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o impacto do relacionamento financeiro

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Imagine um talentoso atleta em transição das categorias de base para o grupo de elite. Ele já provou seu valor, tem potencial e ambição, mas sabe que, para competir no topo, apenas talento não basta. Precisa de estratégia, uma equipe multidisciplinar, acesso às melhores ferramentas de trabalho, treinadores qualificados e um preparo que vai além do campo de jogo.

A analogia se encaixa bem na trajetória e na realidade das médias empresas brasileiras. Com uma ligeira diferença: se no esporte a importância dessa estrutura de apoio é geralmente intuitiva, no mundo corporativo ela acaba de ser avaliada e comprovada em números.

O estudo Empresas que crescem: o impacto do relacionamento financeiro no desempenho das médias empresas, realizado pelo Itaú BBA em conjunto com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), quantifica o valor dessa parceria. Um dado revelador: o crédito concedido a essas companhias gera, anualmente, R$ 105 bilhões no PIB, R$ 49 bilhões na renda familiar e mantém 1,3 milhão de empregos. A pesquisa também confirma que, apesar dessa força, as empresas enfrentam desafios de produtividade e acesso a mercados.

É justamente neste espaço entre potencial comprovado e alta competição que um parceiro financeiro estratégico ganha ainda mais relevância. Os resultados do estudo mostram os benefícios: empresas com esse apoio aumentam em cerca de 70% as exportações e elevam em 126% o registro de patentes. Foram comparadas, entre 2019 e 2024, empresas clientes e não clientes do banco Itaú BBA, avaliadas em três eixos de impacto a partir do relacionamento financeiro: inserção internacional, inovação e expansão. Como diz o professor Daniel da Mata, que liderou a pesquisa na FGV: “O relacionamento com uma instituição bancária ativa e dotada de uma ampla plataforma de produtos e serviços revela-se um fator relevante para o sucesso econômico das empresas”.

Na prática, isso significa ter um portfólio completo e consultivo, que atende demandas diárias e movimentos mais estruturantes, como emissão de dívida ou M&A. Dados do estudo revelam que a parceria eleva em mais de 200% a probabilidade de abertura de capital, por exemplo, com fortalecimento da governança e acesso real ao mercado. É a combinação de capilaridade regional com especialização que conecta a média empresa a soluções globais, como um hub de negócios.

Médias pelo mundo

O impacto desse segmento de empresas no desenvolvimento socioeconômico é um fenômeno global. Embora não haja um recorte específico para as médias companhias – em vários estudos internacionais, elas geralmente estão acompanhadas das pequenas –, é possível perceber a sua relevância nos principais indicadores de um país. Na Alemanha, o Mittelstand (conjunto das PMEs) forma a base da economia, com inovação, visão de longo prazo e liderança em diversos nichos do mercado. Representa 55% do PIB, 60% dos empregos e é responsável por quase 80% das patentes concedidas no país, além de ser a porta de entrada no mercado para 82% dos profissionais alemães.

Em realidade mais próxima à nossa, como Colômbia e Chile, pequenas e médias empresas também ancoram a economia, geram o maior volume de empregos e ajudam a impulsionar o PIB. Na Colômbia, contam com o estímulo de programas como o INNPulsa e respondem por cerca de 80% do emprego formal; no Chile, com apoio de agências como a CORFO (Corporación de Fomento de la Producción), empregam mais de 60% da força de trabalho.

No Brasil, faz-se necessário também um ambiente de mais estímulos, regras estáveis, orientadas ao planejamento de longo prazo, com menor sensibilidade a ciclos de taxa de juros, câmbio e política. Igualmente importante é ter uma maior proximidade com a academia, como é comum nas Mittlestand alemãs, fortemente integradas a universidades e centros de pesquisa.

São medidas necessárias para fortalecer ainda mais as médias companhias no Brasil. Tendo previsibilidade e acesso a ferramentas e recursos, o caminho à maturidade fica bem mais fácil. Elas já passaram a fase mais crítica, a da sobrevivência, e agora estão ávidas para dar o próximo passo.

Elas querem o topo, como o atleta em formação.

A propósito: em entrevista já distante, o ex-jogador de futebol Jairzinho, o furacão da Copa de 70, já aposentado e então mentor do garoto Ronaldo Nazário, deu dois conselhos ao futuro Fenômeno: usar agilidade para atacar espaços vazios antes que os adversários reagissem e aprender a ler o jogo para identificar as melhores alternativas. São conselhos que valem para o campo e cabem nos negócios.

 

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