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A Aegea, maior empresa privada de saneamento do Brasil, convocou uma Assembleia Geral Extraordinária para discutir um aumento de capital de até R$ 2,1 bilhões, visando fortalecer sua estrutura financeira.
A operação incluirá a emissão de até 37.979.634 ações ordinárias a um preço unitário de aproximadamente R$ 55,29. A Itaúsa, terceiro maior acionista, poderá subscrever entre R$ 730 milhões e R$ 1,5 bilhão na operação.
Apesar de um crescimento robusto em receita e Ebitda em 2025, o lucro líquido da Aegea caiu 31%, e a dívida líquida atingiu R$ 47 bilhões no período, com alavancagem elevada.
A empresa também enfrenta danos reputacionais devido a um acordo de leniência por corrupção e perdeu a disputa pela privatização da Copasa para a Equatorial.
A Aegea busca retomar a expansão com capitalização adicional e ajustes de gestão, adiando seu IPO de 2026 para 2027.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Maior empresa privada de saneamento do Brasil, a Aegea anunciou na terça-feira, 7 de julho, por meio de fato relevante, a convocação de seus acionistas para uma Assembleia Geral Extraordinária, marcada para 28 de julho, com o objetivo de deliberar sobre um aumento de capital social de até R$ 2,1 bilhões visando o fortalecimento da estrutura financeira da companhia.
A operação será realizada por meio da emissão de até 37.979.634 ações ordinárias, com preço unitário de aproximadamente R$ 55,29. Uma hora após o anúncio, a Itaúsa – terceiro maior acionista da Aegea – informou que, a depender de como os demais acionistas exercerem seus respectivos direitos, poderá subscrever, dentro do prazo de 30 dias, um montante entre aproximadamente R$ 730 milhões e R$ 1,5 bilhão na operação.
A Itaúsa detém 10,91% do capital votante e 13,27% do capital total da Aegea. Isso lhe confere poder de influência, mas não de controle, já que a empresa é controlada pela Equipav (68,69% dos votos) e tem o GIC (20,40%) como segundo maior acionista.
Os anúncios ocorrem num momento em que a Agea – presente em 15 estados e 893 municípios, atendendo mais de 39 milhões de pessoas – vive uma combinação de crescimento robusto e pressão significativa após uma série de más notícias recentes.
Em 2025, a empresa registrou receita de aproximadamente R$ 18,3 bilhões, um avanço superior a 20% em relação ao ano anterior. O Ebitda também cresceu, alcançando R$ 10,3 bilhões, refletindo a maturação gradual das concessões.
Apesar disso, o lucro líquido caiu para R$ 856 milhões, uma redução de 31%, evidenciando o impacto do aumento das despesas financeiras e dos ajustes contábeis recentes.
O endividamento é hoje o maior ponto de atenção: a dívida líquida atingiu R$ 47 bilhões, com alavancagem de 4,5 vezes o Ebitda, nível considerado elevado para o setor de infraestrutura.
Em abril, o mercado recebeu com cautela a divulgação do balanço anual da Aegea, após uma sequência de atrasos provocada por uma revisão contábil abrangente nas demonstrações financeiras da companhia, que revelaram um rombo de cerca de R$ 5 bilhões no patrimônio líquido, obrigando a empresa a reclassificar resultados de anos anteriores e reduzindo o lucro reportado de 2024.
As agências de rating reagiram rapidamente: S&P e Fitch rebaixaram a nota de crédito da Aegea para grau especulativo, elevando o custo de captação e pressionando ainda mais a estrutura de capital.
Maré negativa
Além das questões financeiras, a empresa enfrenta danos reputacionais decorrentes de um acordo de leniência firmado após a admissão de pagamento de R$ 63 milhões em propina em seis estados e 20 municípios entre 2024 e 2025. O acordo prevê o pagamento de R$ 439 milhões à União, reforçando a necessidade de governança mais rígida e transparência.
Mais recentemente, no início de junho, a Aegea amargou outro golpe, ao perder a disputa pela privatização da estatal de saneamento mineira Copasa para a Equatorial – definida como sua acionista de referência, depois de se comprometer a injetar até R$ 7,9 bilhões na empresa mineira.
A Equatorial, que faz parte do bloco de acionistas de referência da Sabesp, foi a única concorrente na fase final da privatização, depois que a Aegea Saneamento e seus acionistas optaram por não apresentar uma nova proposta.
Mesmo com esses desafios, a Aegea continua sendo um ator central na transformação do saneamento brasileiro. Seu portfólio ainda está em fase de maturação — cerca de 80% das concessões foram assumidas nos últimos anos — e a empresa aposta que, com capitalização adicional e ajustes de gestão, poderá retomar o ritmo de expansão.
Nesse contexto, o IPO da empresa, antes previsto para 2026, foi adiado para 2027, refletindo o momento de reestruturação interna.




