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Pesquisa mostra desgaste de Milei após escândalo envolvendo ex-chefe de gab…

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Bloomberg — Os argentinos desaprovam a maneira como o presidente Javier Milei lidou com um escândalo de corrupção envolvendo seu ex-chefe de gabinete, de acordo com uma nova pesquisa publicada dias após a renúncia do ex-assessor.

Aproximadamente 99% dos entrevistados afirmaram estar a par do caso, e mais de 80% acreditavam que Manuel Adorni provavelmente ou muito provavelmente havia se envolvido em irregularidades financeiras relacionadas ao seu patrimônio pessoal, de acordo com a LatAm Pulse, uma pesquisa realizada pela AtlasIntel para a Bloomberg News e publicada na sexta-feira (3).

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Pouco mais da metade afirmou que o caso teve um “impacto grave” que coloca em risco a credibilidade do governo de Milei, enquanto quase 20% disseram que teve um efeito “importante” sobre sua imagem. Quase 70% afirmaram que a resposta do Poder Executivo foi “ruim” ou “muito ruim”.

Adorni está sendo investigado por compras de imóveis e viagens de luxo que parecem incompatíveis com seu salário modesto.

A investigação teve início em março, após o surgimento de fotos de sua esposa — que não ocupa cargo no governo — viajando a bordo do jato presidencial para Nova York. O caso se arrastou por meses, enquanto Milei defendia veementemente Adorni, que era um de seus mais leais colaboradores.

Depois de negar qualquer irregularidade por meses, Adorni afirmou então que sua aparente riqueza provinha de uma aposta em Bitcoin feita há uma década, explicação que suscitou o escrutínio de especialistas em criptomoedas.

A gota d’água ocorreu na última sexta-feira, quando o jornal La Nación noticiou que ele também havia gasto uma fortuna em um equipamento de videogame.

Adorni renunciou no dia seguinte.

Leia também: Churrasco mais caro: carne argentina ganha espaço nos EUA, mas impõe desafio a Milei

Índice de aprovação

A preocupação pública com a corrupção tem pesado sobre o apoio a Milei. Seu índice de aprovação caiu para 39,7% em junho, ante 39,9% no mês anterior, de acordo com a AtlasIntel.

Seu índice de rejeição caiu ligeiramente de 58,3% para 58,2%, ainda próximo do pico de 63% registrado em abril, quando o escândalo envolvendo Adorni ganhou intensidade.

A corrupção figurou como uma das principais preocupações para pouco menos da metade dos entrevistados.

Leia também: Como o governo de Milei busca reaquecer o mercado de crédito imobiliário na Argentina

Ao mesmo tempo, a integrante mais veemente do círculo íntimo de Milei a criticar Adorni saiu fortalecida dessa provação.

A líder do Senado, Patricia Bullrich, foi a política com a imagem mais positiva na Argentina, com um aumento de seis pontos percentuais em relação a maio, segundo a AtlasIntel.

Em uma aparição na TV em maio, ela instou Adorni a divulgar suas finanças, enquanto Milei insistiu, em uma entrevista separada poucos minutos depois, que seu assessor próximo na época era inocente.

Apenas alguns dias antes, Milei e todo o seu gabinete haviam acompanhado Adorni a uma audiência no Congresso em uma demonstração de apoio.

Leia também: Aprovação de Milei sobe a 40% após atingir as mínimas em seu governo, diz AtlasIntel

Diego Santilli, um experiente operador político que substituiu Adorni como chefe de gabinete na terça-feira, tem a segunda melhor imagem pública no gabinete de Milei, atrás apenas do ministro da Economia, Luis Caputo, segundo a pesquisa. Ainda assim, sua nomeação marcou uma mudança drástica para um presidente que já havia apontado Santilli como símbolo de um sistema corrupto.

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