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Frio e chuva em excesso: Veja os impactos para a agricultura

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Uma frente fria estacionou sobre o Sudeste e Centro-Oeste e causa chuva constante desde o fim da segunda-feira nas duas regiões. O acumulado registrado impressiona. Em poucas horas, a região metropolitana de São Paulo recebeu o equivalente a todo o mês de junho, em torno dos 60 milímetros.

No campo, a chuva também chamou a atenção com acumulado médio em torno dos 30mm e paralisação da colheita da cana-de-açúcar e do café na Mogiana e no norte do estado de São Paulo. Especificamente nos municípios canavieiros de Tietê e Cerquilho, na região central paulista, choveu mais de 100mm em apenas 24 horas.

No Sul, o assunto é o frio, com temperatura mínima de até 9°C abaixo de zero(!) em baixadas localizadas na Serra Catarinense na madrugada desta quarta-feira. Temperaturas negativas também foram registradas na metade norte do Rio Grande do Sul e no Planalto do Paraná.

Embora culturas de inverno sejam mais resistentes ao frio, temperaturas muito baixas causam a morte das plantas. Neste contexto, é possível que tenhamos notícias de alguma perda nos próximos dias no Paraná no Rio Grande do Sul.

O milho é uma preocupação no Paraná, pois quase 60% das áreas estão em frutificação, fase muito vulnerável ao frio. Em Mato Grosso do Sul, além do milho, há apreensão na pecuária, pois rebanhos expostos podem morrer pelas baixas temperaturas noturnas. A mínima oscilou entre 2°C e 5°C na madrugada de quarta-feira no sul do estado.

O frio continua?

A madrugada de quinta-feira ainda será fria e com temperaturas negativas entre o norte do Rio Grande do Sul e o sul do Paraná. As geadas também alcançam o oeste do Paraná e o sul de Mato Grosso do Sul, com mínimas entre 3°C e 5°C.

Por outro lado, a chance de geadas é baixa nas áreas de café do norte do Paraná, em São Paulo e no sul de Minas Gerais. Como a frente fria não consegue avançar além de São Paulo, o núcleo do ar frio fica confinado sobre a região Sul e o sul de Mato Grosso do Sul, mas isso não significa que os produtores do Sudeste e do Centro-Oeste não terão problemas.

A chuva paralisa as atividades de colheita do café e de cana-de-açúcar, aumenta a chance de queda de grãos de café, diminui o ATR (açúcar total recuperável) da cana, aumenta a umidade dos grãos de milho e piora a qualidade da pluma do algodão.

A frente fria irá manter a chuva sobre as o Sudeste e o Centro-Oeste até sexta-feira.

Depois disso, será a vez do Sul do Brasil ter chuva forte. A precipitação começa ainda no próximo sábado e prossegue até o fim da semana que vem. A combinação de chuva logo após geadas fortes deixa as lavouras mais vulneráveis ao aparecimento de doenças.

A chuva forte não fica restrita ao centro e sul do Brasil e também alcança o leste do Nordeste entre os dias 25 e 28 de junho. Na Zona da Mata, a precipitação é bem-vinda para o desenvolvimento da cana de açúcar, mas as Regiões Metropolitanas de Maceió, Recife, João Pessoa e Natal devem ter transtornos pelo elevado acumulado previsto.

Apesar das precipitações intensas no litoral, o interior sofre com queimadas. A maior quantidade de focos é observada no oeste da Bahia, sul do Piauí e do Maranhão e em Tocantins, já na região Norte. A preocupação neste momento é com os ventos fortes e o alcance das chamas em áreas de algodão em desenvolvimento final.

Calor excessivo na Europa

Uma forte onda de calor domina a Europa nesta semana. Trata-se da segunda desde maio, porém a atual é uma das mais intensas já registradas.

Na França, a média de temperatura de 30 estações meteorológicas espalhadas pelo país registrou 29,8°C entre segunda e terça-feira, valor 0,4°C mais elevado que o recordes anteriores, em 25 de julho de 2019 e 05 de agosto de 2003.

O calor somente dará uma trégua para a maior parte do continente a partir do fim da semana que vem. Até lá, as temperaturas podem ultrapassar 40°C, com elevado risco de incêndios nos campos na França, Bélgica, Alemanha, República Checa, Polônia e Hungria.

Além de perdas pelo calor extremo em culturas como trigo, milho, girassol, oliveiras e batata, a produção de leite diminui e granjas perdem os frangos para o calor.



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