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Por Giseli Cabrini
Além de ganhos operacionais, o QR Code Padrão GS1 — também conhecido como código 2D — chega para imprimir uma nova era na cadeia nacional de abastecimento, funcionando como uma ferramenta adicional de relacionamento e transação entre quem produz, distribui e consome produtos.
Há 50 anos, o código de barras marcou o fim dos sistemas manuais de precificação e etiquetagem no caixa, permitindo a identificação rápida e padronizada dos produtos e automatizando operações como checkout, controle de estoque e gestão da cadeia de abastecimento.
O QR Code Padrão GS1 representa um novo avanço. Além de identificar o item, permite associar e compartilhar informações adicionais, como lote, validade, origem e dados de rastreabilidade, criando uma conexão mais dinâmica entre indústria, varejo e shopper. Segundo a gerente de Negócios e Educação da Associação Brasileira de Automação Comercial – GS1 Brasil, Flávia Ponte, é possível agregar cerca de 200 informações ao código.
Já presente no dia a dia de redes como Supermago Supermercados e Jaú Serve, e em fabricantes como a Nestlé, a adoção dessa nova solução gera ganhos de eficiência operacional e rentabilidade, contribui para a redução de perdas e amplia a interatividade com todos os envolvidos na cadeia supermercadista, desde quem trabalha no setor até quem compra os produtos.
Ainda que a transição seja gradual — com a expectativa de que os dois códigos coexistam por um período —, o código 2D já apresenta ganhos concretos para quem adota a solução, segundo o painel “Como a captura de dados pode transformar a eficiência e o engajamento do consumidor”, realizado durante o Brasil em Código, congresso de inovação, negócios e tecnologia promovido pela GS1 Brasil, em 6 de agosto, em São Paulo.
Benefícios práticos do QR Code GS1 na operação do varejo
Na rede gaúcha Supermago, dona de seis lojas, a adoção do QR Code Padrão GS1 trouxe benefícios em relação à eficiência operacional de perecíveis, em particular na área de açougue, reduzindo perdas especialmente relacionadas a itens próximos ao vencimento.
As vantagens envolvem ainda ganhos de produtividade e de sustentabilidade:
- Redução de 10% no tempo para a realização das tarefas
- Diminuição de 33% no uso de materiais como plásticos e bandejas
“Toda quarta-feira, nós realizamos nossa promoção na seção de carnes. Antes, tínhamos de trocar bandeja por bandeja. Com o código 2D, essa substituição não é mais necessária”, explicou a diretora-executiva do Supermargo, Patrícia Machado.
Experiência do shopper: interatividade e IA no ponto de venda
Além disso, foram instalados totens nas lojas que tornam o processo de compra mais interativo graças ao novo código. Quando os consumidores aproximam a bandeja de carne desses equipamentos, podem obter eventuais descontos nesses itens, além de acesso a dicas de receitas e produtos complementares. Há opção também de fazer isso a partir dos aparelhos celulares.
“Isso é importante para estimular a interação do shopper com esse código bidimensional”, disse Patrícia.
Segundo a executiva do Supermago, essa evolução da operação do açougue tem tido o suporte de outra tecnologia: o uso de inteligência artificial (IA). “Os agentes orientam nossos colaboradores por meio do WhatsApp não só a respeito de produtos próximos ao vencimento, mas sobre abastecimento, dando mais agilidade a esses processos.”
Gestão de lote e validade: o case da rede Jaú Serve
O supermercado Jaú Serve, por sua vez, adotou o QR Code Padrão GS1 em produtos de fabricação própria, como os de padaria e confeitaria, para controlar de forma automática o lote e a validade.
“Essa solução permite que as decisões para evitar perdas sejam tomadas de forma muito mais rápida e ágil, o que é extremamente relevante para nós, uma rede de mais de 65 anos que chegará a 49 lojas até o fim deste ano”, afirmou a executiva de Controller/Planejamento Estratégico da rede Jaú Serve e integrante do Comitê de Eficiência Operacional da ABRAS, Lilia Maria Gualda Coelho.
Segundo Lilia, embora nem todas as lojas da rede já utilizem a solução, a transição é mais simples do que parece, uma vez que não demanda grandes investimentos — dado todo o suporte oferecido pela GS1. O maior desafio, de fato, é o envolvimento de todos para que isso aconteça, incluindo a indústria.
Rastreabilidade e engajamento da indústria: o exemplo da Nestlé
Nesse sentido, Lilia destacou a parceria com a Nestlé, que também saiu na frente ao adotar o código 2D inicialmente no portfólio de sopas da marca Maggi.
Além da rastreabilidade, o QR Code Padrão GS1 permite monitorar o tempo de prateleira (shelf life) e a disponibilidade dos produtos, agregando valor para todos os elos da cadeia. Outra vantagem é transformar as embalagens em ferramentas interativas, oferecendo:
- Tabela nutricional detalhada
- Origem dos produtos
- Formas de descarte consciente
- Acesso rápido a receitas
“Com isso, atendemos principalmente a demandas da geração Z, cada vez mais preocupada com rastreabilidade e sustentabilidade. E é só o começo: a ideia é estender o uso do QR Code padrão GS1 — serão nove marcas até o fim deste ano —, com evolução constante até alcançar todo o nosso portfólio”, detalhou o especialista em Transformação Digital na Nestlé Brasil, Bruno Oliveira.
Ele destacou ainda a agilidade que a solução traz a processos críticos como o de um eventual recall.
Inteligência artificial e gestão de estoque: o impacto da plataforma Nesplenish
Oliveira também citou o Nesplenish, plataforma proprietária da Nestlé desenvolvida no Brasil para otimizar a gestão de estoque e abastecimento do varejo por meio de IA, modelos estatísticos e análise avançada de dados.
Segundo informações divulgadas pela Nestlé, pela ferramenta, os varejistas simulam e visualizam recomendações automáticas de pedidos, acompanham níveis de estoque, estimam cenários de abastecimento e acessam insights para reduzir rupturas — além de exportar relatórios e validar ajustes de pedidos.
De acordo com a companhia, após a implementação de metodologias que priorizam a captura, análise e compartilhamento de informações entre varejo e indústria, apoiadas por ferramentas de IA, o índice de OSA (On Shelf Availability) — métrica que mede a disponibilidade de produtos na gôndola — passou de 92,9% em 2023 para 94,4%.




