Especialistas presentes no Smart City Business defenderam que o planejamento e a regulamentação do transporte por veículos elétricos de decolagem e aterrissagem vertical (eVTOLs) devem ser definidos de forma preditiva e o quanto antes. A coordenadora de graduação em engenharia de transporte e logística da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) apontou que ainda existem diversas questões sem resposta em relação à circulação da aeronave, como a periodicidade da circulação.
“Precisamos definir se terão rotas pendulares ou horários e dias específicos, já que mesmo produzindo menos ruído que um helicóptero, o eVTOL tem barulho ao levantar voo e, com grande frequência ou quantidade, de certo, gerará incômodo”, explicou no evento realizado em São Paulo, nesta quarta-feira, 17. Para ela, faltam ainda estabelecer onde serão os pontos de embarque e desembarque, além de como garantir a proteção do entorno desses locais.
Rogério Prado, CEO da PAX Aeroportos, defendeu que essas regras também precisam ter um alinhamento entre a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e as próprias prefeituras, de diretrizes ambientais ao licenciamento. Segundo ele, a agência está em sandbox, levantando mais informações sobre a operação dos vertiportos. Prado comentou que em São Paulo e na região metropolitana, por exemplo, já há demanda para a modalidade. O secretário de mobilidade urbana de Jacareí/SP, Édson Guedes, alertou que esperar o eVTOL de fato operar no mercado pode gerar vários imbróglios jurídicos.
Atrito e vantagem do eVTOL
Outro ponto levantado é em relação a possíveis atritos com outros setores, como o imobiliário. Luiz Cortez, gerente de planejamento e meio ambiente da Companhia do Metropolitano de São Paulo, disse que os voos da aeronave podem impor restrições na altura máxima dos prédios, algo que, em São Paulo, pode fazer diferença nos cofres públicos, já que a prefeitura arrecada significativamente com os impostos pagos na construção de empreendimentos.
Apesar disso, ele acredita que há uma vantagem: o eVTOL não disputa o espaço do solo e ele pode reduzir o tráfego rodoviário, o que significaria maior qualidade de vida e maior liberdade para os pedestres.




