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A reabertura deste shopping ilustra recuperação desigual de Los Angeles após incêndios

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Bloomberg — Há uma intensa atividade de construção em Pacific Palisades, mais de um ano e meio depois que um incêndio florestal devastou o enclave de Los Angeles, em um dos maiores desastres do gênero na história do Sul da Califórnia. Há também muita frustração.

No coração da comunidade, o luxuoso shopping center Palisades Village reabriu neste sábado (15) após uma restauração de US$ 100 milhões realizada pelo incorporador bilionário Rick Caruso, um marco na recuperação da região.

Manequins parcialmente vestidos estão expostos nas boutiques A.L.C., Brunello Cucinelli e Elysewalker. A Erewhon estocou produtos frescos para seus smoothies exclusivos. Os freezers estão resfriados na McConnell’s Fine Ice Creams.

“É um capítulo significativo na jornada de reconstrução daqui”, disse Caruso durante uma entrevista em seu shopping center, onde equipes de trabalho estavam finalizando as calçadas e montando as cadeiras dos restaurantes. “Certamente não é o fim.”

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Sinais de renascimento cercam o complexo, desde equipes de construção em caminhonetes congestionando as ruas próximas até o barulho de ferramentas elétricas enquanto os trabalhadores erguem estruturas de madeira para as casas.

Mas por trás dessa atividade há uma divisão gritante: aqueles com recursos financeiros para seguir em frente estão fazendo isso, enquanto muitos moradores ainda aguardam pagamentos dos seguros e ajuda do governo. Outros, ainda, desistiram completamente.

Caruso, que protegeu o Palisades Village durante o incêndio devastador de janeiro de 2025 com bombeiros particulares e caminhões-pipa, investiu seu próprio dinheiro na restauração do local.

Nas proximidades, proprietários abastados e incorporadores estão reconstruindo casas multimilionárias, e compradores estão pagando cerca de US$ 2 milhões por alguns terrenos que foram totalmente destruídos pelo fogo.

Para a maioria das pessoas que perderam suas casas, ainda há um longo caminho pela frente — se é que elas vão mesmo voltar. Menos de um terço dos proprietários de casas destruídas recebeu licenças de reconstrução em Palisades, e apenas 1% das casas foram concluídas.

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Essa recuperação desigual deve remodelar uma comunidade centenária, outrora conhecida como “Mayberry by the Sea” por seu clima de cidade pequena.

“Vocês vão perder um pouco desse charme nesta comunidade, o que considero lamentável”, disse Caruso.

“Mas, ao mesmo tempo, são 1,1 mil hectares com vista para o Oceano Pacífico, e trata-se de um imóvel realmente excelente; provavelmente será a melhor comunidade para se viver nos Estados Unidos, pois tudo será novo.”

Rick Caruso contratou bombeiros particulares para salvar o Palisades Village de um incêndio e gastou US$ 100 milhões para limpar e reabrir o shopping center.​​​​​​ (Foto: Maggie Shannon/Bloomberg)

Originalmente construído na década de 1920, o Pacific Palisades cresceu em torno de um traçado quadriculado de ruas — apelidadas de “Ruas do Alfabeto” devido aos seus nomes em ordem alfabética — com pequenos lotes e casas modestas acessíveis para os cidadãos locais de classe média, que desfrutavam da brisa fresca do oceano em um enclave delimitado pelo mar, pelas Montanhas de Santa Mônica e pelo abastado bairro de Brentwood.

Sua atmosfera aconchegante persistiu por décadas, mesmo com as casas originais sendo substituídas por mansões luxuosas construídas por financistas recém-chegados e celebridades de Hollywood, como Tom Hanks, Kate Hudson e Ben Affleck. Antes do incêndio florestal, os preços médios das casas haviam disparado para US$ 4 milhões.

