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‘Nova avenida de crescimento’, diz CEO

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Bloomberg Línea — Calça que vai da academia ao restaurante. Camiseta que serve para a reunião e para a corrida. Tênis que não precisa ser trocado entre um compromisso e outro. Esse é o athleisure, categoria que apaga a fronteira entre roupa esportiva e roupa do dia a dia e que se tornou um dos segmentos mais aquecidos do varejo de moda global.

É nesse mercado que a rede varejista C&A (CEAB3) decidiu entrar com força própria. A ACE, marca de athleisure premium do grupo, ganhou sua primeira loja física própria, um espaço de 130 metros quadrados no Shopping Ibirapuera, em São Paulo.

Com o movimento, a varejista de moda espera crescer com uma marca independente — que disputa espaço com Track&Field (TFCO4), Live! e outras — em um segmento que movimenta R$ 4 bilhões por ano e deve crescer 50% nos próximos cinco anos, segundo dados de uma consultoria citados pela C&A.

“Essa é uma outra avenida de crescimento, independente do nosso formato C&A”, disse Paulo Correa, CEO da C&A Brasil, em entrevista à Bloomberg Línea.

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A decisão é inteiramente brasileira. Apesar de a C&A operar em diversos países, a companhia local é de capital aberto com governança independente. O Brasil é a primeira praça global do grupo a elevar uma subcategoria interna à condição de unidade de negócio autônoma.

“A gente não quer ser especialista em nenhuma das três [moda, esporte ou vida social], porque as pessoas não querem mais ser especialistas em nenhuma dessas três coisas. As pessoas querem fluir no dia a dia”, afirmou o CEO.

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Além da loja no Ibirapuera, outras três unidades já estão confirmadas até o fim de 2026, sendo mais uma em São Paulo, no Shopping Bourbon, outra no Rio de Janeiro (no Barra Shopping) e a última em Belo Horizonte (em local em negociação).

A escolha do Shopping Ibirapuera não foi aleatória. Foi nesse mesmo centro comercial que a C&A inaugurou sua primeira loja no Brasil, há quase 50 anos. A rede completa o jubileu em agosto.

“A gente entendia que havia um simbolismo interessante de começar uma nova jornada aqui nesse mesmo shopping que deu tão certo”, disse o executivo.

A localização também reforça o posicionamento: o corredor de Moema concentra bairros de alta renda e fica próximo ao parque Ibirapuera, referência de esporte e vida ao ar livre na capital.

Ações da C&A Modas S.A. (CEAB3)

Os dados podem ter atraso de ate 20 minutos.

Oportunidade de aumentar volume

O conceito batizado de social sports é a resposta da C&A a um comportamento que a pandemia acelerou: rotinas sem ruptura entre treino, trabalho e socialização.

O timing não é coincidência, segundo Filipe Albuquerque, diretor de novos negócios da C&A e responsável pelo lançamento da ACE.

“Existe uma mudança evidente no comportamento do consumidor. O segmento esportivo já representa cerca de R$ 30 bilhões em vendas no mercado de vestuário brasileiro e reflete uma rotina cada vez mais integrada”, disse.

A ACE nasce para capturar a camada premium desse movimento, um posicionamento menos promocional, materiais diferenciados e margens estruturalmente mais altas que as do varejo tradicional da rede.

O efeito das canetas

Sobre o impacto do uso crescente das canetas emagrecedoras no comportamento de compra, um fenômeno que redesenha grades de tamanho no varejo global, o CEO reconhece que a C&A ainda não consegue medir o efeito com precisão, mas espera que ele se materialize.

“Deveria acontecer um percentual de vendas menor dos tamanhos maiores e um aumento no percentual de venda dos tamanhos menores. Essa é uma história que a gente está esperando”.

Para a ACE, o argumento independe das canetas. A proposta de uso contínuo ao longo do dia é estrutural e pode se beneficiar de um consumidor que, ao mudar de corpo, também está disposto a renovar o guarda-roupa inteiro.

O que há dentro da loja

A operação foi construída do zero com equipe e posicionamento independentes da C&A, ainda que alavancando a máquina de gestão de fornecedores e pesquisa de tecidos do grupo.

O resultado é uma loja de 130 metros quadrados projetada pelo escritório Marcelo Rosenbaum, com iluminação difusa, cabideiros de madeira e uma “salinha sensorial” acústica dedicada às duas linhas de textura da marca.

O diretor de novos negócios da C&A define o perímetro competitivo com precisão.

“Não estamos lançando somente produtos. Estamos propondo uma nova lógica de uso, em que o activewear deixa de ser restrito ao treino e passa a integrar a construção estética do dia a dia”, afirmou Albuquerque.

O mix reflete essa escolha: 80% feminino, 15% masculino e 5% acessórios, uma decisão deliberada de foco, não uma limitação. Moda infanto-juvenil ficou de fora.

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Os produtos se organizam em torno de dois tecidos: o butter touch, de toque ultramacio e caimento fluido, e o cool touch, com regulação térmica para uso ao longo do dia. Uma terceira textura, o scuba (malha de poliéster e elastano que modela sem amassar), completa a linha.

A loja também incorpora uma curadoria de marcas parceiras com fit de lifestyle, entre elas a HERÔ, do maquiador Helder Rodrigues, com produtos de aromaterapia, velas e skincare para compor o ritual do dia a dia.

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