No início de 1990, quando a internet ainda era uma ferramenta de acesso restrito, a Sun Microsystems teve uma visão: em poucos anos, eletrodomésticos se tornariam dispositivos inteligentes e interconectados. Para surfar nessa tendência visionária, a empresa criou o Green Project, que entre altos e baixos resultaria no Java.
De início, eles apostaram na linguagem de programação C++, mas ela não atendeu a uma série de requisitos, como portabilidade entre diferentes processadores, gerenciamento automático de memória e segurança. Foi aí que os engenheiros James Gosling, Mike Sheridan e Patrick Naughton entenderam que era necessário criar uma nova plataforma, a Oak.
A tecnologia mostrou seu desempenho na prática no protótipo Star7 (*7), uma espécie de PDA com tela colorida e touch, que permitia controlar outros aparelhos domésticos. Junto às novidades, o Duke — que se tornou a mascote do Java — foi criado pelo artista gráfico Joe Palrang e tinha como missão auxiliar o usuário no uso do Star7. Com as inovações visíveis, a Sun solicitou um sistema operacional para decodificadores e uma tecnologia para vídeos sob demanda aos engenheiros.

Duke, mascote da Java. Reprodução/Java.
Em mãos, a empresa apresentou os produtos ao mercado, mas não conseguiu chamar a atenção. O episódio fez com que os 70 integrantes da equipe responsável tivessem diferentes destinos. Enquanto uns acreditavam no futuro da linguagem de programação, outros partiram para novos projetos.
Mudança de rota
Ao longo da década de 1990, a internet foi avançando e mostrando ser uma alternativa para o compartilhamento de conteúdos entre diferentes aparelhos. Após três dias de reflexão, os remanescentes da Sun Microsystems viram na tecnologia um novo caminho e criaram o navegador WebRunner – à posteriori, HotJava – para mostrar todo o potencial da Oak. Com a esperança renovada, a equipe precisou trocar o nome da linguagem, que já era usado por outra companhia, e escolheram Java, termo usado nos EUA para café forte.
Após uma demonstração exitosa, a primeira versão foi disponibilizada a um grupo mais restrito, em 1995. A alpha veio pouco tempo depois e foi lançada no mundo todo, em código aberto, com o objetivo de popularizar o HotJava. A recepção foi positiva, a ponto da equipe receber 8 mil e-mails diários com perguntas técnicas. Naquele mesmo ano, a Sun anunciou o Java também como uma linguagem de programação, que passaria a funcionar no Navigator, da Netscape, o que ajudou na sua projeção.
Para celulares
O lançamento do Java 2 Micro Edition (J2ME) levou a linguagem de programação aos celulares em 1999. LG, Motorola, Nokia e Samsung foram algumas das fabricantes que a incluíram em seus aparelhos. A inovação foi revolucionária na primeira década dos anos de 2000, já que tornou possível fazer downloads de jogos e apps Java na web, como Opera Mini, Prince of Persia e Diamond Rush.


Imagem: reprodução/Wikipedia.
O J2ME foi perdendo espaço a partir de 2007, com os lançamentos do iPhone e do Android que trouxeram suas respectivas lojas de aplicativos, mas o Java seguiu como ferramenta importante do ecossistema de smartphones. Isso porque o Google adotou a linguagem como base especialmente no desenvolvimento de apps.
Só que, em 2010, essa relação ficou estremecida. Naquele ano, a Sun Microsystems foi comprada pela Oracle, por US$ 7,4 bilhões. A nova gestão resolveu travar uma disputa judicial contra a empresa da Alphabet, alegando que ela deveria pagar pelo uso do Java na sua loja de aplicativos. O caso se arrastou por 11 anos, quando a Suprema Corte dos Estados Unidos definiu que o Google não devia desembolsar por uso de propriedade intelectual da Oracle. No entender dos juízes, a utilização da linguagem era um fair use, dispensando a necessidade de autorização.
Logo do Java. Reprodução/Icosix.




