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Santander Brasil tem lucro e ROE em queda e aumento de provisões. Banco diz que “joga na defesa”

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O Santander Brasil apresentou queda no lucro e na rentabilidade, com lucro líquido de R$ 3 bilhões no segundo trimestre, uma redução de 17,6% em relação ao ano anterior. O retorno sobre patrimônio líquido (ROAE) caiu para 12,5%. O resultado decepcionou investidores, fazendo as units caírem mais de 6%.

O CFO do banco, Carlos Muñiz, destacou que a estratégia de “jogar seguro” visa equilibrar risco e retorno, resultando em aumento na provisão para devedores duvidosos (PDD) e uma receita total de R$ 20,7 bilhões, com crescimento modesto esperado.

A expectativa é que a recuperação ocorra apenas em 2027, com o banco mantendo o foco em operações mais seguras e reduzindo a exposição a produtos de maior risco.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

O Santander Brasil abriu a temporada de balanços dos bancos com queda no lucro e na rentabilidade, com o banco apostando em “jogar seguro” diante do cenário mais duro previsto para este ano.

O banco divulgou na quarta-feira, 29 de julho, que o lucro líquido gerencial recorrente somou R$ 3 bilhões no segundo trimestre, queda de 17,6% em relação ao mesmo período do ano passado e de 20,4% ante o trimestre anterior.

O resultado frustrou as expectativas dos investidores. A Bloomberg apurou que a expectativa dos analistas era de que a última linha do balanço fechasse o trimestre em cerca de R$ 3,5 bilhões.

A rentabilidade também recuou. O retorno sobre patrimônio líquido (ROAE) alcançou 12,5%, 3,4 pontos percentuais abaixo do registrado nos primeiros três meses do ano e 3,8 pontos percentuais inferior ao do mesmo período de 2025.

O balanço está derrubando as units do Santander Brasil. Perto das 12h18, os papéis caíam 6,76%, a R$ 25,80. No ano, os ativos acumulam queda de 23,5%, levando o valor de mercado a R$ 97,4 bilhões.

Na teleconferência com analistas, que não contou com a participação de Gilson Finkelsztain, que acabou de assumir o comando do banco, o CFO do Santander Brasil, Carlos Muñiz, disse que os números refletem decisões de gestão de balanço, com rebalanceamento da carteira de produtos e clientes, em busca de uma melhor relação entre risco e retorno.

Mas, considerando o momento macroeconômico, a expectativa é de que os resultados só comecem a demonstrar sinais mais claros de melhora a partir de 2027.

“Não estamos preocupados com market share neste momento. Estamos muito mais preocupados com o ambiente macroeconômico e em garantir que toda a geração de negócios e toda a originação de crédito sejam rentáveis e compatíveis com o nível de risco que estamos dispostos a assumir”, disse Muñiz. “Prefiro jogar um pouco mais seguro, mesmo se isso está custando no curto prazo.”

Um dos principais efeitos desse “jogo seguro” foi visto na provisão para devedores duvidosos (PDD). O resultado gerencial totalizou R$ 7,6 bilhões, avanço de 20,6% em relação ao trimestre anterior e de 11,5% na comparação anual. Segundo o Santander, a situação pesou especialmente no segmento massificado. O banco informou ainda que a PDD foi afetada por casos específicos do atacado, sem entrar em detalhes.

Já o índice de inadimplência de 15 a 90 dias encerrou o período em 3,3%, leve queda de 0,04 ponto percentual no trimestre e estabilidade em relação ao ano anterior. O banco atribuiu o desempenho à maior seletividade na originação e à gestão ativa dos portfólios.

Outra frente afetada pela postura mais conservadora foi a receita. A receita total somou R$ 20,7 bilhões, aumento de 0,4% na comparação anual e redução de 2,7% em relação ao primeiro trimestre de 2026. A margem financeira atingiu R$ 15,3 bilhões, recuo de 3,0% no trimestre e de 0,4% em 12 meses, enquanto a carteira de crédito ampliada avançou 5,8% no ano e 1,3% no trimestre, encerrando o período em R$ 714,7 bilhões.

Muñiz afirmou que o banco segue reduzindo sua exposição a produtos tradicionalmente mais lucrativos, como o crédito rotativo, e a segmentos considerados mais arriscados, caso do público massificado com renda abaixo de R$ 4 mil, cuja exposição caiu 30% nos últimos 12 meses.

Em contrapartida, a instituição tem concentrado esforços em operações com garantias, incluindo linhas apoiadas por programas governamentais e crédito com garantia imobiliária, além de clientes de alta renda e pequenas e médias empresas (PMEs).

O resultado é que a receita não deve se recuperar tão cedo. A expectativa é de crescimento em low single digits. “Neste momento, o objetivo não é maximizar o crescimento das receitas, mas garantir que não estejamos assumindo riscos excessivos ou fazendo investimentos que possam gerar problemas mais à frente”, afirmou Muñiz.

No caso da PDD, o CFO do Santander disse que também não está otimista com uma melhora em 2026, destacando que ainda será preciso incorporar novas premissas para a economia aos modelos.

“O cenário que será incorporado agora é mais desafiador do que aquele utilizado na atualização anterior. Por isso, não espero efeitos positivos decorrentes dessa revisão. Pelo contrário, é provável que haja algum impacto adicional, possivelmente concentrado no quarto trimestre”, afirmou. “Se tivesse de apontar um horizonte para uma melhora mais consistente, diria que ela está mais para o início de 2027.”

Os resultados do segundo trimestre afastam o Santander de um dos objetivos traçados durante o mandato de Mario Leão: retornar o ROAE ao patamar de 20%.

Na teleconferência, analistas destacaram que o Santander está há tempos na pauta do de-risking, com redução da exposição ao crédito massificado e postura mais cautelosa na concessão de recursos, mas que os resultados dessa estratégia estão demorando a aparecer.

Em relatório, os analistas do Itaú BBA disseram esperar sinais mais concretos já no segundo semestre. “Sem uma projeção para o ano como referência, os dois próximos resultados precisam demonstrar que o recuo está se convertendo em margem ajustada ao risco, em vez de apenas em um spread menor”, afirmaram.

Para Muñiz, a estratégia adotada pressupõe spreads menores, o que não ajuda a acelerar o crescimento das receitas no curto prazo, especialmente no atual cenário macroeconômico. A avaliação, porém, é de que essa abordagem será compensada no médio e no longo prazo, tornando o banco mais robusto para enfrentar cenários voláteis.

Segundo o executivo, a retomada da rentabilidade dependerá de três alavancas: receitas menos dependentes do crédito, operação mais eficiente e normalização da qualidade da carteira. “As decisões que tomamos ao longo desse período ainda precisam de tempo para produzir todos os seus efeitos”, afirmou o CFO.

Para ele, o Santander deve começar a ver “patamares mais razoáveis” de rentabilidade também em 2027.



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