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Na Copa do Mundo de Day Trade, um brasileiro sobe ao pódio (pela quarta vez)

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O brasileiro Eduardo Ramos foi pela quarta vez ao pódio da World Cup Trading Championship, a principal competição global de investimentos, ao bater seu recorde pessoal no campeonato, com retorno de 258,1% no segundo trimestre.

O forte desempenho de Ramos garantiu a segunda colocação no torneio trimestral de day trading de futuros da Copa do Mundo de Traders, que se encerrou na virada do ano. O campeão foi o trader de Andorra David Trullas Vila, que vinha de quatro vitórias consecutivas na modalidade e conquistou seu quinto título, com retorno recorde de 2.222,6%.

“É um adversário fora de série, que vem vencendo várias edições. Estou trabalhando para um dia vencê-lo e me tornar campeão”, disse Ramos em entrevista exclusiva ao NeoFeed. Engenheiro de formação e trader há cerca de 30 anos, o brasileiro participa da competição desde 2017.

A Copa do Mundo de Traders é disputada desde 1983, quando a corretora americana Robbins Trading passou a organizar o campeonato anualmente, com novas modalidades e formatos inseridos ao longo do tempo. Diferentemente dos esportes, no entanto, em que os recordes são quebrados com frequência, o retorno histórico do torneio segue com o trader Larry Williams, campeão da edição de 1987 com 11.376% de retorno.

Conhecido como um dos maiores traders de commodities de todos os tempos, Williams também foi uma das principais referências de Eduardo Ramos, que estudou suas técnicas para aprimorar as próprias negociações.

Baseado nos indicadores de Williams, Ramos desenvolveu um método próprio de negociação para se destacar no campeonato. O modelo consiste principalmente na análise de padrões históricos de longo prazo do S&P 500, índice que reúne as 500 maiores empresas americanas e é o principal ativo negociado pelo brasileiro na competição.

“Se você levantar uma estatística de fechamento de alta de índices de ações, você vai ver que 85%, 90% dos anos os preços fecham em alta. Então, na maior parte do tempo, você tem que tentar ganhar dinheiro com a compra dos ativos”, conta.

Para conciliar o modelo de tendência de longo prazo com o modelo de day trade, Ramos faz apenas uma operação por pregão, apostando na alta ou na queda de derivativos atrelados ao S&P 500 — geralmente contratos futuros de micro S&P e E-mini S&P.

Para conseguir retornos expressivos, o trader utiliza alavancagem. A cada 1% que o índice sobe ou cai, sua carteira varia 10% para cima ou para baixo. Como utiliza limites de perdas e ganhos de 10% da carteira por pregão, sempre que o S&P 500 sobe ou cai 1%, as operações são encerradas.

Além de ser mais apropriada a seu modelo de tendências, diz, a estratégia de fazer apenas uma operação por dia também visa à economia com taxas de corretagem. “As corretagens não são baratas.” A abordagem, diz, é puramente técnica, totalmente alheia ao noticiário.

“É muito difícil especular com base nas notícias. O Dow Jones subiu durante a Segunda Guerra Mundial. Agora, com a guerra do Irã, muita gente achava que as bolsas de ações americanas iriam ter perdas e elas tiveram ganho”, diz. “Então, considerar esse tipo de acontecimento tende a deixar o investidor perdido e a prejudicar os resultados.”

Ramos, no entanto, admite que o sistema de padrões históricos que desenvolveu ao longo de anos, por vezes, se torna ineficiente, com as falhas nos indicadores podendo perdurar por semanas. Nesses momentos, o trader fica fora do mercado, voltando a operar apenas quando o movimento dos ativos volta a seguir as tendências apontadas por seu modelo.

Saber quando não operar, inclusive, foi uma lição que aprendeu ao longo dos anos de trading. “Em 2020, perdi dinheiro assim. Se ficar operando contra o que está acontecendo no mercado, ainda achando que a sua previsão vai se concretizar, você vai perder dinheiro.”

Outra mudança recente em seu modelo de operação foi o menor nível de capital em risco por operação, que caiu de 25% para 10%. Quando disputou o torneio anual de futuros, em 2019, Ramos chegou a 387% de rentabilidade ainda nos primeiros meses do ano, colocando 25% do capital em risco, mas não conseguiu sustentar o mesmo nível de retorno e encerrou o campeonato fora do pódio.

