de ter passado por quatro presidentes nos últimos cinco anos. O vencedor sucederá o presidente interino José María Balcázar em 28 de julho para um mandato de cinco anos. Uma vitória de Sánchez iria na contramão da tendência observada em países da América Latina de deslocamento político para a direita.
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Sánchez adotou um tom triunfante em seu discurso após a votação, pronunciado diante de uma multidão que o acompanhava com cantos e apitos em uma praça da capital, Lima. Contagens rápidas realizadas pelos institutos Ipsos e Datum mostravam o candidato acima dos 50%, mas ele evitou declarar vitória.
“A contagem rápida mostra uma vantagem significativa que reafirma a vontade do povo, que quer democracia e justiça. Mas, como convém a um povo democrático, este é o momento de defender o voto”, disse Sánchez.
Fujimori afirmou em um pronunciamento na televisão que respeitará o resultado, independentemente do desfecho, e acrescentou que todos os votos precisam ser contabilizados. A candidata, derrotada em três disputas presidenciais anteriores e que em 2021 alegou ter perdido por fraude, pediu aos voluntários de seu partido que redobrem os esforços na defesa de seus votos.
“Neste momento, não há vencedor nesta disputa”, afirmou Fujimori. “Seria irresponsável declarar um resultado com base em uma amostra como a da contagem rápida.”
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Visões radicalmente diferentes
Sánchez, que foi ministro do Comércio Exterior e Turismo no governo do ex-presidente Pedro Castillo, prometeu conceder perdão a ele e dar continuidade aos seus planos de reformular a Constituição peruana favorável ao mercado, argumentando que ela limita a capacidade do Estado de orientar o desenvolvimento econômico e administrar recursos estratégicos.
Ele conquistou apoio nas regiões andinas mais pobres do Peru graças às promessas de aumentar o salário mínimo, fortalecer a agricultura familiar em relação ao agronegócio e dobrar os gastos públicos nas áreas rurais. Mas, assim como ocorreu com Castillo, Sánchez teria dificuldade para implementar reformas significativas porque não contaria com maioria no novo Congresso fragmentado.
Enquanto isso, Fujimori é uma das políticas mais influentes do Peru, e seu partido, Força Popular, exerce influência significativa no Congresso, em grande parte porque ela terminou como a segunda candidata mais votada nos últimos três ciclos eleitorais. O legado de seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, condenado por violações de direitos humanos e corrupção, pesou sobre suas campanhas anteriores.
De perfil conservador, ela prometeu políticas rígidas de combate ao crime e é vista de forma positiva por investidores favoráveis à sua agenda pró-mercado.
Peruanos votam em segundo turno presidencial
Fujimori prometeu deportar imigrantes sem documentação que cometam crimes, entregar às Forças Armadas o controle das fronteiras e replicar a megaprisão de segurança máxima construída por El Salvador sob o governo do presidente Nayib Bukele.
Ela também se comprometeu a dobrar o crescimento econômico anual, dos atuais 3% para 6%, reduzir a burocracia e zerar os impostos para pequenas empresas, com o objetivo de estimular a formalização em uma economia na qual 70% da atividade permanece informal.
— Com colaboração de Antonia Mufarech.
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