Andrea Pirlo não será o novo técnico da Itália. Em publicação nas redes sociais na manhã desta segunda-feira, o treinador revelou que foi informado pela Federação Italiana de Futebol (FIGC), na noite de domingo, de que não é mais candidato ao cargo.
A publicação vem um dia depois de Pirlo rebater as críticas por sua ligação com a casa de apostas russa Fonbet.
“Por respeito às instituições, à Federação Italiana de Futebol e a todas as pessoas envolvidas, optei até agora por manter o silêncio. Mas, depois de saber na noite de ontem que deixei de ser candidato ao cargo de técnico da seleção italiana, considero meu dever esclarecer alguns pontos”, escreveu.
Pirlo era o principal alvo do diretor técnico Paolo Maldini para assumir a Itália. Antes dele, a Federação Italiana tentou abrir negociações com Carlo Ancelotti e recebeu uma negativa de Pep Guardiola.
A possível contratação, porém, passou a sofrer forte resistência por causa da relação comercial do treinador com a Fonbet, empresa de apostas sediada na Rússia da qual ele é embaixador.
A situação ganhou repercussão política na Itália. O país faz oposição ao governo de Vladimir Putin desde a invasão da Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022. Diante disso, políticos passaram a questionar a escolha de um treinador associado comercialmente a uma empresa russa para comandar a seleção nacional.
Atualmente, Pirlo trabalha no United FC, dos Emirados Árabes Unidos. O clube pertence ao empresário russo Sergey Lomakin, que também possui ligação com a Fonbet.
Segundo a imprensa italiana, o presidente da FIGC, Giovanni Malagò, passou o fim de semana analisando documentos relacionados aos contratos de Pirlo. A federação identificou que havia um vínculo profissional separado entre o treinador e a casa de apostas, além de seu contrato com o clube árabe.
Após a análise, Malagò optou por desistir da contratação.
Em seu comunicado, Pirlo afirmou que a parceria tem caráter exclusivamente comercial e esportivo.
“Ao longo da minha carreira, primeiro como jogador e agora como treinador, sempre exerci minha profissão em total respeito às leis dos países onde trabalhei e aos contratos que assinei. A parceria profissional que foi alvo das recentes polêmicas surgiu no contexto da minha trajetória de trabalho nos Emirados Árabes Unidos e tem natureza exclusivamente comercial e esportiva.”
O ex-meio-campista também rejeitou qualquer interpretação política sobre a relação com a empresa russa.
“Atribuir a essa colaboração um significado político significa atribuir a mim convicções que jamais expressei e que não me representam.”
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Maldini avalia deixar a Federação
A decisão da FIGC provocou forte insatisfação em Paolo Maldini, responsável pelo processo de escolha do novo treinador da seleção.
De acordo com a Gazzetta dello Sport, o dirigente considera deixar o cargo após a desistência da contratação de Pirlo. O ex-zagueiro foi um dos principais defensores da chegada do treinador e o escolheu mesmo diante de opções mais experientes, como Antonio Conte e Roberto Mancini.
Giovanni Malagò ainda tenta convencer Maldini a permanecer no projeto esportivo da Federação. O presidente tem reunião prevista com o dirigente e com Leonardo para evitar uma ruptura na estrutura técnica da seleção.
Confira o pronunciamento de Pirlo:
“Por respeito às instituições, à Federação Italiana de Futebol e a todas as pessoas envolvidas, optei até agora por manter o silêncio. Mas, depois de saber na noite de ontem que deixei de ser candidato ao cargo de técnico da seleção italiana, considero meu dever esclarecer alguns pontos.
Nos últimos dias, acompanhei com grande tristeza o debate que surgiu em torno do meu nome e da possibilidade de assumir o comando da seleção italiana.
Ao longo da minha carreira, primeiro como jogador e agora como treinador, sempre exerci minha profissão em total respeito às leis dos países onde trabalhei e aos contratos que assinei. A parceria profissional que foi alvo das recentes polêmicas surgiu no contexto da minha trajetória de trabalho nos Emirados Árabes Unidos e tem natureza exclusivamente comercial e esportiva.
Atribuir a essa colaboração um significado político significa atribuir a mim convicções que jamais expressei e que não me representam.
Quero agradecer a Paolo Maldini e Leonardo pela estima e pela confiança que demonstraram em mim. Conheço a competência, a seriedade e o amor que ambos sempre dedicaram ao futebol italiano.
Lamento que uma decisão de caráter esportivo tenha sido rapidamente transformada em um debate público que acabou atribuindo à minha pessoa significados e intenções que não me pertencem.
Meu amor pela Itália não depende de um cargo. Ele faz parte da minha história, da minha identidade e continuará a me acompanhar, para sempre.”




