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Frimesa adota sistema “Cobre e Solta” para novos projetos de matrizes Agrimidia

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A Frimesa, uma das maiores cooperativas agroindustriais e principais produtoras de carne suína do Brasil, anunciou uma evolução histórica em sua política de sustentabilidade e bem-estar animal. A partir de 2030, todos os novos projetos voltados para porcas reprodutoras (matrizes suínas) adotarão obrigatoriamente o sistema “Cobre e Solta” como padrão operacional e de construção.

A medida posiciona a cooperativa ao lado de gigantes do setor que já utilizam o modelo como referência para novas estruturas (como BRF, JBS, Pamplona e Ecofrigo) e reforça a modernização da suinocultura no Brasil, atualmente o 4º maior produtor e 3º maior exportador de carne suína do planeta.

O fim das gaiolas de gestação tradicionais

Durante décadas, a indústria global utilizou o confinamento individual contínuo de matrizes em gaiolas de gestação. Nesse modelo severo, os animais passam praticamente toda a gravidez (que dura cerca de 3 meses), ciclo após ciclo, trancados em espaços que mal ultrapassam o tamanho de seus corpos, sendo impedidos de andar, virar-se ou deitar-se de lado confortavelmente — o que gera alto estresse físico e psicológico.

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O sistema “Cobre e Solta” surge para erradicar o confinamento extremo através de um manejo dinâmico:

  • Fase Inicial (Até 7 dias): As porcas ficam em celas individuais apenas pelo período necessário para os procedimentos de cobertura (inseminação) e confirmação da gestação.

  • Fase Coletiva (Maior parte da gestação): Logo após validados os procedimentos iniciais, as matrizes são liberadas em baias coletivas. Nesses espaços amplos, elas podem caminhar, socializar, descansar livremente e expressar seus comportamentos naturais.

Pesquisas internacionais comprovam que o alojamento coletivo reduz o estresse crônico e melhora as condições fisiológicas das porcas, mantendo ou até elevando os índices de produtividade da granja.

Diálogo de longo prazo e maturidade institucional

O anúncio é o ponto culminante de um processo de articulação iniciado em 2021 entre a diretoria da Frimesa e a Sinergia Animal, organização internacional de proteção animal. O diálogo superou momentos de impasse, como em março de 2024, quando a ONG manifestou preocupação com a retirada de metas anteriores da empresa para o alojamento coletivo. A reunião daquela época selou uma agenda permanente de discussões técnicas.

“Mudanças estruturais dessa magnitude não acontecem da noite para o dia. Elas são resultado de anos de diálogo técnico, construção de confiança e compromisso com soluções que conciliam competitividade e bem-estar animal”, destacou Cristina Diniz, diretora geral da Sinergia Animal no Brasil.

Ao longo do processo, as conversas expandiram-se para além das gaiolas, englobando temas como imunocastração, eliminação de procedimentos dolorosos na rotina das granjas, enriquecimento ambiental e uso responsável de antimicrobianos.

Pressão de mercado e adequação regulatória

A transição para o sistema coletivo deixou de ser apenas uma demanda ética e se transformou em vantagem competitiva comercial. Consumidores, investidores e grandes redes varejistas globais exigem critérios ESG cada vez mais severos na cadeia de fornecedores de proteína. Na União Europeia, o modelo coletivo já é obrigatório e diversos estados norte-americanos possuem leis rigorosas contra o confinamento extremo.

No cenário nacional, o movimento responde diretamente às diretrizes do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). A Instrução Normativa nº 113/2020 estabeleceu parâmetros técnicos e determinou os prazos para a modernização gradual do alojamento de matrizes no país.

Próximos passos e o efeito cascata no setor

Apesar de comemorar a vitória, a Sinergia Animal pondera que o processo é contínuo e demanda monitoramento. Como o compromisso foca em novos projetos estruturados a partir de 2030, a transparência no cronograma de obras, o acompanhamento público dos dados e a assistência técnica aos produtores integrados serão fundamentais para a eficácia real da medida.

Especialistas em sustentabilidade corporativa apontam que decisões tomadas por grandes frigoríficos geram um “efeito cascata” positivo em toda a cadeia de suprimentos. Ao ditar um novo padrão de investimento, a Frimesa pressiona e estimula o mercado de fornecedores de genética, indústrias de equipamentos agrícolas, linhas de financiamento verde e centenas de produtores parceiros a acelerarem a transição tecnológica rumo a um agronegócio mais sustentável.

Fonte: Assessoria de imprensa



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