Bloomberg Línea — O cliente que paga a conta de celular antes de usar, com recarga, mudou de operadora entre abril e junho. A Vivo, marca da Telefônica Brasil (VIVT3), ganhou mais clientes desse tipo do que perdeu na comparação com o trimestre anterior, algo que não acontecia desde o fim de 2023, e encerrou junho com 31,9 milhões de linhas pré-pagas.
Já a concorrente TIM (TIMS3) teve uma redução de 660.000 linhas no segmento e fechou o trimestre com 28,2 milhões, perda maior que a do começo do ano e que a do mesmo período de 2025.
A disputa se dá na ponta mais barata do mercado. Na Vivo, o pré-pago responde por 13% do faturamento com telefonia móvel ante 87% dos planos pós-pagos, fatia que ganhou um ponto percentual em 12 meses.
Na TIM, a base de clientes com plano mensal já supera a de recarga em cerca de 5,5 milhões de linhas.
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A Vivo não divulgou quantos clientes de recarga ganhou no trimestre, apenas que o saldo voltou a ser positivo. A base encolheu 6,1% em 12 meses, e sua fatia desse mercado diminuiu no mesmo intervalo, de acordo com dados atribuídos pela operadora à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).
A receita do pré-pago, que chegou a ter queda anual de 10,6% no ano passado, recuou 1,3% agora, sustentada por um gasto mensal maior de cada cliente.
Ações da Telefônica Brasil – Vivo (VIVT3)
Os dados podem ter atraso de ate 20 minutos.
A TIM descreve o mesmo cenário do lado de quem perdeu. A operadora atribui o desempenho à disputa por preço e à queda na frequência com que o cliente volta a recarregar, mas afirma que a receita do segmento caminha para se estabilizar de um trimestre para o outro.
“Apesar do recuo, a linha segue em trajetória de estabilização trimestral frente aos níveis observados no final de 2025”, informou a companhia em seu relatório financeiro.
A terceira grande operadora do país fechou o quadro. O JPMorgan registra que a América Móvil, dona da Claro, teve seu pior trimestre desde 2021 no faturamento com telefonia móvel no Brasil, o mesmo que ocorreu com a TIM.
Para o banco, a repetição do padrão em duas das três maiores pode indicar “saturação de crescimento de receita no mercado”. “A Vivo foi a única operadora a não apresentar deterioração”, escreveu o JPMorgan.
Parte da explicação está no calendário comercial do semestre. A TIM atribuiu o trimestre fraco ao “ambiente competitivo aquecido pelo Dia das Mães e pela Copa do Mundo”, conforme o relatório do JPMorgan, dois eventos que concentraram promoções agressivas de todas as operadoras nas mesmas semanas. Foi um período de aquisição cara para o setor inteiro.
Ações da TIM Brasil (TIMS3)
Os dados podem ter atraso de ate 20 minutos.
Nos planos pós-pagos, onde está a maior parte da receita, a distância entre as duas operadoras ficou maior. A Vivo registrou 786 mil clientes líquidos no trimestre ante 247 mil da TIM, que havia adicionado 451 mil um ano antes. O faturamento móvel subiu 6,6% na primeira, para R$ 10,2 bilhões, e 4,6% na segunda, o pior desempenho desde o fim de 2021.
A diferença chegou à última linha do balanço. A Vivo reportou lucro líquido de R$ 1,572 bilhão, alta de 17% em 12 meses, sustentado pelo que a companhia chamou de “sólido desempenho” na conversão de receita em resultado.
A TIM registrou R$ 1,036 bilhão, avanço de 6,2%, e destacou uma marca própria.
“O lucro líquido normalizado atingiu o maior patamar já observado para um segundo trimestre”, informou a TIM, referindo-se ao resultado descontado de ganhos e despesas que não se repetem.
Visão do sell-side
Os bancos que acompanham o setor anteciparam a reação do mercado. O Citi batizou sua análise da TIM de “Sem inspiração” e a da Telefônica Brasil de “Morna”, enquanto o JPMorgan classificou o desempenho móvel da Vivo como sólido, ainda que abaixo do que esperava em rentabilidade.
Nesta terça-feira (28), a ação da Vivo recuava 7,06%, cotada a R$ 33,44, por volta das 14h (horário de Brasília), enquanto o papel da TIM desvalorizava 7,30%, negociado a R$ 19,93 no mesmo horário.
As recomendações, porém, mantêm uma inversão curiosa. O JPMorgan classifica a TIM como neutra e a Telefônica Brasil como underweight, indicação de exposição abaixo da média do mercado, dizendo manter preferência relativa pela primeira. O Citi também está em neutro para a TIM, com preço-alvo de R$ 24,00 para os próximos 12 meses.
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