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Frango perde quase 70% de competitividade para o suíno em SP, mas exportações batem recorde histórico Agrimidia

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A cadeia de avicultura de corte do Brasil encerrou a primeira metade de 2026 vivendo um cenário de forte dualidade. Por um lado, o setor celebra o melhor desempenho exportador de sua história, demonstrando uma impressionante resiliência e poder de diversificação de mercados diante dos gargalos logísticos e geopolíticos globais. Por outro, da porteira para dentro, o frango resfriado enfrenta uma dura batalha comercial no atacado, tendo sua histórica vantagem de preço esmagada pelo barateamento agressivo da carne suína concorrente.

Porteira para dentro: O frango perde seu maior apelo de venda

Na primeira quinzena de julho, o atacado da Grande São Paulo registrou recuo nos preços tanto do frango resfriado quanto da carcaça especial suína frente às médias de junho. No entanto, quando a análise é estendida para o médio prazo, o cenário revela um estreitamento dramático na relação de preços entre as duas proteínas.

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a competitividade da carne de frango frente à carne suína despencou quase 70% em um ano (comparando julho de 2026 com julho de 2025).

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O motivo do tombo: Essa perda de atratividade do frango não ocorreu por ineficiência própria, mas sim pelo colapso nos preços do concorrente. A carcaça suína acumula uma queda real expressiva de 33,2% em relação a julho do ano passado, pressionada pelo excedente de oferta no mercado doméstico. Com o suíno muito mais barato, o consumidor final tem migrado de proteína, reduzindo o fôlego de vendas das distribuidoras de aves.

Porteira para fora: Recorde histórico de 2,9 milhões de toneladas

Se o mercado doméstico exige descontos e jogo de cintura, o porto de escoamento é sinônimo de comemoração. Segundo dados da Secex compilados pelo Cepea, as exportações brasileiras de carne de frango (considerando produtos in natura e processados) atingiram o patamar recorde de 2,9 milhões de toneladas no acumulado do primeiro semestre de 2026.

Trata-se do maior volume já registrado para o período na série histórica iniciada em 1997, representando uma alta de 12,9% em relação às 2,6 milhões de toneladas comercializadas no primeiro semestre de 2025.

A estratégia de rota: Como o setor driblou a crise no Mar Negro

O recorde histórico ganha contornos ainda mais relevantes se considerado o ambiente de alta tensão geopolítica. Os conflitos militares no Oriente Médio — região que historicamente absorve cerca de 25% de todos os embarques brasileiros de aves — trouxeram grande preocupação logística desde o primeiro trimestre do ano, com bloqueios e atrasos severos no tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz.

A superação desse gargalo veio através da alta capilaridade e diversificação do setor avícola brasileiro, que redirecionou volumes para parceiros estratégicos:

  • Emirados Árabes Unidos (Recuo): Diante das dificuldades logísticas de acesso à região, os embarques caíram 8,3% no semestre.

  • Japão (Expansão): Tornou-se um dos grandes destinos de compensação, registrando avanço de 21,2% nas compras do frango brasileiro.

  • África do Sul (Disparada): Consolidou-se como outro destino de destaque, com crescimento expressivo de 38,3% no volume importado.

O Balanço do Setor

O momento atual exige que as agroindústrias utilizem a receita recorde obtida com o dólar valorizado e os embarques externos para subsidiar a guerra de preços que se instalou no atacado brasileiro. A ampla oferta interna de milho e o processamento aquecido da soja — que ajudam a baratear o custo das rações — são os grandes aliados para manter as margens da avicultura protegidas enquanto o mercado doméstico de carnes busca um novo ponto de equilíbrio de preços.

Da Redação, com informações do Cepea



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