O Brasil possui algo próximo de 6 bilhões de chamadas por mês autenticadas pelo Origem Verificada (antigo Stir/Shaken), algo equivalente a 30% do tráfego nacional mensal de um volume que varia entre 25 bilhões e 30 bilhões de chamadas. A informação foi compartilhada por Raphael Garcia de Souza, gerente de controle de obrigações gerais da Anatel, durante o Anti Scam Forum, evento organizado pela GASA em parceria com Santander na última quinta-feira, 7.
Para efeito de comparação, o protocolo de segurança contra spoofing telefônico (técnica para mascarar o número telefônico e se passar por uma empresa idônea em um golpe) acumulou 35 bilhões de ligações em 2025 e nos três primeiros meses do ano aglutinou pouco mais de 1,6 bilhão de ligações autenticadas.
Em conversa com Mobile Time, Garcia de Souza explicou que o avanço do Origem Verificada ocorreu com a entrada no programa dos grandes chamadores, as empresas que fazem mais de 500 mil ligações mensais, após o regulador aplicar medidas cautelares obrigando-os a entrar no Stir/Shaken. Explicou ainda que a Anatel monitora de perto os 20 grandes chamadores mensalmente para avaliar se a autenticação está devidamente operacional nessas empresas.
Agora, o plano é seguir com a meta de ter 100% das ligações no Origem Verificada até 2028.
Stir/Shaken acelerado e sua tecnolgia
Durante um painel no evento, o senior head de segurança corporativa e inteligência do Santander no Brasil, Roberto Troncon, afirmou que esperar por três anos soa “angustiante” e questionou se seria possível antecipar a adoção da tecnologia. O representante da reguladora afirmou que a data limite de 2028 é apenas “o virar da chave”, mas que a adoção está acelerada. E afirmou que existe a possibilidade de adiantar o cronograma, pois as prestadoras de telecomunicações possuem a intenção de acelerar os prazos.
Garcia de Souza reforçou ainda que o ideal é que mais empresas façam a adesão ao sistema: “A mensagem que trazemos aqui é: se você é uma instituição financeira ou empresa idônea, faça a adesão ao Origem Verificada”.
Vale notar que o resultado mensal obtido pela Anatel ultrapassa a meta original de 2,5 bilhões de ligações autenticadas, dada em março deste ano.
Tecnologia do Origem Verificada

Roberto Troncon, senior head de segurança corporativa e inteligência do Santander no Brasil (crédito: Henrique Medeiros/Mobile Time)
Criado como um sistema que garante a rastreabilidade, a autenticação e a identificação visual de empresas idôneas em ligações para seus consumidores, o Stir/Shaken foi feito para reduzir golpes e fraudes telefônicas por meio da rede celular brasileira. A autenticação funciona ao reconhecer essas companhias e identificá-las com um selo de verificação (‘check’ na cor verde) que aparece na tela do celular.
Para receber ligações autenticadas, o sistema exige que as operadoras tenham rede LTE VoLTE ou acima (5G, por exemplo) e os consumidores devem ter smartphones compatíveis com essas tecnologias. Para esta publicação, o gerente da agência reguladora explicou que a estimativa da Anatel é de que 70% do parque nacional de handsets esteja apto a receber ligações autenticadas pelo Origem Verificada.
Segurança e cibercrime
No painel, Garcia de Souza explicou que esta não é a única ação da Anatel contra fraudadores e golpistas. Além do Origem Verificada, a reguladora tem:
- Grupo de apoio à segurança pública (GT Seg) com subgrupos dedicados ao Celular Legal, quebra de sigilo, combate às fraudes, ao lado de operadoras, bancos e sociedade civil;
- Projeto de combate à fraude com clonagem em chips telefônicos (SIM Swap), ao colocar identidade biométrica em 100% das linhas telefônicas móveis no Brasil, algo que está em curso junto com as operadoras que fazem identificação biométrica em seus cadastro de clientes;
- Combate às chamadas massivas (robocalls) ao estabelecer regras de tráfego razoáveis para comunicações legítimas nos grandes chamadores, ao mesmo tempo que identifica os players que geram tráfego abusivo e/ou fraudulento – vide o uso de automação para disseminar golpes e fraudes por telefone.
Contudo, o escopo pode ficar maior.
Anatel contra o cibercrime
A CEO e fundadora do Instituto Nacional de Combate ao Cibercrime (INCC), Luana Tavares, afirmou no evento que a Anatel pode assumir o papel principal de atuação na cibersegurança brasileira a partir do Marco Legal de Cibersegurança (4.752/2025). O projeto de lei de autoria do do senador Esperidião Amin (PP/SC) criará a Autoridade Nacional de Cibersegurança (ANC) (PP/SC, um órgão central para regular, auditar e fiscalizar os padrões de segurança digital no país e que poderá ser sustentado por impostos pagos por bets e parte do orçamento da segurança pública nacional.
A Anatel seria a agência responsável pela cibersegurança brasileira durante o período transitório de criação da ANC.
Atualmente, o Marco Legal de Cibersegurança foi aprovado pela Comissão de Constituição, Cidadania e Justiça (CCJ) do Senado e está em discussão na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática (CCT) da Casa. Apesar de o tema estar em voga e avançado nas conversas da comissão, Tavares tem poucas esperanças de que o texto seja votado neste ano, devido às eleições ganharem espaço na agenda dos congressistas nos próximos meses.




