Os últimos M&As de usinas sucroalcooleiras deixaram uma pista sobre o valuation desses ativos depois da euforia do açúcar de anos recentes. E evidenciaram uma característica em comum: foram fechados por um valor abaixo da média dos últimos cinco anos.
Boa parte dessas conclusões está em um relatório detalhado sobre o setor realizado por Odilon Costa, analista do Banco ABC. Uma análise das operações realizadas entre 2022 e 2026 mostra que o valuation das usinas de cana-de-açúcar varia de R$ 220 a R$ 330 por tonelada de capacidade instalada anual.
“Esses valores podem ser influenciados por diversos fatores, como a existência de capacidade de cogeração, qualidade dos ativos, contratos de parceria e necessidade de liquidez, por exemplo”, destaca Costa.
Outras casas confirmam esse patamar. Nas contas de Fernando Soares, head de finanças corporativas da Czarnikow, o intervalo das transações nos últimos anos fica entre R$ 220 a R$ 375 por tonelada de cana.
Esmiuçando os números, é possível ver que o piso das transações está nos M&As realizados mais recentemente.
Um exemplo é a venda da usina Caarapó realizada pela Raízen para a Adecoagro, na semana passada, cujo múltiplo chegou a R$ 217 por tonelada. É um patamar semelhante ao da venda da usina da Tereos para a Viralcool, em janeiro deste ano, que considerou R$ 219 por tonelada.
“O setor está num momento de baixa e os valuations são influenciados por isso”, resume Soares. A visão deriva do comportamento de preços do açúcar próximo ao custo de produção, combinado ao momento macroeconômico de taxas de juros elevadas.
Esse comportamento de virada de ciclo fica evidente ao analisar as transações realizadas há dois anos, no momento de preços mais elevados.
A venda de uma usina da Amerra para a Zilor, em novembro de 2024, avaliou a usina Salto Botelho a R$ 333 por tonelada, segundo Cristian Quiles e Eloi Jacomini, analistas da FG/A.
A transação foi acompanhada por outras em múltiplos mais elevados naquele mesmo ano, como a venda da Bunge Bioenergia para a BP em 2024, que considerou um múltiplo de R$ 448 por tonelada.
“A média de mercado tende a girar em torno de US$ 60 por tonelada”, afirmam os analistas. Eventuais prêmios, na visão deles, podem derivar tanto da expectativa de geração de caixa futura como de outros ativos para além dos industriais — contratos com fornecedores e investimentos em manutenção de entressafra.




