Passado o furor pela Copa do Mundo (e a derrota pífia da seleção brasileira), um dos produtos que a Globo apresentou neste período foi o seu TikTok próprio. Ou seria um Instagram próprio? Enfim, é o Globopop (Android, iOS).
O aplicativo de vídeo curto chegou em abril com uma proposta bem básica: apresentar de forma vertical e sucinta os seus conteúdos. Não, o usuário não vai ver uma novela inteira ou um jornal em vídeo na vertical neste começo, mas pílulas.
O app nasce com três prerrogativas:
- Conteúdo curado pela Globo;
- Com isso, não tem fake news ou material de má qualidade;
- Possibilidade de conhecer mais sobre o Brasil através das lentes e dos conteúdos globais.
Assim como acontece em outras plataformas similares, o usuário pode explorar ou seguir canais favoritos. A grande diferença é que, além dos conteúdos da emissora, uma gama de influenciadores e personalidades também colaboram e trazem seus conteúdos.
Mas ainda não é forte como os rivais. Talvez por ser um meio frio.
Na comunicação, Marshall McLuhan explica que há dois meios:
- O meio quente (rádio, cinema, livros), uma mídia de alta definição, pouca interação e muito conteúdo para uma pessoa consumir de forma passiva;
- O meio frio (TV, telefone, conversa presencial) uma mídia de baixa definição, com a pessoa preenchendo lacunas para compreender a mensagem
Parece uma rede social feita por TV para TV. É muito fria. E isso não é o ideal, uma vez que as redes e as plataformas de hoje são um terceiro tipo de mídia, uma metamídia, que combina o quente e o frio. Ou seja, a metamídia tem a interação, o imagético, a criação.
No Globopop, o usuário interage muito pouco. Só pode curtir, compartilhar ou comentar. Não é possível uma pessoa comum gerar vídeo nesta plataforma, só convidados. Outro problema é que a plataforma tem as mesmas propagandas se repetindo o tempo todo, como um anúncio do Mercado Livre com a cantora Anitta – inclusive entrando no meio de um vídeo.
Apesar de ser uma mídia fria, o Globopop tem potencial. Seja com conteúdo próprio ou de terceiros. Mas para isso precisa de algumas evoluções tecnológicas, como melhorar a busca com mais filtros (não apenas em cards ou escrita), mais conteúdo rico de publicidade (clique aqui, compre aqui, clique para falar), conteúdos mais longos e experiência aprimorada com fones de ouvido.
Além disso, há algo que peço para as outras redes com vídeos verticais, mas a Globo poderia sair na frente: um botão para automatizar a visualização. Uma experiência que combinaria um conteúdo rico do Reels/Shorts com a fluência e a efemeridade do Stories.
Abaixo, um exemplo de conteúdo atual do Globopop.




