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Symbiosis busca US$ 100 mi para reinventar a indústria madeireira

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COQUEIRO ALTO (BA)* — Jacarandás, louros-pardos, ipês e até pau-brasil compõem um pedaço de uma vasta paisagem de 300 hectares de floresta plantada no sul da Bahia ao longo dos últimos quinze anos. A fazenda leva o nome da empresa responsável por essa atividade: a Symbiosis.

Fundada em 2008, a empresa surgiu a partir da ideia de Bruno Mariani, executivo que migrou do mercado financeiro para o florestal, estimulado pelo potencial de restauração de 12 milhões de hectares de florestas no Brasil.

Mariani começou, então, o trabalho na Symbiosis para recuperação de hectares degradados, criando, ao mesmo tempo, um novo modelo de produção de madeira de alta qualidade, focado em prevenir o desmatamento de florestas naturais.

O primeiro experimento foi essa fazenda, a Symbiosis, de 340 hectares, localizada nas imediações de Trancoso. Depois, vieram mais outras duas fazendas, que somam juntas 1.408 hectares, num projeto-piloto da empresa.

“Começamos com 56 espécies e testamos tanto o melhoramento genético quanto o espaçamento de plantio, por exemplo. Depois de anos de experimentação, focamos em 12 espécies”, conta Alan Batista, CFO da Symbiosis, na visita à fazenda.

Concluído o piloto em 2023, era hora de trazer um investidor institucional. Para dar escala ao projeto, a empresa conseguiu atrair a Apple como investidora em 2024 — a big tech é sócia da Symbiosis Florestal, a subsidiária operacional da empresa.

Com o aporte — de valor não revelado — a Symbiosis vai plantar 5 mil hectares de florestas no sul da Bahia até o ano que vem, entre próprios e arrendados, se comprometendo a preservar 60% desse total. A Apple tem, ainda, a preferência na compra de créditos de carbono gerados por esse reflorestamento.

Ainda como forma de financiar esse projeto, a empresa também captou R$ 77 milhões junto ao Fundo Clima, do BNDES. Mas a companhia quer mais.

A meta para 2026 é captar US$ 100 milhões junto a investidores institucionais (montante dividido entre dívida e equity), com a meta de avançar rumo a mais 10 mil hectares de plantio de floresta nativa. “É um dinheiro que está lá fora, não existe no Brasil”, frisa Batista.

Com o dinheiro novo, a Symbiosis quer trazer mais escala ao modelo atual de produção. Hoje, a empresa trabalha com três fontes de receita: venda de mudas a terceiros, produção de madeira a partir da floresta plantada e créditos de carbono.

Tudo ainda em fase pré-operacional, uma vez que a maior parte das árvores ainda não atingiu maturidade comercial. “O principal é a fabricação de produtos a partir de madeira. É nisso que vamos investir”, diz Batista.

Produção a partir da floresta plantada

Para trazer essa ideia à prática, a empresa vai colocar para operar, a partir do próximo mês, uma serraria construída dentro da própria fazenda Symbiosis. Um projeto de R$ 25 milhões (que contou com dinheiro dos acionistas e uma operação estruturada com o Santander).

A serraria vai consumir 500 metros cúbicos de madeira por mês — o equivalente a 2 hectares de produção de eucalipto, numa comparação simples.

A madeira para abastecer a serraria, por enquanto, vai vir das primeiras áreas plantadas pela empresa. Por enquanto, a serraria vai focar na produção de deques, pisos, forro de cobertura de casa e madeira beneficiada para produzir móveis.

Nas estimativas da empresa, um deque de eucalipto, por exemplo, custa de R$ 2,5 mil a R$ 3,5 mil. Um deque de Ipê, por exemplo, custa de R$ 12 mil a R$ 15 mil por metro cúbico — o que dá uma ideia da valorização que os produtos da empresa podem ter no mercado.

“Temos 25 mil metros cúbicos de eucalipto prontos para serem usados em 2026 e 2027. Além disso, também vamos trabalhar com pedidos spot de Ipê ou Jacarandá. O foco é que seja uma produção pequena, porém certificada”, completa Batista.

A empresa é a única no mercado hoje a oferecer madeira certificada pelo FSC (Forest Stewardship Council), que garante que a madeira ou o papel usados em um produto vêm de florestas manejadas de forma responsável. A expectativa é que o selo, ao longo do tempo, também crie valor para os produtos.

***

A Symbiosis divulga um balanço auditado pela KPMG da subsidiária florestal (que tem a Apple como sócia), o que dá uma ideia do fluxo financeiro do negócio. Em 2025, a subsidiária teve um prejuízo de R$ 6,5 milhões, 47% maior do que o do ano anterior, refletindo aumento de gastos com compra de terras (quase quadruplicando a área) e com consultorias.

O efeito chegou a ser parcialmente compensado pela melhora do resultado financeiro — que não foi suficiente para compensar o aumento dos gastos.

A companhia fechou o ano com R$ 21,1 milhões em caixa e, em fevereiro de 2026, já recebeu R$ 26 milhões referentes à primeira tranche do financiamento com o BNDES. O passivo circulante no final do ano passado era de R$ 3,6 milhões e, o não circulante, de R$ 10,9 milhões.

*A jornalista viajou a convite do Ibá



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