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Brasil intensifica pressão diplomática e classifica tarifas de Trump como ‘injustas’ às vésperas de decisão Agrimidia

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O governo brasileiro realizou, na noite desta terça-feira (14), uma nova investida diplomática para tentar conter a iminente imposição de barreiras comerciais pelos Estados Unidos. Em reunião de alto nível com o representante de Comércio dos EUA (USTR), Jamieson Greer, autoridades brasileiras voltaram a classificar como “injustas” e “sem fundamento técnico” as novas tarifas propostas pela administração de Donald Trump.

A ofensiva ocorre no limite do cronograma: o prazo legal para a conclusão das investigações norte-americanas e o anúncio da decisão final expira hoje, quarta-feira (15), quando Washington deve divulgar a lista definitiva de produtos sobretaxados.

Falta de critério técnico e diálogo sob tensão

A reunião desta terça-feira marcou o quinto encontro bilateral desde o dia 7 de maio, quando os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump acordaram a criação de um grupo de trabalho focado em mitigar fricções comerciais. Participaram da mesa de negociações representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e da Assessoria Especial da Presidência da República.

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Em nota oficial, o Mdic sublinhou que a aplicação de barreiras tarifárias unilaterais rompe o esforço de aproximação construído nos últimos meses.

“O governo brasileiro reiterou que as recomendações do USTR carecem de embasamento técnico e que a aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta. Este não é o caminho adequado para a formulação de um acordo bilateral mutuamente benéfico”, declarou a pasta.

Nos bastidores da diplomacia em Brasília, a percepção é de que, embora os canais de comunicação continuem abertos por determinação direta do presidente Lula, o tom da equipe comercial de Donald Trump endureceu drasticamente nas últimas semanas, sinalizando que uma isenção total para o Brasil é pouco provável.

As queixas de Washington: O que diz a “Seção 301”

A pressão tarifária dos EUA decorre de uma investigação amparada na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. Washington alega que o Brasil adota práticas que prejudicam a competitividade de empresas americanas. Os principais pontos de atrito apontados pelo USTR são:

  • Tecnologia e Finanças: Restrições ao mercado de comércio digital e o avanço soberano do Pix como sistema de pagamentos, que os EUA alegam limitar a atuação de bandeiras de cartão de crédito americanas;

  • Propriedade Intelectual: Demora e entraves burocráticos no registro de patentes industriais;

  • Agronegócio e Energia: Falta de reciprocidade no acesso ao mercado brasileiro de etanol;

  • Agenda Verde: Cobranças por maior rigor e resultados práticos no combate ao desmatamento ilegal na Amazônia.

Próximos Passos: Retaliação na Mesa

O Palácio do Planalto e o Itamaraty mantêm o discurso de que priorizam uma solução negociada de última hora. Contudo, interlocutores do governo confirmam que, caso as tarifas de até 37,5% (somando as duas taxações propostas) entrem em vigor, o Brasil não descarta adotar medidas de retaliação comercial proporcional, acionando mecanismos de salvaguarda e taxando produtos estratégicos importados dos Estados Unidos, além de acionar painéis de disputa na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Fonte: Agência Brasil



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