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Pinati vê fibras em snacks como próxima onda de crescimento após faturar R$…

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Bloomberg Línea — A Pinati faturou R$ 40 milhões nos últimos 12 meses e projeta elevar a receita para R$ 60 milhões em 2026 e R$ 200 milhões até 2028, apoiada na expansão do mercado de alimentos funcionais.

Para o fundador e CEO da marca paranaense de snacks, Waldemiro Pereira Terceiro, a próxima onda de crescimento do setor, e da empresa, será impulsionada por produtos ricos em fibras, na esteira da popularização dos medicamentos para emagrecimento.

“A próxima tendência serão as fibras, por causa das canetas emagrecedoras. E a Pinati tem condições, por não ser uma empresa de snacks proteicos somente, de trazer esse tipo de linha e essa solução para o consumidor”, disse Terceiro em entrevista à Bloomberg Línea.

Em setembro de 2025, a Hero Brasil, subsidiária do grupo suíço Hero, dono da Queensberry, adquiriu o controle da Super Saúde Nutricional, empresa responsável pela Pinati.

Segundo o executivo, medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro já reorganizaram o consumo em duas frentes — primeiro com a demanda por doces sem açúcar e, mais recentemente, por snacks proteicos — e devem agora abrir espaço para uma terceira categoria voltada ao consumo de fibras.

“As pessoas estão necessitando comer o doce sem açúcar para poder manter o resultado que elas estão fazendo com o investimento na caneta”, afirmou.

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A segunda onda, segundo o executivo, é puxada pela necessidade de preservar a massa muscular durante o emagrecimento.

“O movimento do macronutriente proteína também está sendo puxado pela caneta, até porque as pessoas estão perdendo peso e massa magra.”

Os números da Pinati refletem essa tendência. Na categoria de proteína, o volume da marca cresce cerca de 93% ao ano, ante 11% do mercado como um todo, segundo dados da consultoria Scanntech citados pelo CEO.

“A categoria cresce 11%, e a Pinati cresce 93%. Isso mostra que estamos entregando soluções em produtos para o consumidor muito alinhadas ao que ele precisa hoje”, disse.

A proteína já representa a maior fatia do mercado auditado. Na região Sul-Sudeste, responde por 41% do segmento de snacks no canal alimentar monitorado pela Scanntech, à frente de barras de cereal (21%), chocolates (20%) e castanhas (16%). Na Pinati, a categoria responde por 44% do faturamento, seguida por chocolates (30%) e castanhas (26%).

A empresa aposta justamente nessa diversificação para acompanhar as próximas mudanças no comportamento do consumidor. Enquanto concorrentes concentram sua atuação em barras proteicas, a Pinati opera em diferentes categorias de snacks, o que, segundo o CEO, facilita a entrada em novos segmentos, como fibras.

“A gente não atua em uma categoria. Isso nos dá, como marca, uma agilidade para atender os próximos movimentos do comportamento do consumidor.”

A companhia também prepara para este semestre o lançamento de uma nova barra de proteína desenvolvida ao longo de um ano e meio a partir de uma solução criada pelo grupo Hero no exterior. O produto terá, segundo a empresa, metade da gordura e do carboidrato das principais marcas líderes.

Batizada de “Minha Primeira Barra de Proteína”, a estratégia busca ampliar o mercado ao atrair consumidores que ainda não compram esse tipo de produto, principalmente por causa do preço, que varia entre R$ 10 e R$ 15 por unidade nas marcas premium.

A aposta ocorre em meio ao aumento da concorrência no segmento. A marca gaúcha PINC, que recebeu aporte da gestora Shift Capital, lançou neste ano uma linha de barras menores, ricas em fibras e com menos calorias, desenvolvida para consumidores de medicamentos para emagrecimento.

Os relatórios da Scanntech mostram que Bold e Nutrata concentram mais da metade das vendas auditadas de barras proteicas.

A Bold tem preço médio de R$ 13,36 por unidade, enquanto a Nutrata é vendida por R$ 10,29. A Pinati ocupa uma faixa intermediária, com preço médio de R$ 7,39, após reduzir em 32,2% o preço por quilo para ampliar participação no mercado.

Em castanhas e cereais sem açúcar, o cenário é diferente. A Banana Brasil lidera com preços mais baixos em um mercado que recua cerca de 10%, enquanto a Pinati mantém preços mais elevados e continua expandindo vendas, estratégia que, segundo relatório da Scanntech, preserva receita mesmo em um ambiente mais desafiador.

O crescimento do segmento também atraiu grandes grupos internacionais. Em setembro de 2025, o grupo suíço Hero, dono da Queensberry e líder em barras na Europa, comprou o controle da Pinati para transformá-la em sua plataforma de expansão na América Latina. Neste ano, a Ferrero, dona de Nutella e Kinder, adquiriu a brasileira Bold.

A consolidação do mercado inclui ainda a M. Dias Branco, que comprou a Fit Food em 2021 e a Jasmine em 2022, e a gestora Moriah Asset, que adquiriu uma participação de 30% na Solo Snacks. Em poucos anos, companhias globais, empresas listadas e fundos de investimento passaram a disputar espaço no segmento de snacks.

Fundada em 2013 em Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba, a Pinati levou 12 anos para atingir faturamento de R$ 40 milhões, crescendo em média 30% ao ano. Terceiro permanece como sócio minoritário e CEO após a venda do controle para a Hero, enquanto a auditoria da companhia passou a ser realizada pela EY.

“A gente está saindo da adolescência e indo para a vida adulta”, disse o executivo.

O próximo desafio será ampliar a distribuição nacional: a marca ainda tem presença limitada em São Paulo, Centro-Oeste e Nordeste, regiões nas quais pretende acelerar a expansão usando a estrutura comercial da Hero.

De Lay’s a Doritos: PepsiCo corta preços de snacks em até 15% para impulsionar vendas





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