Redes celulares privativas (RCPs) 5G podem ajudar a indústria nacional não apenas em seu processo de digitalização, mas de automatização, por serem uma tecnologia que garante alta velocidade e baixa latência com desempenho constante, ou determinístico, ao contrário de outras redes sem fio. A opinião foi expressa pelo assessor técnico do Senai, Wilson Cardoso, em palestra no evento “Redes Privativas 5G na prática”, organizado pela Telesys, no Senai Vila Mariana, nesta quarta-feira, 17, em São Paulo, com apoio da Anatel, do Mobile Time, da Qualcomm e do Senai.
“Redes industriais detestam variação de jitter. A rede tem que ser quase perfeita. A latência não pode ficar variando. É preciso controlar aplicação por aplicação. Sem determinismo, a indústria digitaliza; com determinismo, ela automatiza”, explicou.
Cardoso lembrou a importância de a indústria nacional avançar em automatização também como uma resposta à escassez de mão de obra decorrente do envelhecimento da população brasileira. Lamentou que o país tenha perdido uma oportunidade quando viveu seu boom demográfico. E, agora, em diversos segmentos, está ficando difícil encontrar gente qualificada e disposta a trabalhar. Em logística, por exemplo, o executivo mencionou que 90% dos caminhoneiros do país têm mais de 40 anos de idade.
RCPs melhoram OEE
Os índices de eficiência global de equipamentos (OEE, na sigla em inglês) da indústria brasileira representam um convite à adoção de RCPs, na avaliação de Cardoso. O OEE é um parâmetro industrial calculado a partir da combinação de disponibilidade, produtividade e qualidade de uma máquina.
A média da indústria nos países da OCDE é de um OEE de 85%. No Brasil, o segmento mais avançado é o químico, que varia entre 70% e 90%. Mas outros estão bem abaixo disso, como o têxtil (45%-55%), o farmacêutico (45%-65%) e o de embalagens (50%-60%).
Com uma RCP, a indústria pode adotar soluções de manutenção preventiva, gêmeos digitais, video analytics para controle de qualidade, dentre outras que melhoram a sua produtividade e, logo, aumentam a eficiência global dos equipamentos.
Integradores de RCPs
Na opinião do CEO da Telesys, Marco Szili, ainda falta conhecimento sobre o potencial do mercado de RCPs e há poucos integradores preparados para atender a projetos de redes celulares privativas no país.
Foi por essa razão que a empresa produziu o evento desta quarta-feira no Senai, convidando uma plateia de integradores e desenvolvedores de soluções para RCPs. Um dos integradores presentes com o qual o Mobile Time conversou foi a Master, especializada em projetos de conectividade satelital em bandas C, Ku e Ka. Diante da redução da demanda em razão da competição com satélites de baixa órbita, a Master está interessada em atuar em projetos de RCPs, relatou seu gerente de operações, Samuel Moura.




