As expectativas em torno da votação do projeto de lei da renegociação de dívidas rurais estão atrasando as decisões de compras de insumos dos agricultores e impactando os negócios na distribuição, segundo Eduardo Monteiro, country manager da Mosaic no Brasil e no Paraguai.
A restrição no crédito rural deve ser uma das principais causas para uma redução no uso de fertilizantes na safra 2026/27, o que pode levar a uma queda na produtividade agrícola, na avaliação do executivo, que conversou com jornalistas após participar do World Agri-Tech Summit, em São Paulo, nesta terça-feira.
“Neste momento, tem uma discussão no Congresso Nacional que visa dar incentivos para uma parcela do endividamento, e isso vem tendo um impacto negativo para a indústria — não a de fertilizantes, mas a de distribuição”, disse Monteiro. “Porque o agricultor está esperando [a aprovação do PL] e postergando a sua decisão”, disse Monteiro.
Enquanto uma definição sobre o PL não vem, aumenta o ambiente de incertezas na cadeia. “Conversando com os grandes canais de distribuição, observamos que a situação de abril, maio e junho não melhorou. Ela se deteriorou. E isso aumenta o senso de alerta de todos os agentes da agricultura que dão crédito.”
A alta no preço dos fertilizantes é outro fator que deve afetar a demanda, especialmente os fosfatados. Segundo Monteiro, a indústria ainda não sentiu impactos do acordo assinado entre Estados Unidos e Irã — que supostamente resultaria na retomada do fluxo de navios no Estreito de Ormuz.
“Pensando na dinâmica da nossa produção, isso vai demorar um certo tempo. A partir do momento que você intensifica a comercialização, até a indústria receber esse produto e processar demora de três a quatro meses, num cenário otimista”, disse.
Além disso, algumas refinarias foram impactadas por bombardeios na região do Oriente Médio, reduzindo a capacidade produtiva, lembrou. “Vemos a situação se normalizando num horizonte de seis a 18 meses.”
Para a próxima safra, portanto, mesmo com o fim do conflito no Irã, o executivo da Mosaic não espera correções significativas nos preços do fosfato, que já vinha sofrendo uma valorização significativa antes da guerra devido ao aumento na demanda por enxofre para a fabricação de baterias para carros elétricos.
“Para o próximo ciclo de verão vemos a possibilidade de a situação voltar a começar a retroceder para o que víamos no período pré-guerra, que já era alto”, ressaltou.
Em termos de disponibilidade de produto, a expectativa de Monteiro melhorou. “Temos a capacidade de atender toda a demanda. Não é uma situação de sobra, mas eu diria que o risco de falta está minimizado”, disse.
Segundo ele, os estoques estão menores, mas serão suficientes para responder ao consumo aliados aos produtos importados.
“Em termos de nutrientes, as importações de fósforo reduziram. Mas em toneladas absolutas elas não caíram, porque você trouxe produtos de menor concentração, que é o super simples e o triplo. Essa equação indica que nós teremos como passar este ano”, disse.




