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Vítima é identificada e motorista que provocou morte é preso por suspeita de racha • Marília Notícia

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Delegado Adriano Marreiro foi ao local para o início das investigações (Foto: Alcyr Netto/Marília Notícia)

A Polícia Civil identificou como Luciano Paulo da Silva, de 50 anos, o motociclista que morreu em uma colisão na noite deste domingo (16), na Estrada Municipal Danilo Gonzalez, entre Marília e o distrito de Avencas. Inicialmente registrada como acidente de trânsito, a ocorrência passou a ser investigada como possível homicídio doloso, diante da suspeita de que o motorista envolvido participava de um racha.

Luciano, que era autônomo e morava em Avencas, foi encontrado caído na pista, nas proximidades do Condomínio Terras de Santana. O acidente aconteceu por volta das 19h15.

Quando os policiais militares chegaram ao local, uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) tentava reanimar a vítima. Após alguns minutos de atendimento, o médico responsável constatou a morte.

Luciano não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local (Divulgação: Prever)

Ao lado do motociclista estava uma Honda CG destruída. Um GM Kadett, também danificado, foi encontrado abandonado dentro de uma propriedade rural às margens da estrada, depois de uma cerca. Nenhum ocupante estava no veículo.

Segundo informações colhidas pela polícia, ninguém permaneceu no local para prestar socorro. Populares disseram não ter presenciado a colisão, mas relataram ter ouvido um forte ruído compatível com um acidente de grande impacto.

Investigação

Durante o atendimento, os policiais receberam a informação de que um casal havia procurado a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da zona sul com ferimentos que poderiam estar relacionados à colisão. No local, foram encontrados um homem, identificado como Diego Maranho da Silva de 44 anos, e uma mulher, de 59, ambos lesionados.

O homem afirmou que dirigia o Kadett no sentido Marília e alegou que a motocicleta teria surgido na pista contrária. A versão ainda será confrontada com a perícia, os danos nos veículos, imagens de videomonitoramento e outros vestígios.

O motorista foi submetido ao teste do etilômetro, que apontou resultado de 0,37. O dado será analisado em conjunto com outros elementos para verificar eventual alteração da capacidade psicomotora.

A suspeita de racha surgiu após a análise preliminar de imagens de câmeras de segurança do Condomínio Terras de Santana. As gravações mostram três veículos trafegando em alta velocidade e muito próximos uns dos outros, por volta das 19h, no sentido de Avencas para Marília, pouco antes da colisão.

Devido à distância e às condições de luminosidade, ainda não foi possível identificar marcas, modelos, placas ou cores dos veículos.

Para o delegado Adriano Marreiro, a disposição dos automóveis, a velocidade aparente e a proximidade entre eles são compatíveis, em análise preliminar, com uma possível disputa automobilística não autorizada, conhecida como racha. Logo após a passagem dos veículos, as imagens registraram o forte ruído associado à colisão.

A polícia também encontrou uma peça que posteriormente foi identificada como pertencente a um GM Corsa prata. O fragmento foi apreendido e será periciado para verificar se o veículo participou da colisão.

A perícia deverá analisar marcas no pavimento, posição final dos veículos, fragmentos, fluidos, danos e outros vestígios que possam esclarecer a dinâmica do acidente.

Prisão

A Polícia Civil também apura a saída dos ocupantes do Kadett do local sem prestar assistência à vítima. Populares relataram ter visto pessoas próximas ao veículo dizendo repetidamente “vamos embora” antes de deixarem a área em outro automóvel. A polícia informou que essas pessoas ainda não foram identificadas.

A eventual fuga e a ausência de socorro poderão configurar crimes previstos no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), caso sejam comprovadas as circunstâncias exigidas pela legislação.

Diante dos elementos reunidos até o momento, a morte passou a ser investigada, provisoriamente, como homicídio qualificado, em tese cometido com dolo eventual. A hipótese considera a possível combinação de alta velocidade, disputa automobilística e criação consciente de risco extremo para terceiros.

A Polícia Civil ressalvou que a classificação é provisória e depende do avanço das investigações. O dolo eventual não é presumido pela ocorrência da morte ou pela presença de álcool, sendo necessária a comprovação do elemento subjetivo a partir das circunstâncias do caso.

O acusado foi preso em flagrante e formalmente indiciado de maneira provisória. O delegado Adriano Marreiro determinou ainda a apuração de possíveis crimes relacionados à fuga do local, embriaguez ao volante e disputa automobilística não autorizada, além da responsabilidade pelas lesões sofridas pela passageira do Kadett.

A Polícia Civil também representou pela conversão da prisão em flagrante em preventiva, citando a possível disputa automobilística, a morte, a ausência de socorro, a possível evasão do local e a necessidade de preservar provas ainda em produção. A decisão cabe ao Poder Judiciário.

A investigação continuará com perícias nos veículos, análise das imagens, identificação dos outros automóveis, inclusive o possível GM Corsa, exames médicos e necroscópicos e depoimentos de testemunhas.

Segundo o irmão da vítima, Luciano morava em Avencas e havia deixado o filho em Oscar Bressane naquela noite. Ele retornava para casa pela estrada vicinal quando ocorreu a colisão.





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