O avanço da produção de soja no Brasil volta a colidir com um gargalo histórico: a falta de infraestrutura de armazenagem. Mesmo com safras recordes ano após ano, a capacidade de estocagem do país não acompanha o ritmo do campo, aumentando os custos logísticos, gerando perdas pós-colheita e retirando o poder de barganha do produtor rural na hora de comercializar o grão.
O Descompasso em Números: Produção vs. Armazenagem
Dados da Datagro escancaram o desequilíbrio estrutural construído ao longo da última década no país:
-
Crescimento da produção: A colheita nacional de grãos avançou, em média, 6,5% ao ano.
Leia também no Agrimídia:
-
Aumento da capacidade estática: O volume de silos e armazéns cresceu apenas 4% ao ano.
-
Déficit acumulado: O Brasil registra hoje um déficit estrutural superior a 130 milhões de toneladas de capacidade de armazenamento.
Sem espaço para estocar a produção dentro ou fora das propriedades, muitos produtores são forçados a vender ou despachar o grão imediatamente após o trabalho das colheitadeiras, aceitando cotações mais baixas e enfrentando fretes rodoviários inflacionados no pico da safra.
O Impacto Estratégico no Centro-Oeste
A escassez de silos afeta com mais severidade os estados do Centro-Oeste, onde a alta produtividade contrasta com a grande distância até os principais terminais portuários de exportação.
Para a liderança do setor, a ampliação da capacidade de estocagem não é apenas uma questão logística, mas um pilar de sobrevivência financeira para o agronegócio:
Para Fabrício Rosa, diretor executivo da Aprosoja Brasil, “o armazenamento é fundamental, em especial para nós que estamos no Centro-Oeste, distante dos portos e em regiões de fronteira. Ele dá segurança à atividade e permite ao agricultor escolher o melhor momento para comercializar sua safra e aproveitar melhores oportunidades de mercado.”
Fonte: Canal Rural




