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Mukesh Ambani, o segundo homem mais rico da Índia, está à frente da Jio Platforms, que protocolou um pedido para uma oferta pública inicial (IPO) na National Stock Exchange of India, visando arrecadar cerca de US$ 3,8 bilhões.
A Jio Platforms, controlada pela Reliance Industries, holding do bilionário, possui 100% da Reliance Jio Infocomm, que detém quase 50% do mercado indiano de telecomunicações, com mais de 526 milhões de assinantes.
A empresa planeja competir globalmente, incluindo a implementação de uma rede de satélites de baixa órbita. A Jio também está expandindo para inteligência artificial e infraestrutura digital, com parcerias com a Meta.
Cercado de expecativas, o IPO também é visto como um teste para o mercado de capitais indiano, que enfrenta volatilidade.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Dono de uma fortuna estimada em US$ 90,5 bilhões e segundo homem mais rico da Índia, o empresário Mukesh Ambani é o nome por trás daquela que pode ser o maior IPO de uma empresa no mercado de capitais do país.
Operadora de telefonia móvel e provedora de serviços digitais controlada pela Reliance Industries, conglomerado liderado pelo empresário, a Jio Platforms protocolou nesta sexta-feira, 19 de junho, seu pedido preliminar para uma oferta pública inicial de ações na National Stock Exchange of India (NSE).
A oferta prevê a emissão de até 270 milhões de ações da companhia. Segundo fontes citadas pela agência Reuters, a empresa planeja arrecadar cerca de US$ 3,8 bilhões, o que superaria a marca de US$ 3,3 bilhões registrada pela Hyundai Motor India, em outubro de 2024.
“A proposta de abertura de capital da Jio mostrará ao mundo que a Índia pode construir empresas de tecnologia de escala global, capacidade global e valor global”, afirmou Ambani durante a assembleia anual da Reliance Industries nessa sexta-feira.
Além da própria Reliance, que detém uma participação de 66% da operação, a Jio Plataforms tem entre seus acionistas duas big techs americanas: a Meta, de Mark Zuckerberg, com uma fatia de cerca de 10%, e a Google, com 7,7%.
De olho no potencial da economia digital indiana, as duas gigantes americanas investiram na Jio Platforms em 2020, cinco anos depois da fundação da empresa. A gestora Vista Equity Partners é outro nome global entre os acionistas da empresa, que já foi avaliada em US$ 180 bilhões pela Jefferies.
Outros números ajudam a explicar as expectativas em torno da listagem. A Jio Plataforms detém 100% da operação da Reliance Jio Infocomm, provedora de internet fixa e móvel na Índia, que tem mais de 526 milhões de assinantes no país, o que se traduz em quase 50% desse mercado.
Para efeito de comparação, a Bharti Airtel, segunda colocada nesse ranking, com uma participação de aproximadamente 35%, é a terceira empresa mais valiosa do país, com um valor de mercado de US$ 120 bilhões.
A Reliance Jio Infocomm é justamente uma das frentes por meio das quais a Jio Platforms pretende avançar a partir do IPO e competir com um grande player global. A empresa está avaliando a implementação de uma rede de satélites de baixa órbita no país.
“A Jio conectou a Índia por terra. Agora, precisamos conectar a Índia pelos céus”, afirmou Akash Ambani, presidente da Reliance Jio Infocomm, diretor da Jio Platforms e filho mais velho do bilionário indiano, de acordo com a rede americana CNBC.
Curiosamente, esses planos se conectam com outro IPO recorde e recente. O segmento é justamente a frente de atuação da Starlink, um dos braços de negócios da SpaceX, de Elon Musk, que desembarcou nesta semana na Nasdaq com uma captação de US$ 75 bilhões e avaliada em US$ 1,77 trilhão.
Em 2025, a SpaceX anunciou acordos com a própria Jio e com a Bharti Airtel para implementar os serviços da Starlink em toda a Índia. Entretanto, desde então, o avanço no projeto tem sido lento e a companhia ainda não lançou sua oferta no país.
Na semana passada, a agência Bloomberg informou que o governo indiano havia suspendido as aprovações para o início do serviço, alegando preocupações com segurança. O que foi negado por Lauren Dreyer, vice-presidente de operações comerciais da empresa em postagem no X.
Á parte dessa discussão, Akash Ambani afirmou que a Reliance Jio Infocomm está costurando parceiras com os principais provedores globais para alugar capacidade de satélite, com o objetivo de lançar rapidamente esses serviços.
Ao mesmo tempo, ele ressaltou que a companhia também construirá sua “própria capacidade soberana de longo prazo”. E que, em paralelo, a empresa irá erguer a estrutura terrestre para dar suporte às redes de satélites de baixa órbita desses parceiros, bem como aos seus próprios serviços.
Essa não é, porém, a única frente de apostas do grupo indiano. Depois de revolucionar o mercado local com planos de dados móveis de baixo custo, nos últimos anos, a Jio Platforms e a Reliance investiram para expandir seus tentáculos para segmentos como inteligência artificial (IA) e infraestrutura digital.
Como parte desse contexto, a Meta anunciou neste mês que alugaria capacidade em um data center destinado à inteligência artificial que está sendo construído pelo conglomerado no estado de Gujarat, no oeste do país, com capacidade prevista de 168 megawatts.
Desde 2020, quando se tornou sócia da Jio, a companhia de Mark Zuckerberg vem estreitando as relações com a empresa, o que se traduz em projetos a quatro mãos para tornar os modelos de IA da Meta mais acessíveis para o mercado indiano.
Enquanto a Jio Platforms se move nessas novas frentes, o IPO da empresa carrega outros motivos que alimentam as expectativas do mercado. Os planos para a oferta foram anunciados em 2025 e indicavam a listagem para o primeiro semestre desse ano.
O IPO foi adiado, no entanto, em virtude do início da guerra entre os Estados Unidos e o Irã, que abalou a confiança dos investidores e atrasou outras ofertas públicas iniciais de ações na bolsa de valores do país, cujo mercado de capitais têm queda acumulada de mais de 9% em 2026.
Nesse cenário, a abertura de capital da Jio Platforms está sendo acompanhada com bastante atenção pelos investidores, que enxergam no IPO um grande teste para possíveis novas ofertas após meses de volatilidade no mercado de capitais local.
À parte dessas expectativas e à frente da Reliance Industries, Mukesh Ambani segue tocando um império que vai muito além das telecomunicações. Entre outros braços, a holding tem negócios que vão da produção ao refino de petróleo e petroquímicos até empresas no varejo.