“Naquele ano cheguei a estar com US$ 100 mil, com o risco de perder 25% em um único pregão. Mas pesa muito do ponto de vista emocional. Então, diminuí esse percentual”, afirma.

Todo o dinheiro utilizado no campeonato é de responsabilidade dos investidores, sendo US$ 10 mil o mínimo para entrar na categoria anual e US$ 2.500 na trimestral. As operações precisam ser feitas em plataforma própria da Robbins Trading, que faz a auditoria do torneio e oferece a clientes contas espelho, que seguem as mesmas operações dos competidores.

Ter um cliente seguindo as operações é a única forma de o trader ganhar dinheiro na competição — excluindo o resultado das próprias operações. O principal prêmio é um troféu entregue aos três primeiros colocados de cada categoria.

Nesses quase dez anos de competição, Ramos já havia conquistado outros três troféus. O primeiro veio em 2018, quando ele ficou em segundo na categoria anual de Índice & Juros Futuros. Em 2023, ficou em terceiro no torneio de day trading de futuros do quarto trimestre, mesma colocação em que terminou a edição 2024-2025 da Global Cup de Futuros, também organizada pela Robbins.

“Eu sempre gostei dessa área de investimento. Comecei a fazer especulação na minha conta pessoal na década de 1990. Comecei a estudar, ler livros sobre trading. E aí descobri que o Larry Williams disputou essa competição em 1987 e foi campeão com um resultado espetacular. Deu vontade de disputar.”

Chapéu de gestor

Embora tenha décadas de experiência em negociações em bolsa, diferentemente de muitos de seus competidores, Ramos nunca atuou profissionalmente no mercado financeiro. Fiscal da Receita Federal há décadas, o engenheiro está a apenas 7 anos de se aposentar como funcionário público — e planeja um futuro como gestor de fundos.

Recentemente, Ramos deu o primeiro passo para cumprir esse objetivo, obtendo a Certificação de Fundamentos de Gestão (CFG). Agora, está estudando para obter a Certificação de Gestores ANBIMA (CGA), que habilita o exercício da profissão.

Como forma de ganhar experiência e aprofundar seus estudos sobre o mercado, Ramos faz, desde 2009, a cogestão do clube de investimentos Horizon, destinado a amigos e parentes. O clube tem, hoje, cerca de R$ 2,3 milhões de patrimônio e cerca de 30 cotistas.

Nos últimos dez anos, o Clube Horizon rendeu 279,4%, contra 144,5% do CDI e 232,2% do Ibovespa. Nos últimos cinco anos, o retorno do clube sobre o Ibovespa foi ainda maior: de 89,15%, ante 35,4%.

Com foco no mercado de ações, as escolhas das empresas passam por uma avaliação fundamentalista, e a gestão é bem mais conservadora do que a forma como Ramos opera nos campeonatos.

“No clube, eu não uso alavancagem. É uma regra que nós seguimos. Para um investidor comum, é difícil de aguentar um drawdown [período de perdas intensas], mesmo sem alavancagem.”

Por outro lado, Ramos tem utilizado o conhecimento que obteve em anos de day trading para implementar técnicas de hedge para limitar as perdas do clube em períodos adversos.

“Esse é um dos motivos que explicam por que o desempenho do clube foi tão bom nos últimos dez anos e, especialmente, nos últimos cinco anos, período em que a Bolsa e o Ibovespa não foram bem.”

Alerta para 2029

Além das competições e do clube, Ramos dedica parte de seu tempo a um estudo próprio de ciclos de mercado, que tenta identificar períodos de maior risco de crise global. Foi com base nesse modelo que, em 2019, previu que 2020 seria um ano de problemas — e a pandemia derrubou as bolsas ao redor do mundo.

Agora, o mesmo estudo aponta 2029 como um ano de risco elevado. “O nível de preço/lucro das ações americanas já está perto do nível mais alto da história, que foi em 1999, auge da bolha de tecnologia. Isso não significa que vai cair agora. Uma bolha pode durar anos. Mas meu estudo de ciclos está indicando uma sinalização bem forte para 2029”, diz. “O emocional coletivo no mundo deve ficar mais pessimista.”

Ramos, no entanto, é cauteloso ao falar sobre o assunto. “Não posso garantir isso. Mas é o que apontam os indicadores”, afirma. Para ele, o estudo serve menos como uma previsão definitiva e mais como um sinal de alerta — o mesmo tipo de ferramenta que usa no dia a dia para decidir quando entrar e quando ficar fora do mercado.



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