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As big techs têm US$ 3 trilhões “ainda invisíveis” de investimentos em IA

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Os investimentos das big techs em inteligência artificial (IA) estão crescendo rapidamente, com um levantamento do The Wall Street Journal revelando que nove das principais empresas americanas têm cerca de US$ 3 trilhões em compromissos fora de seus balanços, muitos direcionados a projetos de IA.

Esses valores superam os investimentos tradicionais em capital, que somaram cerca de US$ 600 bilhões em 2025.

A Meta, por exemplo, não inclui em seu balanço o projeto Hyperion, um data center de US$ 27 bilhões, devido a arranjos financeiros que a isentam de registrar passivos.

Além disso, contratos de longo prazo e obrigações futuras, como os da Alphabet e Nvidia, também permanecem fora dos balanços até que os serviços sejam entregues.

Essa situação levanta preocupações sobre a capacidade das big techs de cumprir esses compromissos, podendo levar a uma necessidade maior de empréstimos e dificultando a avaliação da alavancagem total pelas partes interessadas.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A cada trimestre, os investimentos das big techs têm crescido substancialmente na trilha da inteligência artificial (IA). Na mesma proporção, esses cheques cada vez mais polpudos têm sido acompanhados pelas preocupações do mercado sobre quando – e se – essa corrida desenfreada trará resultados.

O fato é que essa fatura, ao que tudo indica, é ainda maior, o que só reforça esses sinais de alerta. É o que mostra uma reportagem do The Wall Street Journal, que vai além dos números publicados pelas grandes companhias de tecnologia.

De acordo com um levantamento realizado pelo jornal americano, nove das principais big techs americanas tinham cerca de US$ 3 trilhões em compromissos fora dos seus balanços. E boa parte desses recursos tem como destino justamente os projetos de IA.

Para chegar a essa conta, o The Wall Street Journal analisou as notas explicativas dos registros mais recentes de companhias como Alphabet, Amazon, Nvidia, Meta e Microsoft na Securities and Exchange Commission (SEC), a “CVM” dos Estados Unidos.

Esses volumes estão crescendo mais rapidamente do que o capex tradicional dessas empresas, que somou cerca de US$ 600 bilhões em 2025. O montante também representa aproximadamente o triplo do que essas companhias acumulam em contratos de arrendamento e empréstimos de longo prazo.

A publicação ressalta que o grupo – que inclui ainda Broadcom, SpaceX, Oracle e AMD – está fazendo apostas enormes com base em suposições sobre qual será a demanda pela IA daqui a alguns anos e, por consequência, a infraestrutura necessária para acompanhar essa procura pela tecnologia.

Como parte dessa equação, essas companhias alimentam a esperança de que consigam cumprir facilmente todos esses compromissos com a receita futura gerada a partir desse boom, à medida que consumidores e empresas americanas adotem a IA em todos os contextos das suas vidas e operações.

Em contrapartida, caso essas premissas se mostrarem equivocadas, os recursos reservados para garantir essa capacidade futura por trás da tecnologia pode se tornar um grande fardo para as big techs e seus investidores.

Um dos exemplos citados para explicar como esses investimentos acabam não aparecendo nos balanços das empresas é o Hyperion, projeto gigantesco de data center da Meta, de Mark Zuckerberg, no estado da Louisiana, que equivale a cerca de 1,7 mil campos de futebol.

Embora a Meta esteja por trás do seu desenvolvimento, nem o projeto nem os US$ 27 bilhões em dívidas que vão financiar sua construção são citados no balanço da empresa. Fundos geridos pela Blue Owl Capital detêm a maioria das ações de uma joint venture que é a proprietária do projeto.

Como parte desse arranjo, a Beignet Investor, holding que detém uma fatia da Blue Owl, levantou os recursos para financiar o Hyperion por meio de uma venda de títulos. Já a Meta figura é sócia minoritária e inquilina do projeto, e seus aluguéis vão ajudar a pagar os detentores desses bonds.

Inicialmente, a Meta concordou em arrendar o Hyperion por um prazo de quatro anos, a partir de 2029, com opções de renovação por até 20 anos, além de garantir que reembolsaria integralmente os detentores dos títulos caso não permanecesse no local por todo esse período.

Sob esses termos, a companhia não registrou nenhum passivo em seu balanço, dado que não considera provável o cumprimento dessa garantia. Ao mesmo tempo, em linha com as normas contábeis, até que sejam iniciados, os pagamentos de aluguel referentes ao Hyperion seguirão fora do resultado reportado.

Segundo a Meta, seu compromisso inicial com esses pagamentos é de aproximadamente US$ 12,3 bilhões. Em junho, a companhia reportou um total de US$ 347 bilhões em obrigações totais referentes a arrendamentos ainda não vigentes, incluindo o montante do Hyperion.

Entre as empresas analisadas, os valores reservados para contratos dessa modalidade ainda não iniciados totalizaram US$ 1,2 trilhão, ou cerca de quatro vezes do que o divulgado por essas companhias um ano antes.

O levantamento também inclui o hardware instalado nesses data centers, bem como os processadores usados para treinar e executar os modelos, e os chips de memória que armazenam os dados. Para ter acesso a esse pacote, as empresas firmam contratos de longo prazo com bastante antecedência. A

Nessa direção, os números analisados somam US$ 1,9 trilhão, cifra que, pelas normas contábeis, também permanece fora dos balanços patrimoniais até que um produto ou serviço seja entregue pelos fornecedores.

Aqui, um exemplo citado é a Alphabet, que viu essa linha alcançar US$ 811 bilhões entre abril e junho, contra US$ 332 bilhões, três meses antes. É difícil, porém, determinar o que a holding por trás do Google exatamente planeja comprar a partir dessa cifra.

A companhia ressaltou que o montante se refere, principalmente, à “infraestrutura técnica e estoque”, além de “acordos para garantir energia em data centers”. As obrigações desses contratos se estendem até 2054.

A conta trilionária também inclui acordos para a compra de ações de outras empresas no futuro ou contratos de locação para outras companhias. A Nvidia, por exemplo, se comprometeu a fazer aportes de US$ 27 bilhões em ações entre 26 de abril e janeiro de 2027, quando se encerra o seu ano fiscal.

O jornal observa ainda que a escalada desses números é um sinal preocupante de que algumas dessas big techs, que antes pareciam ter balanços sólidos, talvez precisem recorrer a empréstimos com mais frequência. E cita um relatório do Morgan Stanley, de abril, para reforçar outro ponto.

“À medida que esses compromissos fora do balanço se tornem mais frequentes, maiores e mais complexos, está ficando cada vez mais difícil para os investidores avaliarem a alavancagem potencial total das empresas”, escreveram os analistas do banco americano.



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