Rich Wilken, de 79 anos, um morador de Palisades de terceira geração que perdeu sua casa de 47 anos no incêndio, disse que cresceu surfando com vizinhos famosos, mas despretensiosos, incluindo o ator Bob Denver, da série Star Trek, e a garota que inspirou seu pai a escrever The Little Princess. Esses tempos não voltarão com a reconstrução.

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“Vão ser mais pessoas com mais dinheiro”, disse Wilken, que é arquiteto. “No Chipotle, um cara me perguntou se poderia furar a fila porque seu Lamborghini estava estacionado em fila dupla.”

O incêndio de Palisades, que segundo os investigadores foi provocado por incêndio criminoso, destruiu mais de 6,8 mil edifícios na região. Ele eclodiu poucas horas antes de o incêndio de Eaton arrasar grande parte de Altadena, a leste de Los Angeles. Juntos, os incêndios deixaram 31 mortos e causaram mais de US$ 40 bilhões em danos cobertos por seguros.

“As pessoas perderam suas casas, seus meios de subsistência e, em alguns casos, seus entes queridos”, disse Traci Park, vereadora de Los Angeles que representa a região de Palisades.

“Agora, elas estão enfrentando as seguradoras, vendo suas economias desaparecerem e tendo que tomar decisões que nunca imaginaram ter que tomar. Quando se vive isso todos os dias, é perfeitamente compreensível sentir que o resto do mundo seguiu em frente. Francamente, em grande parte, isso de fato aconteceu.”

Politicamente, os esforços de recuperação tiveram repercussão até em Washington. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, crítico ferrenho do governo Trump, afirmou que o governo federal está deixando de repassar os fundos de ajuda, com mais de US$ 15 bilhões em pedidos ainda não pagos.

“Embora a Califórnia tenha feito progressos, os sobreviventes dos incêndios florestais ainda aguardam o financiamento federal para desastres prometido pelo presidente Trump há 18 meses”, afirmou o gabinete de Newsom em comunicado enviado por e-mail. “É hora de o presidente cumprir suas obrigações.”

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O governo “destinuou quase US$ 2,6 bilhões” para assistência às vítimas dos incêndios florestais e prorrogou o prazo para que proprietários e locatários solicitem indenização, afirmou Lauren Bis, porta-voz da Casa Branca. Ela disse que Newsom está tentando transferir a culpa por “sua péssima gestão” dos incêndios e dos esforços de recuperação.

“A recuperação após desastres deve ser gerenciada por líderes locais e estaduais, com assistência complementar fornecida pelo governo federal”, disse Bis.

O incêndio, considerado criminoso, destruiu mais de 6,8 mil edifícios e causou aproximadamente US$ 40 bilhões em danos. (Foto: Maggie Shannon/Bloomberg)

A lenta recuperação também se tornou um problema político para a prefeita Karen Bass, que luta para manter seu cargo em novembro. Bass, que estava em uma viagem diplomática à África quando o incêndio começou, enfrentou críticas intensas sobre a resposta da cidade. Ela atribuiu a culpa às seguradoras, às instituições financeiras e ao governo federal pelo ritmo lento da reconstrução.

“Neste momento, os maiores obstáculos são as seguradoras que não pagam aos moradores de Palisades o que lhes é devido e os bancos que não lhes concedem financiamento para que possam seguir em frente”, afirmou ela em comunicado.

Mas é difícil não perceber os sinais da indignação que Bass enfrenta em Palisades. Os visitantes que entram no bairro pela Chautauqua Boulevard são recebidos por uma faixa com os dizeres “Eles nos deixaram queimar!”, afixada por um grupo que culpa a prefeitura tanto pela destruição causada pelo incêndio quanto pela lenta recuperação.

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Nithya Raman, vereadora que concorre contra Bass no segundo turno de novembro, aproveitou a recuperação desigual para acusar a prefeita de não ter nomeado alguém para supervisionar a reconstrução nem preparado adequadamente a cidade para desastres futuros.

