Um sensor ingerível do tamanho de um pequeno mirtilo, desenvolvido por pesquisadores do MIT, foi testado com sucesso em animais e pode abrir caminho para uma nova geração de monitoramento contínuo da temperatura corporal em humanos.
O dispositivo foi projetado para medir a temperatura interna a partir do trato gastrointestinal, oferecendo dados mais precisos do que os métodos convencionais. Antes de avançar para testes clínicos, a tecnologia passou por validação em animais, etapa fundamental para comprovar sua eficácia e segurança.
Os pesquisadores avaliaram o sensor em diferentes condições, incluindo animais anestesiados e em atividade. Os resultados mostraram que o dispositivo foi capaz de detectar e transmitir informações de temperatura com precisão, mesmo com o movimento dos animais, indicando robustez para aplicações práticas.
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“Um sensor como este nos dá a capacidade de monitorar infecções e identificá-las precocemente”, diz Giovanni Traverso, professor associado do MIT. “Isso é muito relevante, principalmente para populações de risco, como pessoas imunossuprimidas por tratamentos de quimioterapia ou medicamentos imunossupressores.”
A tecnologia foi desenvolvida com foco na miniaturização e segurança. “O motivo para serem pequenos é a segurança”, afirma Traverso. “Queremos algo tão pequeno que o risco de qualquer bloqueio ou obstrução seja altamente mitigado, e também que possa ser ingerido facilmente.”
O sistema utiliza comunicação por retroespalhamento, permitindo que a maior parte da energia venha de uma antena externa. “Combinamos todas essas peças diferentes — o chip de silício, a bateria e a antena — e as transformamos em uma cápsula ingerível, que é a menor cápsula ingerível que já vimos para paradigmas de detecção de temperatura”, diz Saransh Sharma, autor principal do estudo.
Com base nos resultados obtidos em animais, os pesquisadores acreditam que o sensor pode beneficiar diretamente a medicina humana. O dispositivo poderá ser utilizado no monitoramento de pacientes hospitalizados, durante anestesia ou em situações de risco de febre e hipotermia.
Além disso, há potencial de uso em casa, para acompanhamento de saúde, fertilidade ou até mesmo em atividades de alto desempenho, como esportes e operações militares.
A próxima etapa do estudo será a realização de testes clínicos em humanos. “Acho que isso poderia substituir todos os termômetros, porque é a maneira mais precisa de medir a temperatura”, diz Traverso. “Se tivermos sistemas em miniatura que possam ser facilmente engolidos e que forneçam dados muito precisos, superiores aos atuais, acho que isso pode ser útil de muitas maneiras.”
A validação em animais reforça o avanço da tecnologia e indica que o monitoramento interno contínuo pode se tornar uma ferramenta essencial na medicina, ampliando a capacidade de diagnóstico e prevenção de doenças. O estudo divulgado não revela quais espécies de animais foram testados.
Fonte: MIT




