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Em carta aos investidores, a Adam Capital alerta que a dívida pública pode dobrar em seis anos devido à falta de compromisso fiscal e aos altos juros reais, que já superam 8%.
A dívida pública atingiu R$ 10,8 trilhões, representando 82% do PIB, e a necessidade de um superávit primário aumentou para cerca de 4% do PIB, enquanto o déficit atual é superior a 1%.
A gestora critica a classe política, que, com a taxa de câmbio relativamente estável, não tem incentivos para implementar reformas necessárias, optando por pautas populistas, como o fim da jornada 6×1.
A Adam também prevê uma aceleração da inflação a longo prazo, apesar da desaceleração temporária do IPCA.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
A dois meses da eleição presidencial, e da ausência, até daqui, de uma discussão sobre a necessidade de reequilíbrio fiscal, o mercado financeiro tem elevado as preocupações sobre o tamanho do buraco da dívida pública.
Em carta mensal distribuída aos cotistas, a Adam Capital, de Márcio Appel, deixou claro a necessidade de um compromisso fiscal relevante para os próximos anos. No documento, a gestora mostra que os juros reais cobrados hoje chegaram a um nível incompatível com a necessidade de manter as contas públicas em um patamar saudável.
E foi direto na previsão: se as condições atuais de gastos públicos e da ausência de uma política mais austera, a dívida pública pode dobrar de tamanho até 2032. Ou seja, uma bomba fiscal pronta para explodir daqui a uma gestão e meia do presidente da República.
“Causa preocupação o fato de que os juros reais cobrados nas NTN-Bs [Nota do Tesouro Nacional] já se encontrem acima de 8%, um patamar claramente insustentável. Nesse ritmo, a dívida pública pode dobrar em apenas seis anos”, diz o documento.
A dívida pública alcançou R$ 10,8 trilhões em junho deste ano, o que corresponde a 82% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados do Banco Central.
Segundo a gestora, a piora no âmbito fiscal tem seguido em ritmo acelerado. A necessidade de um superávit primário justamente para estabilizar a dívida subiu para cerca de 4% do PIB, enquanto a realidade, mais dura, aponta para um déficit acima de 1% do PIB.
“Esse hiato entre o déficit primário observado e o requerido para convergir a dívida nunca foi tão alto. O déficit nominal já chegou nos níveis de 2015 ao atingir 10% do PIB, mesmo com crescimento do índice pelo 6º ano consecutivo”, diz o texto da equipe liderada por Appel.
O problema é que, na visão da Adam, com a questão cambial relativamente equilibrada, não há incentivos, principalmente para a classe política, para que as reformas necessárias andem de fato.
De qualquer forma, segundo a gestora, esta taxa de câmbio, hoje, em uma trajetória favorável, ocorre exatamente às custas de um nível insustentável de juros do ponto de vista da dívida pública. Como o câmbio é uma das maiores “vitrines” observadas pela classe política, não há ambiente para realizar as mudanças.
“Estamos, dessa forma, diante de uma situação em que a fachada da casa é bonita, mas o interior é bastante deteriorado, e essa combinação impede que o observador externo enxergue a necessidade de reformas para que a estrutura da casa permaneça de pé”, afirma.
Com isso, a gestora diz ser natural, sob este aspecto, que as sinalizações que chegam de Brasília caminhem justamente na direção oposta das reformas, e sigam rumo a temas mais populistas, segundo a Adam, como a redução da carga horária e o fim da jornada 6×1.
“Nenhuma dessas pautas vai ao encontro do requerido para a convergência da inflação no longo prazo”, afirma.
A Adam também falou que a desaceleração do IPCA no meio do ano (de 0,06% em julho), na prática, é conjuntural e temporário, decorrente de uma sazonalidade favorável e da intervenção do governo nos preços dos combustíveis.
“Nosso cenário de longo prazo segue sendo de aceleração de inflação. Não visualizamos um forte aumento da taxa de desemprego que possa reverter essa dinâmica altista da inflação de serviços, que segue em torno de 6%”, diz o texto.
A avaliação da Adam Capital não é a única, entre as gestoras, que tem trazido preocupações sobre os rumos da dívida pública e da necessidade do ajuste fiscal.
Em junho, o NeoFeed mostrou que Luis Stuhlberger, fundador e CEO da Verde Asset, enxergava que a maioria dos candidatos a presidente iria praticar “estelionato eleitoral” durante a campanha, sem abordar a necessidade de um reequilíbrio das contas públicas.
“Ninguém vai falar em ajuste fiscal na campanha e isso vai ser um estelionato eleitoral. O único candidato ‘sincericida’ e que vai falar isso claramente é o Renan Santos”, disse, na ocasião.