“O período imediatamente após o incêndio foi caótico, e o esforço de reconstrução tem sido indefensavelmente lento”, afirmou Raman em comunicado.

Maryam Zar, cofundadora da Palisades Recovery Coalition, afirmou que Bass tem se concentrado em outros problemas de Los Angeles em detrimento dos esforços de reconstrução.

Maryam Zar, uma ativista de Palisades, afirmou que a reconstrução tem carecido de liderança e visão. (Foto: Maggie Shannon/Bloomberg)

“O prefeito tem estado ausente”, disse Zar. “Isso é emblemático da falta de liderança e visão que tem marcado essa recuperação.”

Em um sinal de insatisfação, Spencer Pratt, um ex-astro de reality shows apoiado por Trump, obteve quase 60% dos votos no distrito eleitoral de Pacific Palisades nas primárias para prefeito em junho, após transformar a perda de sua casa no incêndio em uma campanha viral contra Bass. Ele acabou não conseguindo ficar entre os dois primeiros colocados em toda a cidade.

‘Decepção’ com os vizinhos

Além das residências, a infraestrutura necessária para sustentar a reconstrução de Palisades está longe de ser uma realidade. Um plano de seis anos, no valor de US$ 78 milhões, para melhorar o sistema de abastecimento de água está apenas começando, de acordo com uma apresentação realizada em junho pelo Departamento de Água e Energia de Los Angeles. O Reservatório de Santa Ynez, principal fonte de água potável e de emergência da região, ficará fora de operação até dezembro.

As estradas estão cheias de buracos causados pelo tráfego intenso de caminhões e pelas novas tubulações de gás. A iluminação pública ainda não foi substituída. Nenhuma data de reabertura foi definida para os supermercados Ralphs e Gelson’s, que foram destruídos pelo incêndio, embora ambas as empresas afirmem que planejam retornar.

“Estou muito decepcionado com meus vizinhos comerciais”, disse Caruso. “Há muito pouco, se é que há alguma coisa, acontecendo enquanto estamos aqui sentados.”

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Com tão poucas opções disponíveis, os compradores de imóveis estão pagando preços mais altos por lotes com vista e aqueles mais próximos do Palisades Village, de Caruso, de acordo com Dan Urbach, corretor imobiliário da Compass.

Até agora, neste ano, foi vendido cerca de um lote por dia, a preços médios de cerca de US$ 2 milhões por lote, disse ele. Lotes com casas reconstruídas provavelmente custarão US$ 4 milhões ou mais, disse ele, tornando Palisades um dos bairros mais caros da Califórnia.

“Será a nova cidade resplandecente na colina”, afirmou ele. “É o valor do terreno. Não há mais terrenos sendo criados.”

Muitos vendedores são idosos que moram há muito tempo em Palisades, para quem a reconstrução será muito cara ou demorará muito tempo.

Mary Jo Stirling, de 86 anos, disse que cerca de metade das mulheres de seu grupo semanal de bocha decidiram não voltar a morar lá. Ela é uma exceção. Sua casa projetada sob medida, com três quartos e dois banheiros, está em construção no terreno onde ela morava desde 1986.

Stirling contratou a Cosmic Buildings, uma empreiteira que utiliza tecnologia avançada para projetar e construir casas de forma mais rápida e econômica do que as construtoras tradicionais especializadas em projetos personalizados, explicou ela. A casa deve estar pronta para ser ocupada no próximo ano. Seu seguro cobre a maior parte do custo de construção, que chega a quase US$ 1 milhão.

Stirling está morando em um apartamento na vizinha Santa Mônica enquanto aguarda a reconstrução de sua casa. Ela joga bocha às terças-feiras em um parque restaurado em Palisades e, depois, sai para almoçar com seus colegas de jogo. Ela está ansiosa para voltar a comer no Palisades Village.

“Mal posso esperar para ir ao McConnell’s tomar sorvete”, disse ela.

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