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startups de IA registram crescimento de 149% em receitas no Brasil

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Bloomberg Línea — O mercado de startups latino-americano vive uma transformação estrutural impulsionada por negócios que nascem com a inteligência artificial no DNA. Dados globais do relatório Engines of Growth, publicado pela AWS Startups, revelam que essas empresas estão alcançando o patamar de unicórnio (valuation de US$ 1 bilhão) em apenas 3,5 anos — a metade do tempo registrado na era antes da da IA generativa.

No Brasil, as startups nativas de IA representam 13% do ecossistema e registram um crescimento médio anual de receita de 149%. O percentual supera com folga a média de 64% das demais startups do país, mas fica abaixo do resultado global, 156%.

Esse crescimento acelerado é sustentado por uma nova relação na dinâmica do capital e do trabalho. Noventa e seis porcento dos fundadores de startups nativas de IA projetam crescimento, assim como 47% já contam com uma receita por funcionário superior a US$ 400 mil. Entre as demais startups, esses números são de 69% e 26%, respectivamente.

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As altas expectativas em relação às entregas com IA são acompanhadas por aumento dos investimentos. Quarenta e seis porcento dos fundadores de startups nativas declararam que estão ampliando os recursos à tecnologia em relação ao ano anterior.

De acordo com o estudo, 62% dessas novas startups desenvolvem capacidades proprietárias de IA (como modelos próprios) contra 32% das startups tradicionais; 59% utilizam a tecnologia para suporte a decisões de alto escalão (frente a 31% do mercado); e 64% possuem uma estratégia de IA formal e abrangente, ante 51% do restante das companhias brasileiras.

O levantamento foi realizado com 3.413 fundadores de startups e líderes seniores em 20 mercados.

Leia também: Startup de vacinação domiciliar chega a São Paulo e mira liderança nacional até 2030

Veja os aportes da semana:

Jota

O Jota, assistente financeiro baseado em inteligência artificial, captou R$ 150 milhões (US$ 30 milhões) em uma rodada de investimentos Série A. O aporte foi liderado pela norte-americana Haun Ventures e contou com a participação da Greyhound Capital.

A fintech opera no modelo B2B focado em microempreendedores e autônomos, oferecendo um aplicativo próprio e uma interface conversacional integrada ao WhatsApp. O sistema elimina a necessidade de planilhas complexas, permitindo que o usuário gerencie contas, realize pagamentos, venda no cartão de crédito em até 12 vezes sem maquininha e cobre clientes via texto, áudio ou foto.

Com o lançamento da versão Jota 2.0, a startup faz a transição para um modelo de agente financeiro proativo, que categoriza gastos, organiza contas e gera insights preditivos sem depender de comandos prévios do usuário.

Os novos recursos serão aplicados para aprimorar o desenvolvimento da infraestrutura proprietária de IA e a expansão de funcionalidades, como a oferta de crédito contextualizado.

A rodada foi acompanhada pelo fundos HOF Capital e Alter Global, que no cap table. Há menos de um ano, a Jota tinha captado R$ 60 milhões em rodada seed.

Stenon

A agtech alemã Stenon captou € 18 milhões (aproximadamente R$ 106 milhões) em sua rodada de investimentos Série B. O aporte foi liderado pela gestora europeia focada em impacto e agronegócio Pymwymic, com a entrada do DeepTech & Climate Fonds (DTCF). Investidores institucionais e anjos já no cap table, como Atlantic, Oyster Bay, Founders Fund, TIME Ventures e Bernd Hoffmann, acompanharam o aporte.

A startup desenvolveu o FarmLab, uma solução que integra sensores ópticos e elétricos, inteligência artificial e software no modelo SaaS para realizar a análise de solo diretamente no campo, eliminando o tempo de espera dos laboratórios tradicionais.

O modelo de negócio é B2B, atendendo distribuidores de insumos, revendas, cooperativas, consultorias e grandes grupos agrícolas. A tecnologia permite medir o nitrogênio disponível e o carbono orgânico do solo em tempo real.

O capital será usado para a expansão das operações comerciais e agronômicas na América do Sul, tendo o Brasil como mercado central, além de consolidação na Ásia Central e Europa. Também deve financiar a localização de produtos para solos tropicais, o avanço tecnológico do FarmLab e o desenvolvimento de uma nova plataforma de inteligência de nutrientes acoplada diretamente a máquinas agrícolas.





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