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Iene mergulha ao menor nível em 40 anos

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O iene mergulhou ao seu nível mais baixo em 40 anos frente ao dólar – uma maravilha para turistas de todo o mundo, mas uma potencial dor de cabeça para o banco central do país dados os efeitos sobre o custo de vida.

Um dólar agora compra 162 ienes, a maior cotação desde dezembro de 1986. Em 12 meses, a alta do dólar chega a 12%.

Segundo os analistas, a depreciação do iene reflete o impacto fiscal dos planos de incentivo econômico da primeira-ministra Sanae Takaichi, do Partido Liberal Democrata, e a demora do Bank of Japan em elevar a taxa de juros.

Em abril e maio, o BoJ fez intervenções quando o dólar superou 160. Agora o mercado especula se haverá uma nova intervenção. A expectativa é de alguma atuação para suavizar a tendência, uma vez que Takaichi vê no enfraquecimento do iene uma alavanca para as exportações.

Há ainda pressão da própria valorização do dólar em relação a outras moedas. O índice DXY sobe 3% no ano – puxado, nos últimos dias, pela possibilidade de aumento dos juros pelo Federal Reserve.

A ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, disse hoje que o Governo e o Bank of Japan “tomarão as medidas adequadas a qualquer momento” para interromper a trajetória de depreciação.

Segundo o banco japonês MUFG, “os comentários não chegam a indicar de forma contundente que uma intervenção seja iminente.”

“O cenário atual torna difícil para o Japão conter a alta do dólar, em razão da mudança do Fed para uma postura mais hawkish impulsionou tanto os rendimentos dos títulos americanos quanto o dólar,” escreveu Lee Hardman, um economista sênior do MUFG.

Ainda segundo ele, as intervenções recordes no final de abril e início de maio – totalizando US$ 74 bi – fortaleceram o iene apenas momentaneamente. “Consequentemente, o Japão poderá demonstrar maior tolerância à fraqueza do iene no curto prazo, desde que o ritmo dessa desvalorização permaneça gradual,” afirmou.

Para os estrategistas do ING, o BoJ deverá aguardar antes de agir, como a divulgação, nesta quinta-feira, do relatório de emprego dos EUA referente a junho. “Isso faz do feriado de 4 de julho nos EUA, na sexta-feira, uma possível janela para uma intervenção.”

Segundo o ING, o BoJ reconhece que tentar vender dólar em meio a uma alta impulsionada por fundamentos só pode desacelerar a tendência, e não revertê-la.

“Ao mesmo tempo, o mercado suspeita que o Governo vai pressionar o BoJ para que ele não acelere o ciclo de aperto monetário,” disse o banco holandês. “A curva de juros precifica apenas uma alta de 0,25 ponto percentual, para 1,25% – o que não deve prover muita sustentação para o iene”.

A inflação japonesa, que por décadas se manteve ao redor de zero, atingiu 3,2% em 2025. Para este ano, a estimativa é de 2,5%. O crescimento do PIB deve ficar em torno de 1%.

As projeções para este ano mostram uma perspectiva de piora nas contas públicas, com o déficit chegando a 5,6% do PIB mesmo com os juros em território negativo (abaixo da inflação). No ano passado, o déficit ficou em 4% do PIB.

Ainda assim, o endividamento público está em declínio, com a ajuda da depreciação cambial, da retomada do crescimento – embora modesto – e da alta nos preços. A dívida bruta, que atingiu um pico de 219% do PIB em 2021, recuou para 204% do PIB ao final de 2025 e deve cair neste ano para 194% do PIB.

“O consumo privado continua positivo, mas permanece vulnerável devido à elevada sensibilidade das famílias à inflação e ao impacto da desvalorização do iene nos custos de importação,” disse um relatório do HSBC. “Embora a escassez estrutural de mão de obra esteja impulsionando os salários nominais, o crescimento dos salários reais poderá sofrer pressões caso a inflação continue a subir.”




Giuliano Guandalini






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